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“Precisamos recuperar a capacidade de comunicação interpessoal”

claudiomarques

20 agosto 2014 | 18:00

Estatísticas das consultorias de recolocação apontam que a maioria das demissões se dá por questões comportamentais e tem relação com a comunicação interpessoal

Por Sandra Loureiro - Professora da PUC e psicóloga 

Nos últimos artigos, escrevi sobre a importância das competências humanas para a carreira, destacando o trabalhar em equipe e o saber lidar com as emoções. Vale a pena concluir o rol das soft competencies, enfocando esta que se encontra na base das atividades humanas, a comunicação interpessoal.

As estatísticas das consultorias de recolocação apontam que a maioria das demissões se dá por questões comportamentais e tem relação com a comunicação interpessoal. Esta competência diz respeito à capacidade de mobilizar recursos associados à linguagem (verbal, gestual, simbólica, emocional) para se expressar com clareza e precisão, adaptar a mensagem aos interlocutores, ser assertivo na exposição e defesa das suas ideias, saber ouvir e demonstrar respeito e consideração pelas ideias dos outros.

Ela é estratégica no desenvolvimento e gerenciamento da carreira, pois é responsável pela qualidade dos relacionamentos e facilitadora na busca e no reconhecimento de parcerias, na consciência da autopercepção e na construção da imagem profissional que, num mundo conectado por mídias digitais, ultrapassa em muito os muros da organização.

Um número grande de mal-entendidos ou insucessos na carreira são decorrentes de falhas na comunicação. Estas, acumuladas no tempo, vão tendo um peso considerável na construção da imagem. A questão central da comunicação ineficaz parece estar ligada não somente às faltas de domínio da língua, de uma expressão fluente e de precisão das palavras na transmissão da mensagem, mas no quanto nos preocupamos com sua recepção, com a percepção e compreensão do que foi transmitido e com seus efeitos no outro.

Explicitar ideias é muito diferente de se fazer entender. Para tal precisamos nos importar genuinamente com o interlocutor, compreender o seu contexto, ter a capacidade de sairmos da nossa perspectiva para falarmos a sua linguagem, enfim, exercitarmos a empatia, qualidade esta fundamental em todas as competências humanas.

O egocentrismo dos novos tempos parece ter empobrecido em nós essa capacidade. É preciso recuperá-la e desenvolvê-la em prol de uma comunicação mais humana, pois, como diz Celso Antunes, “os saberes envelhecem, mas as competências serão por nós levadas por toda a existência”.

Envie sua questão sobre carreira ou profissão para empregos.estado@estadao.com