Dor e reclamações podem indicar falta de equilíbrio no trabalho
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Dor e reclamações podem indicar falta de equilíbrio no trabalho

Para especialista, líderes também devem atender equipe individualmente para entender melhor as motivações particulares

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07 Setembro 2014 | 09h44

(Imagem: SXC.HU)

(Imagem: SXC.HU)

GUSTAVO COLTRI 

No limite, o sentimento de inadequação ao trabalho pode levar, além de quadros de estresse e até depressão, segundo especialistas. E, no âmbito da produtividade, ao marasmo.

“Se não vale a pena o meu esforço, vou deixar de me superar. E acabarei ficando mais acomodado”, exemplifica a consultora do Hay Group no Brasil. Flávia Gonçalves. Segundo ela, estudos internacionais da consultoria mostram que as empresas devem cuidar dos seus colaboradores individualmente. “Não adianta ter práticas iguais para todos, porque cada um se engaja por um motivo”, diz.


Essa aproximação entre empregador e empregado deve ocorrer, na opinião de Flávia, por intermédio dos gestores de equipe, o que requer a preparação dos líderes para a execução do gerenciamento de pessoal.

“Nas empresas mais avançadas, os líderes são avaliados nesse quesito, que é, inclusive, o ponto de maior perda de pontos na maioria dos casos.” Além de processos como coaching, ela acredita que ferramentas de avaliação possam contribuir para a formação dos gestores.

Para os trabalhadores desmotivados ou insatisfeitos, é importante manter atenção aos sinais. O psicólogo e consultor sênior no Instituto Pieron, William Bull, diz que, além das reclamações, da sensação de desvalorização, da falta de sono e até de dores no corpo, muitas vezes amigos e familiares do profissional se queixam da sua falta de interesse ou de tempo livre. “A falta de autoconhecimento pode levar a pessoa a aceitar desafios superiores aos que pode dar conta”, explica.

Cuidado. Diante de qualquer sinal mais persistente de sofrimento, adotar uma agenda de qualidade é a recomendação da pesquisadora em gestão da qualidade de vida no trabalho Ana Cristina Limongi-França, da Fundação Instituto da Administração (FIA) e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP.

Primeiramente, o profissional em crise não deve tolerar mínima para qualquer mal-estar, na opinião dela. “Primeiro vá ao médico. Depois do diagnóstico, vai procurar um especialista, um psicólogo. É essencial ter como valor o cuidado com a saúde pessoal”, ressalta.

Mudar os hábitos é o passo seguinte, segundo ela. “E é importante compartilhar a situação com as pessoas na empresa, mas é isso tem de ser feito com certa malícia porque nem sempre há muita abertura.”

Na opinião da psicóloga Ticiana Tucci, sócia da Questão de Coaching, o ideal é que o profissional converse com o líder a respeito da situação ou com a área de recursos humanos.

Além disso, deve investir no autoconhecimento. “No coaching, primeiramente sempre propomos reflexão para os dilemas. Aí, aplicamos uma série de testes para a pessoa entender as decisões que ela tomou.”

William Bull, do Instituto Pieron, diz que, muitas vezes, é preciso delegar tarefas, se distanciar da rotina para, então, priorizar as ações de mudança, em benefício de hábitos mais saudáveis no emprego. “O trabalho tem um peso significativo na construção da nossa identidade”, explica.

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