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Os atributos das empresas ‘dos sonhos’ – Parte 2

claudiomarques

quarta-feira 02/07/14

No artigo anterior, o enfoque foi sobre a variável evidenciada pelos jovens na maior parte dos países: o equilíbrio entre vida e carreira

Elisabete Adami Pereira dos Santos - professora da PUC 

Em artigo anterior, há quatro semanas nesta coluna, examinei uma das variáveis do estudo feito pela Universum Global relativamente às características e atributos que um empregador deve ter para atrair novos talentos.

Apenas resumindo as bases da pesquisa que deu origem ao estudo encomendado pela exame.com: o levantamento foi feita com jovens de 23 países, incluindo o Brasil, na qual os pesquisados assinalavam os critérios mais importantes para suas carreiras. No artigo anterior, o enfoque foi sobre a variável evidenciada pelos jovens na maior parte dos países: o equilíbrio entre vida e carreira.

Em segundo lugar, causando um pouco de espanto para aqueles que colocam nos jovens da geração Y traços distintivos, um tanto superficiais ou míticos, como o de não se vincular ou se comprometer com nada ou nenhuma organização, ficou “Ter estabilidade ou segurança no emprego”. Esta variável teve uma ocorrência, em segundo lugar, em 15 países. O que é bastante representativo.

Os países em que a característica escapa dessa localização são Áustria, Dinamarca, França, México e Holanda. Interessante notar que fica em primeiro lugar na Índia, Polônia e Rússia, desbancando, portanto, a variável “equilíbrio entre vida e trabalho”.

Há, se pensarmos também de forma simplista, uma contradição entre o que caracteriza os jovens e a opção pela segurança e estabilidade.
Mas, ouso dizer que, essa contradição é apenas aparente. E nos sinaliza, de forma clara, que temos de fugir das análises rasteiras e superficiais.

No Brasil, em concordância com outros 14 países avaliadas na pesquisa, essa alternativa também foi assinalada, em segundo lugar, com 43,5% dos “votos”. E, o que se tem visto de forma clara é que mais e mais jovens, mesmo formados por escolas de primeira linha e que não teriam problemas em sua empregabilidade, estão se direcionando para concursos públicos.

E, se nos debruçarmos sobre outra pesquisa, da Cia. de Talentos, as “Empresas dos sonhos dos jovens”, o topo da lista é ocupado por uma empresa estatal brasileira, a Petrobrás. E isso aconteceu em 2012 e 2013, tirando do mais alto posto o Google.

Pode-se olhar e concluir por um outro ângulo: que a empresa (Petrobrás) tem sido escolhida porque se tornou sinônimo de inovação, traço esse bastante valorizado pelos jovens… mas continua sendo uma racionalização simplista.

Algumas outras variáveis do levantamento realizado pela Universum guardam uma relação estreita com as “âncoras de carreira” do Edgar Schein, assunto que este jornal, neste caderno, já tratou de maneira ampla há poucos meses. Abordarei essa relação no próximo artigo…

 

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