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Identificação norteia seleções de trainee

claudiomarques

25 agosto 2014 | 16:40

Cada vez mais, processos seletivos cobram dos candidatos habilidades comportamentais e aderência a valores organizacionais

Maria Martha. Interesse por moda levou publicitária ao programa de trainee da C&A (Foto: Robson Fernandjes/Estadão)


GUSTAVO COLTRI

Ao menos 40 empresas estão com inscrições abertas atualmente para programas de trainee. E os recrutadores não estão atentos apenas às qualificações formais dos candidatos. A aderência dos jovens à cultura e aos valores das organizações, bem como suas habilidades comportamentais, são cada vez mais notadas nas seleções.

“As empresas olham fatores como autoconfiança, maturidade, capacidade de buscar conhecimento, habilidade de gestão de conflitos. Normalmente, elas avaliam mais esses pontos nas etapas presenciais, mas alguns testes online servem para mostrar as competências”, diz Marcos Antonio dos Santos, gerente na consultoria Randstad.

Diante de tantas possibilidades, escolher com parcimônia os desafios pode livrar o candidato de erros durante a disputa por uma vaga, segundo profissionais de recursos humanos. E, como a concorrência é muito acirrada nesses programas – algumas empresas contam com mais de 600 candidatos por vaga no momento das inscrições –, os interessados devem aprofundar ao máximo o conhecimento sobre as companhias.

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Saiba o que esperar de cada uma das etapas da seleção 

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“O currículo elimina a maior parte das pessoas, então elas têm de colocar as informações que são realmente relevantes para as empresas”, diz a diretora estratégica do Grupo Empreza, Lourdes Scalabrin. “Para isso, a pessoa tem de estudar a companhia e ficar muito atento ao que ela está pedindo.”

Além da leitura atenta aos pré-requisitos listados nos sites oficiais dos programas de trainee, Lourdes recomenda que os interessados vasculhem o material institucional das organizações para verificar quais valores norteiam a companhia. Notícias veiculadas nos meios de comunicação e redes sociais também podem contribuir, segundo ela. Quando possível, conversar com funcionários pode ajudar.

As perguntas abertas nos formulários de inscrições exigem que os candidatos se posicionem sobre temas – se exponham. Essas informações servem de um primeiro parâmetro para os recrutadores em busca dos sinais de aderência, diz a especialista Carla Esteves, diretora na Cia de Talentos.

A segunda etapa dos processos, em geral provas online, também passaram a valorizar os chamados “soft skills” e requerem atenção, segundo ela. Nas provas, o desafio é um teste objetivo de habilidades comportamentais – pode ser desde um jogo de negócios online e até um quiz para verificar a adequação dos postulantes aos valores.

Já as entrevistas ou dinâmicas online, na maior parte das vezes adotadas em substituição às dinâmicas de grupo presenciais, permitem que os recrutadores tenham mais informações a respeito das posturas, da capacidade retórica e da imagem pessoal dos jovens. No entanto, a distância física entre candidatos e recrutadores, ressalta Marcos Santos, da Randstad, não dá espaço para relaxamento com a vestimenta ou para a informalidade excessiva.

Online ou em pessoa, os candidatos devem continuar a investir no conhecimento, porque os cases apresentados investem em simulações – conhecer os produtos, os serviços e as lojas das companhias pode ser um diferencial.

“Avaliamos também as negociações, como os jovens expõem ideias e se relacionam”, diz Carla.
Estar ciente do que as companhias buscam não deve substituir a espontaneidade, contudo. “Mantenha a tranquilidade e demonstre interesse e seja autêntico”, diz a especialista.

As etapas finais dos programas de trainee exigem dos jovens um conhecimento mais profundo do negócio, porque os problemas apresentados são, em geral, complexos e conectados com as rotinas das companhias. “No painel com gestores, o que está sendo avaliado é a capacidade de análise da pessoa, de construção e sustentação dos raciocínios, além do o potencial de liderança”, diz Carla Esteves, da Cia de Talentos.

Na entrevista final, o momento é o da sintonia. Os candidatos já demonstraram aderência à cultura da empresa, então a escolha dos admitidos depende da identificação entre os perfis da vaga e de cada pessoa. “O que pode atrapalhar muito é o nervosismo”, diz Lourdes Scalabrin, do Grupo Empreza.

Paixão. No fim de 2012, o interesse por moda e a formação em publicidade levaram Maria Martha Mottin, hoje com 25 anos, à seleção para o programa de trainee da C&A, na área de compras. “Gostava muito de varejo e moda. E o que me atraiu na C&A era o fato de ela ser líder de mercado”, conta a jovem, atualmente no segundo ano do programa.

Maria Martha apostou em poucas companhias, por isso pôde estudar as características da C&A quando se candidatou. Além das leituras, ela frequentou as lojas da empresa para entender o comportamento dos consumidores – o foco no atendimento é central na organização.

A jovem acredita que as diversas etapas do processo seletivo, que incluiu inclusive um encontro com executivos da organização, foram importantes para a sua aprovação. “Você também tem de escolher a empresa.”

Maria Martha admite ter se sentido ansiosa no início do processo e diz ter se mantido focada quando a concorrência apertou. “O importante é ser você.”

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