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Mercado piora perspectiva para inflação de 2016

A promessa da equipe econômica de trazer a inflação para o centro da meta (4,5%) no ano que vem está mais distante

Luiz Guilherme Gerbelli

21 Setembro 2015 | 13h25

A promessa da equipe econômica de trazer a inflação para o centro da meta (4,5%) no ano que vem está mais distante. A alta do dólar e a deterioração da economia brasileira – com a perda do grau do investimento – estão levando o mercado a aumentar as projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2016.

No relatório Focus, do Banco Central, a piora nas expectativas de inflação de 2016 está evidente semana após semana com sucessivos aumentos nas previsões. A pesquisa divulgada nesta segunda-feira, por exemplo, mostrou que a projeção para o IPCA subiu de 5,64% para 5,70%.

A perspectivas de um IPCA mais elevado em 2016 vai na contramão do que deseja o governo. Desde o início do ano, o Banco Central tenta ancorar as projeções do IPCA de 2016 com o objetivo de que uma inflação mais moderada possa ajudar na recuperação da economia brasileira.

“O aumento da percepção da risco, após a perda do grau de investimento, impactou as projeções de câmbio e aí afetou as expectativas para a inflação”, afirma Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria Integrada. “Essa é uma notícia ruim para o BC porque sabe-se que as expectativas têm um peso bem relevante na formação de preços. Conforme elas começam a se elevar, há um impacto na inflação corrente”, diz Alessandra. A Tendências projeta 5,4% para o IPCA de 2016.

Na avaliação dela, também existe o risco de os preços administrados continuarem a pressionar a inflação se a equipe econômica decidir pelo retorno da cobrança da Cide nos combustíveis caso a volta da CPMF não seja aprovada no Congresso. Essa possibilidade começa a aparecer no radar dos analistas porque a Cide depende exclusivamente de uma decisão do Executivo. Logo, se o plano de ajuste fiscal apresentado fracassar, a Cide pode ajudar o governo a fechar a conta no ano que vem.

A piora do cenário previsto para a inflação também tem alterado a expectativa para a taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano. Na projeção Itaú, a Selic vai ficar inalterada no próximo ano – o banco elevou a expectativa do IPCA do ano que vem de 5,8% para 6,5%. “Antes projetávamos uma queda da Selic no terceiro trimestre, mas, com o novo cenário, tiramos essa redução e mantivemos a Selic estável por todo o ano”, diz Elson Teles, economista do Itaú Unibanco.

Cenário positivo. O governo ainda pode colocar as expectativas de inflação do ano que vem para baixo se conseguir melhorar o ambiente político e aprovar o pacote fiscal. Com esse cenário mais positivo, o dólar pode recuar em relação ao patamar atual e ajudar no controle da inflação.

“Um cenário em que a presidente permaneça como está, errática, mantém o câmbio pressionado e joga contra a inflação, podendo levar o número a passar facilmente de 6% ano que vem”, afirma Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Mas, se uma solução política for encontrada, o câmbio tende a reagir positivamente e um pass-through (repasse) mais agressivo seria menor, com inflação podendo ficar nos 5,6% que por enquanto estimamos”, diz.