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Sem ciência, como seria?
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Sem ciência, como seria?

Há muito que se atribuir à agricultura no cotidiano de um cidadão contemporâneo, incluindo sua alimentação, vestuário, locomoção, moradia, lazer, cultura e oportunidades de trabalho. A economia de nosso país depende da agricultura. Os investimentos históricos realizados pelas Universidades, Institutos de Pesquisa e por agências de fomento do governo e da iniciativa privada resultaram em ganhos que permitiram alcançar melhores padrões de nutrição da população, que podem ser considerados partes relevantes de nossa soberania nacional.

Jose Vicente Caixeta Filho

27 Junho 2014 | 15h28

 

Método científico aplicado à agricultura amplia progresso no campo (Foto: Divulgação)

 

Há muito que se atribuir à agricultura no cotidiano de um cidadão contemporâneo, incluindo sua alimentação, vestuário, locomoção, moradia, lazer, cultura e oportunidades de trabalho.

Por exemplo, ainda nos anos 60, a oferta de hortaliças era sazonal em decorrência da dependência de importação de genótipo europeu e americano. Os trabalhos iniciais de introdução de genótipo adaptado permitiram a obtenção de grande variedade de verduras e hortaliças que hoje chegam à mesa do consumidor, praticamente sem restrições regionais. Isso também é verdadeiro para frutas, tanto de clima tropical como temperado, que hoje abastecem nossas mesas diariamente (nos anos 50, maçãs e peras somente seriam obtidas por importação dos países vizinhos do cone Sul).

A introdução do método científico aplicado à agricultura revelou perspectivas de progresso agrícola e pecuário impressionantes. Como exemplos, destaques para as culturas de cana-de-açúcar, milho, sorgo, algodão, soja, citros entre outras, nos permitindo alcançar produtividades quatro vezes maior que aquelas observadas até os anos 50. A introdução e adaptação de raças de animais para leite, carne e ovos é um dos fatos que nos conduziu à condição de maior exportador de carne do mundo, com pleno abastecimento de produtos de origem animal à mesa do brasileiro. Até os anos 60, carne de frango era apreciada como rara entre nós.

Os ganhos de produtividade agrícola e pecuária também foram decorrentes de iniciativas de grupos de pesquisa em manejo dos solos, nutrição de plantas e de animais, que mudaram o status das explorações deixando o ambiente extrativista para a alcançar padrões internacionais de produtividade sustentável.

Há que se reconhecer que a área florestal foi revolucionada com pesquisas voltadas à introdução de espécies adaptadas que fomentam a indústria de papel, energia, madeira certificada, moveleira e de recomposição florestal, tendo como principal objetivo a redução do desmatamento e proteção do solo e dos recursos hídricos. A degradação dos recursos florestais somente foi desacelerada nos anos 90, com esforço de pesquisas emblemáticas que contribuíram para elaboração do atual Código Florestal Brasileiro, medida regulatória importante para a disciplina dessa exploração.

A indústria de açúcar e álcool também garantiu sua fundamentação a partir de referências científicas e tecnológicas que auxiliaram na melhor exploração da cultura de cana e na observação de ganhos importantes em eficiência do processo de fermentação industrial. Mais tarde, essa tecnologia possibilitou a implementação da indústria de oleaginosas e biodiesel, sendo que subprodutos desses processos produtivos foram viabilizados como substratos para geração de energia renovável, produção animal e outros fins.

A economia de nosso país depende da agricultura. Os investimentos históricos realizados pelas Universidades, Institutos de Pesquisa e por agências de fomento do governo e da iniciativa privada resultaram em ganhos que permitiram alcançar melhores padrões de nutrição da população, que podem ser considerados partes relevantes de nossa soberania nacional.

 

Registre-se o agradecimento às diversas informações compartilhadas por colegas da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ) da Universidade de São Paulo (USP).