Pós-graduação em Bioinformática tem vagas valorizadas
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Pós-graduação em Bioinformática tem vagas valorizadas

Cinco instituições oferecem o curso no Brasil

REDAÇÃO

21 Outubro 2014 | 16h57

Estudante Danillo Cunha de Almeida e Silva quer seguir a carreira de pesquisador (Imagem: Arquivo pessoal)

Estudante Danillo Cunha de Almeida e Silva quer seguir a carreira de pesquisador (Imagem: Arquivo pessoal)

Matheus Martins Fontes
ESPECIAL PARA O ESTADO

Códigos de programação e sequenciamento de genes são assuntos que raramente aparecem juntos, a não ser em filmes de ficção científica. A separação entre as ciências exatas e ciências da saúde sempre foi clara. Mas a tecnologia vem entrando de tal forma na sociedade, que era de se esperar que essas linhas se cruzassem, como acontece agora, com a ascensão da carreira de um especialista mais completo: o bioinformata.

Esse profissional utiliza técnicas e ferramentas de alta tecnologia para desvendar informações biológicas através das sequências de DNA. Assim, é capaz de interpretar os genomas dos seres vivos nos laboratórios, podendo descobrir novos genes e medicamentos mais sofisticados. A necessidade de se familiarizar com áreas distintas de conhecimento torna o bioinformata um profissional raro.


Danillo Cunha de Almeida e Silva, aluno do programa interunidades de pós-graduação em bioinformática da Universidade de São Paulo (USP – Ribeirão Preto), enfatiza o caráter interdisciplinar da profissão: “O bioinformata deve ser entendido como um especialista em computação, matemática, biologia, química, física e estatística. O conhecimento em várias áreas é necessário para que possa desenvolver sua pesquisa com qualidade”.

O curso está disponível atualmente nos programas de pós-graduação de cinco instituições do Brasil, com opções de mestrado e doutorado. Além da USP, entram na lista a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), essas últimas com sede no estado do Rio de Janeiro.

Os destinos mais comuns para os profissionais da área são as próprias universidades. “A área acadêmica é determinante para a evolução das pesquisas no tema”, diz o presidente da Associação Brasileira de Bioinformática e Biologia Molecular (AB3C), Guilherme Corrêa de Oliveira. Segundo ele, a biologia passou de ciência observacional para quantitativa. “O volume de dados requer um trabalho computacional mais intenso e um profissional que saiba lidar com essa realidade.”

O aluno da USP afirma que prioriza a área de pesquisa por acreditar que lhe possibilite melhores oportunidades em comparação a quando concluiu a graduação em biologia. Entretanto, o mercado de trabalho ainda reserva um potencial de crescimento. “Bioinformatas podem atuar nas áreas de medicina, no setor farmacêutico, agropecuária, veterinária e ecologia”, completa o vice-coordenador da pós em bioinformática da USP, João Carlos Setubal.

Como é uma área de pesquisa recente no País, os salários na iniciativa privada ainda variam muito. Por isso, Estados Unidos, Japão e Europa são alvos cobiçados por brasileiros. O site Indeed diz que o bioinformata norte-americano fatura entre US$ 74 mil e 100 mil ao ano.

O coordenador afirma que a área ainda tem muito para evoluir no universo brasileiro. Ele confia que o mercado reserva um horizonte promissor. “Para aqueles que se dedicam com afinco, sinto que as vagas que aparecem no mercado são muito valorizadas. Nosso profissional é diferenciado”, diz Setubal.