Ação da Petrobrás está 66,5% abaixo do seu pico
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Ação da Petrobrás está 66,5% abaixo do seu pico

Papel da estatal se recuperou no último um ano e meio e é recomendação quase unânime entre as corretoras, mas ainda está bem distante do patamar alcançado durante o boom das commodities, em 2008

Bianca Pinto Lima

10 Agosto 2017 | 14h15

Início da exploração do pré-sal, disparada do preço do petróleo, crise financeira global, megacapitalização, Lava Jato e ingerência política. Todos esses fatores estão refletidos na montanha-russa que se transformou o gráfico dos últimos dez anos da ação da Petrobrás.

Em relação ao pico de maio de 2008 – quando o barril do petróleo beirava os US$ 130, o papel PN da petroleira acumula hoje uma queda de 66,5%. Marca nada interessante para quem investiu na estatal durante o boom das commodities. Atualmente, para se ter uma ideia da diferença, o barril é negociado na faixa dos US$ 50.

Mas esse recuo do papel já foi bem maior: alcançou quase 90% em 26 de janeiro de 2016, em meio ao agravamento da crise política no País. De lá para cá, a ação preferencial saltou de R$ 4,2 para R$ 13,49.

Os dados da série histórica vão até 8 de agosto e são da provedora de informações financeiras Economatica. Os valores estão ajustados por proventos, ou seja, já embutem o que os acionistas ganharam com dividendos e juros sobre capital próprio.


A recuperação do papel nesses últimos dezoito meses está ligada, principalmente, à mudança de gestão, que agradou ao mercado. Pedro Parente, que em junho completou um ano à frente da estatal, tem comandado um processo de redução de custos por meio da venda de ativos e do corte de funcionários.

“A Petrobrás terá de encolher para crescer. Deve se transformar em uma empresa menor, mas mais lucrativa e bem arrumada”, comenta Pedro Galdi, analista de investimentos da corretora Magliano.

A nova política de preços para os combustíveis, que prevê reajustes até diários, também foi vista com bons olhos por trazer mais transparência e maior competitividade comercial. A medida, que começou a ser implementada em outubro de 2016, representou uma mudança de paradigma em relação à estratégia da última década.

Nas gestões anteriores – Sérgio Gabrielli, Graça Foster e Aldemir Bendine (preso na Operação Lava Jato) -, a convergência aos preços internacionais se dava no médio e longo prazos e os reajustes não tinham periodicidade definida. “Havia ingerência política com o objetivo de controlar a inflação”, destaca Galdi.

O analista diz que hoje a estatal passou a ser uma recomendação quase que unânime nas carteiras das principais corretoras. Matéria do Broadcast, serviço de informações financeiras do Estadão, aponta que a empresa também entrou nos portfólios da XP e do Bradesco BBI.

BALANÇO

Na noite desta quinta-feira, a petroleira divulgou os resultados do 2º trimestre: o lucro caiu 14,6% ante o mesmo período de 2016 e somou R$ 316 milhões.

O balanço refletiu, mais uma vez, vários efeitos não recorrentes, como a venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), a adesão a programas de parcelamentos tributários e a provisão de perdas referente ao arrendamento de uma sonda com o grupo Schain. A queda na venda de combustíveis no mercado interno também pressionou o resultado.

O diretor financeiro da companhia, Ivan Monteiro, destacou, porém, o fato de a estatal ter atingido um endividamento líquido abaixo de US$ 90 bilhões. “Todas as alternativas de funding hoje estão disponíveis, o que não ocorria desde 2014”, disse. E antecipou: “Em breve devemos ter o anúncio do BNDES voltando a financiar a Petrobrás”.

(Texto atualizado às 19h40)

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