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Seminario Eleições 2018: Reformas ou Radicalismo

Debate sobre as eleições aponta pelo menos cinco blocos possíveis de candidaturas para 2018 e não espera Câmara de Deputados muito diferente

mosaicodeeconomia

30 Novembro 2017 | 15h37

*Marcelo Kfoury Muinhos
Segue um resumo do seminário de ontem (29/11) sobre as eleições de 2018 realizado pelo Centro Macro-Brasil da FGV-EESP,  que contou com a presença dos professores da FGV: Claudio Couto, Fernando Abrucio e Yoshiaki Nakano e com o cientista político Rafael Cortes da Tendências Consultoria. Mesmo com toda incerteza que ainda envolve o pleito, houve consenso que em 2019 haverá reformas, e elas podem ser até radicais, dada a dinâmica dos gastos, principalmente da previdência. Na pior das hipóteses haverá necessidade de até uma reforma constitucional para abolir o teto dos gastos. Foi salientado que nem aumento de impostos resolve o imbróglio, devido ao engessamento dos gastos via teto.

Cenários para a eleição presidencial de 2018 – A eleição vai ser fragmentada, mas não tanto como em 1989, por não ser solteira. Algum candidato pode ir para o segundo turno com 17% dos votos. Há enfim chances de se romper a polarização entre PT-PSDB, que vem desde 1994 e pelo menos cinco grupos de candidaturas foram aventados:
– Candidato Governista – não deve ocorrer uma Sarneyzação completa de Temer, mas também mesmo se a economia melhor, Temer não deve conseguir ser um eleitor muito influente, pois a sensação de melhora via emprego deve demorar. De qualquer maneira, deve ter algum candidato defendendo o grupo de Temer, pelo menos para proteger o grupo, quando este voltar a planície. O ímpeto reformista de Temer foi uma tentativa do PMDB de reformar para sobreviver, mas vai entregar menos devido as denúncias da Friboi.
– PSDB – se Alckmin sobreviver ao primeiro turno, tem muitas chances de se eleger por trazer um peso muito grande de São Paulo, mas PSDB tem que escolher um projeto. Seria importante resolver com o Marcio França, vice-governador, a sucessão estadual e compor com o PSB. O PSDB tem que resolver rápido o imbróglio em relação a Temer e decidir se apoia ou não a reforma da previdência.
– Outsider – Há um clamor das “elites” de se construir uma via que evite os radicalismos. Nome mais citado foi o de Joaquim Barbosa, dado a desistência de Luciano Huck, mas Marina também foi lembrada. Essa candidatura pode trazer uma característica de pureza por não estar ligada aos partidos tradicionais, mas não necessariamente anti-establishment. De qualquer maneira esse purismo pode atrapalhar posteriormente na tentativa de formar coalizões e aprovar reformas no Congresso .
– Bolsonaro – É o mais antidemocrático com características chavistas (surgiu com líder sindical do exército) sendo a maior ameaça às instituições. Expressa o sentimento de repulsa aos políticos com um apelo emocional e carismático, mas talvez não aguente apanhar muito por tanto tempo e não tem estrutura para se defender.
– Lula – O sentimento que me ficou é que o Lula tem mais probabilidade de não sair candidato, mas decisão pode ir para o Supremo. Para os petistas interessa que a definição sobre a candidatura de Lula seja feita o mais tarde possível. Lula é pragmático, vai se compor no congresso e já até perdoou os “golpistas” não sendo uma ameaça tão grande. Porém, pode trazer feridas abertas e não ter mais o clima de 2003.

Novo Congresso – Renovação na Câmara deve ser de 50 a 60%, mas no Senado pode surpreender. Eleições municipais são importantes previsores da composição da Câmara Federal, mas a situação fiscal caótica de Estados e Municípios pode afetar o poder dessa predição. De qualquer maneira, baseado nas evidências da eleição de 2016, Congresso deve ser parecido com o atual, mas com o PT bem menor. Foi salientado que as composições estaduais são bastante complicadas, mas de qualquer maneira as regras eleitorais e o custo da campanha dificultam renovação. Alguns caciques podem tentar vaga na Câmara para compor maiores bancadas e manterem o foro privilegiado. Isso foi considerado positivo para reformas econômicas, pois é regra que as reformas são propostas pelo executivo e capitaneadas no Congresso por alguns caciques partidários, que sabem operá-las institucionalmente.

* Professor e Coordenador do Centro Macro-Brasil da FGV-EESP