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Cuidado, reclinar a poltrona do avião ficou perigoso

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terça-feira 02/09/14

Três voos fizeram pousos não programados nos Estados Unidos nos últimos oito dias após brigas de passageiros por causa da posição das poltronas reclináveis

Classe econômica da Emirates no Airbus A380, que pode levar  500 passageiros (Foto: NYT)

Classe econômica da Emirates no Airbus A380, que pode levar 500 passageiros (Foto: NYT)

Associated Press

NOVA YORK – Passageiros das companhias aéreas americanas, espremidos cada vez mais no espaço entre as poltronas, parecem estar se rebelando contra a ditadura do aperto.

Três voos fizeram pousos não programados nos Estados Unidos nos últimos oito dias após brigas de passageiros por causa da posição das poltronas reclináveis.

Disputas sobre um pouco de espaço pessoal podem parecer insignificantes, mas para os passageiros, cujos joelhos se comprimem sob as bandejas, cada episódio desses soa como uma vitória.

“Os assentos estão ficando cada vez mais próximos uns dos outros”, afirma Sara Nelson, presidente da Associação de Atendentes de Voos, entidade que representa 60 mil comissários de bordo em 19 companhias aéreas.

“Temos de acalmar passageiros em conflito o tempo todo. Há brigas por espaço no compartimento de bagagem, espaço para as pernas e onde colocar casacos de inverno”, afirma ela.

“As empresas aéreas estão fazendo malabarismos com alertas terroristas na
Grã-Bretanha, surto de Ebola na África e um vulcão na Islândia, mas a questão das brigas entre os passageiros por falta de espaço é hoje o problema que mais chama a atenção”, afirma a representante das comissárias de bordo.

Segundo ela, a situação está chegando a um ponto onde os vídeos de segurança antes dos voos vão precisar de uma advertência adicional: “Seja legal com o seu vizinho”.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) diz que o problema dos passageiros indisciplinados é crescente. As últimas estatísticas mostram um incidente para cada 1,3 mil voos nos últimos três anos.

A experiência de voo hoje em dia está perdendo a característica de glamour, segundo os passageiros e funcionários das companhias aéreas. Os viajantes precisam esperar em longas filas para a triagem de segurança, enfrentar empurrões na hora do embarque e depois lutar pelo limitado espaço no compartimento de bagagem.

No momento em que o passageiro senta, ele já está estressado, dizem as aeromoças. Para aumentar seus lucros, as companhias aéreas foram acrescentando mais fileiras de assentos para aviões nos últimos ano.

As companhias Southwest e United Airlines tiraram um centímetro de cada linha de acentos em certos jatos para abrir espaço para mais seis mais assentos. A American aumentou o número de assentos em seus Boeing 737-800 de 150 para 160.

A Delta instalou banheiros menores em suas aeronaves 737-900, o que lhe permite espremer em uma fila extra mais quatro lugares. E, para dar lugar a uma cabine de primeira classe, com camas totalmente reclináveis em seus voos transcontinentais, a JetBlue cortou um centímetro de espaço para as pernas de todos os demais passageiros.

As companhias aéreas dizem que os passageiros não vão notar a diferença, porque os bancos estão sendo redesenhados para criar um sentimento de espaço mais amplo.

Os assentos da Southwest têm bolsos revista e encosto mais finos. A Alaska Airlines encolheu o tamanho das bandejas e a United moveu o bolso para revistas para longe dos
Joelhos dos viajantes.

Mas os passageiros não estão apenas perdendo espaço para as pernas. Eles também estão perdendo espaço para os cotovelos.

Passageiros da Allegiant Airlines: voo desviado após briga (Foto: NYT)

Passageiros da Allegiant Airlines: voo desviado após briga (Foto: NYT)

As companhias aéreas dos EUA venderam 84% de seus assentos em voos domésticos até agora este ano, acima dos 81% há cinco anos e 74% de uma década atrás, de acordo com estatísticas oficiais. Isso significa que há cada vez menos assentos vazios em que os passageiros podem se espalhar.

A mais recente onda de problemas de passageiros começou no último dia 24 de agosto, quando um homem em um voo da United impediu a mulher na frente dele reclinar o banco graças a um grampo de US$ 21,95 chamado de ‘defensor de joelhos’. O grampo fixa a poltrona à bandeja do passageiro de trás e impede a pessoa da frente de desfrutar do conforto da poltrona reclinável.

Uma aeromoça disse ao homem para remover o dispositivo. Ele se recusou, e a passageira da frente despejou nele um copo de água.

Três dias depois, em um voo da American de Miami para Paris, dois passageiros brigaram pelo mesmo motivo, e o avião foi desviado para Boston.

Em seguida, no domingo à noite, em um voo da Delta de Nova York para West Palm Beach, na Flórida, uma mulher que estava debruçada sobre a bandeja ficou chateada quando o passageiro na frente dela reclinou seu assento, atingindo-a na cabeça. Por causa da discussão que se seguiu, o avião foi desviado para Jacksonville, na Florida.

Ben Baldanza, presidente da Spirit Airlines, diz que se as companhias aéreas instalam assentos que podem reclinar, os passageiros devem ter o direito de usá-los. A Spirit e a Allegiant Air são as únicas companhias aéreas dos EUA a instalar assentos que não reclinam. “As pessoas devem ser menos emotivas”, diz Baldanza. “Nós nunca tivemos que desviar um voo por causa de brigas por espaço a bordo”.

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