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‘Teto de vidro’? Mulheres chegam perto, mas não comandam

Mais educadas, elas ainda ganham menos do que os homens

REDAÇÃO

29 Novembro 2014 | 16h18

Por Leonardo Trevisan, professor da PUC

Cargo de direção, comando de empresa, é lugar de mulher? No Brasil, parece que não é. De cada 100 postos de alta gestão nas empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores, apenas 8 são ocupados por mulheres. Nos últimos 15 anos esta “divisão” pouco mudou, como mostrou pesquisa da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, com 70 mil cargos de direção entre 1997 e 2012, divulgada pelo Estadão no último dia 11, pág. B15.

Não chegar aos cargos de direção esconde questão ainda pior: elas ganham menos do que os homens embora, na média, sejam mais educadas. O estudo Estatísticas de Gênero, do IBGE, baseado no Censo 2010, confirma que a desigualdade quase não evoluiu: em 2000 elas ganhavam 65% do que recebiam os homens; dez anos depois, recebiam 68%…

No mercado de trabalho, a escolaridade média das mulheres é bem maior, 8,4 anos de estudo delas, ante 6,8 anos deles. Em 2012, mulheres com ensino superior ganhavam só 65,7% do que recebiam os homens com idêntica instrução. O dado é da pesquisa Síntese dos Indicadores Sociais 2013, do IBGE, que também mostrou: o número de trabalhadores com mestrado cresce mais entre as mulheres: avanço de 16,55% entre 2011 e 2012 delas, ante 12,52% deles. Esta pesquisa está no endereço: ftp://ftp.ibge.gov.br/Indicadores_Sociais/Sintese_de_Indicadores_Sociais_2013/SIS_2013.pdf


Por que, então, as mulheres não chegam aos postos de comando? É o “teto de vidro”, expressão clássica da sociologia do trabalho: a mulher até “vê” o posto mais alto, o “teto”, mas não o alcança.

Este problema não é só brasileiro. No último mês de setembro, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu cotas ao Parlamento, exigindo mínimo de 30% de mulheres no conselho de administração das empresas. França, Espanha e toda a Europa do Norte já praticam esta cota.

O assunto interessa em vários sentidos, inclusive produtividade. Matéria do The Wall Street Journal (de Joann S. Lubin) divulgou pesquisa do grupo Catalyst: grandes empresas com três ou mais mulheres conselheiras alcançavam resultados financeiros bem melhores dos que as que não tinham nenhuma. Aliás, para avaliar diferença de produtividade entre gêneros basta ser professor de gente adulta. Na hora de estudar, de verdade, moças são bem mais atentas, responsáveis e produtivas do que os rapazes. Será muito diferente no ambiente de trabalho?