De pai para filho: o analista que começou na Bolsa aos 6 anos

Yolanda Fordelone

28 Fevereiro 2013 | 08h41

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Foto: Divulgação

O empresário e analista Richard Rytenband, com duas empresas de cursos na área de certificação financeira e uma de criação de apresentações e slides, já conhece o mercado financeiro há 26 anos. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, Rytenband é ainda um jovem, com apenas 32 anos. Sim, é isso mesmo. Ele começou a acompanhar a Bolsa de Valores quando ainda era criança, aos seis anos.

“Eu acompanhava um programa na extinta TV Manchete, chamado Informe Econômico, sobre mercado financeiro. As cotações apareciam muito rápido e esta era uma das poucas maneiras de checar os valores das ações. Sem isso, era preciso ligar na corretora, o que dava muito trabalho. Meu pai viu isso e me deu um papel e uma caneta para eu começar a marcar”, lembra Rytenband. Ele conta que foi a partir daí que começou a entender o conceito de blue chip, de dólar e outros ativos.


Ele lembra com carinho, e algumas risadas, das orientações e explicações dadas pelo pai: “Eu achava que as cotações zeravam no final do ano e então o jogo começava de novo, que não tinha continuidade”. O pai, então, esclarecia suas dúvidas. “Ele conversava comigo como se eu fosse um adulto, não tinha muita preocupação não”, afirma o investidor.

Foi em 1994, aos 13 anos, que o analista fez sua primeira aplicação e já nesta idade enfrentou o primeiro tombo também. Utilizou o dinheiro do Bar Mitzvah (celebração do amadurecimento de um judeu, quando este atinge a maturidade) para comprar ações da Ferro Ligas. A empresa, porém, teve diversos problemas financeiros e quando ia começar a ter lucro anunciou uma recompra de ações que fez o garoto perder todo o investimento. “Meu pai falou que eu era uma vergonha para a família, que eu havia perdido todo o dinheiro e teria de começar do zero”, diz.

O episódio, apesar de triste, é lembrado com orgulho. “Eu só confio em quem já foi realmente machucado pelo mercado. Isso acaba garantindo um aprendizado, um conhecimento das regras do jogo.” Foi o que aconteceu com ele. “Aprendi muito cedo minha grande lição. Aprendi o que é perder tudo, o que é ter soberba. A partir daí fui um cara bem cauteloso e disciplinado.”

Ele acredita que o episódio o ajudou a vencer as limitações da mente, como o comportamento de agir em manada e comprar e vender ações na hora em que todos estão fazendo o mesmo. O prejuízo também fez o investidor buscar mais conhecimento. Aos 17 anos, já começava a fazer operações no mercado futuro, sendo uma das primeiras pessoas físicas a fazer um contrato de swap cambial.

“Pela minha experiência, acredito que a formação de um bom investidor leva até dez anos. Ela inclui aspectos psicológicos e técnicos. É realmente uma década de dedicação”, afirma. Rytenband se considera um autodidata e devorador de livros. “Eu só acredito nisso, em conhecimento”, diz.

Nesses anos de aprendizado, Rytenband tirou duas lições que considera importantes: ter as próprias análises, com indicadores e ferramentas que ele mesmo construiu; e fazer a gestão de capital, onde a quantidade de acertos e erros não importa tanto, mas sim a intensidade. Ele conta que você pode acertar apenas 40% das vezes nos investimentos, mas o importante é ganhar muito quando acerta e limitar as perdas em uma possível queda. Sobre o uso da internet, ele também faz precauções aos novatos: “A internet é muito boa, mas tem excessos. Se a pessoa quer ser bem sucedida deve ser um grande filtro.”