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O executivo que conhece os dois lados do balcão

Em 2005, o chileno Henry Manzano vendeu sua empresa de tecnologia para a indiana Tata Consultancy Services (TCS). Hoje, é CEO da Tata para a América Latina

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06 Janeiro 2016 | 20h33

Henry Manzano. Foto: Divulgação / TCS

Henry Manzano. Foto: Divulgação / TCS

Por Cláudio Marques
Enquanto a maioria dos profissionais migra da vida corporativa para o negócio próprio, o chileno Henry Manzano, de 55 anos, fez o caminho inverso. Depois de se formar em publicidade e marketing pela Universidade de Santiago abriu, com a família, uma empresa na área de tecnologia. A companhia consolidou-se como uma das maiores do seu país em business process outsourcing (BPO). Em 2005, foi vendida para a gigante indiana Tata Consultancy Services (TCS), que levou Manzano para a companhia. Hoje, ele é CEO para a América Latina, sendo responsável pelas operações na região, onde a organização possui mais de 13.000 funcionários e unidades na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Uruguai. Casado, pai de cinco filhos e com o quarto neto a caminho, ele ressalta a importância da família para a vida do executivo. A seguir, trechos da conversa.
Empresa
Eu comecei a trabalhar no ano de 1980, 82. Criei minha própria companhia e trabalhei nela por 25 anos, sempre na área de tecnologia relacionada ao sistema financeiro. Eu era um provedor importante do sistema financeiro e, em 2005, vendi minha empresa para a TCS, a Tata, onde trabalho desde então. Desenvolvi uma carreira importante na companhia, estou muito contente de estar onde estou atualmente.
Venda e globalização
A globalização é um tema muito importante a respeito de como revolucionou a tecnologia em toda a indústria e me obrigou a optar por uma de duas alternativas: buscar um sócio ou vender a companhia para uma empresa global (o que aconteceu). Era a realidade que me tocava para poder aspirar a prover serviços globais e atender a meus clientes em diferentes partes da América Latina. Hoje, me sinto muito afortunado, porque definitivamente a Tata é a extensão, de alguma maneira, da empresa que eu formei há 35 anos. Mas eu sempre digo que (a venda da empresa) foi uma decisão tão difícil como quando se casa uma filha, porque fica-se feliz e triste ao mesmo tempo.
Na Tata
Apresentei um projeto latino-americano ao CEO da companhia na Índia, a respeito de como crescer na região e quais aspirações se poderia ter para a região ser importante no volume global de negócios da Tata. Apresentei o plano, o CEO global gostou, e é o que estamos desenvolvendo nos últimos anos.
Orgulho
Eu diria que uma situação que me marcou profundamente foi quando eu era provedor de um cliente, um banco muito importante, que comprou uma instituição financeira em outro país, e me pediu para eu ser o gerente de TI da instituição sem deixar de ter minha companhia. Houve, então, a oportunidade de estar em ambos os lados da mesa e entender realmente o que era trabalhar na indústria financeira, quais são os problemas que se tem no dia a dia. A situação me marcou positivamente, no sentido de que quando você quer vender uma solução, é importante entender o negócio do cliente.
Momento difícil
Eu acredito que o momento mais difícil na minha carreira foi quando o mundo começou a mudar e a deixar de ter uma visão mais local para ter uma visão muito mais global. As pessoas tiveram de aprender que a globalização era algo que não tinha volta e que uma empresa local, ou somente voltada a um país, tinha escassas possibilidades de sobreviver. Esse foi um período difícil, no qual eu tive de me transformar.
Trabalho árduo
Acho que as pessoas que tiveram uma boa educação, como é o meu caso, ao final o que se entende é que para chegar a ter a oportunidade de ser um CEO o importante é, sem dúvida, trabalhar muito, ser muito paciente e saber montar equipes. Então, a primeira regra é trabalhar muito. Uma segunda coisa é saber armar um bom time. Alguém pode conseguir muitas coisas quando tem uma equipe que lhe dá suporte, já que nunca se pode saber tudo. A chave está em reconhecer quais são as suas habilidades, buscar apoio nas equipes que está formando para ajudar a fortalecer suas habilidades. A regra número 3, mas não menos importante, é que sempre deve haver um equilíbrio entre trabalho e família. Com apoio familiar é possível estar tranquilo no trabalho e tranquilo em sua casa.
Estabilidade
Creio que a estabilidade emocional é muito importante quando alguém desenvolve uma atividade sempre sujeita a muita pressão, a ter muito estresse, a ter de mudar de ambiente, porque uma hora se está no Brasil outra, na Colômbia, e de repente está conversando com alguém da Índia. Ou seja, é preciso saber adaptar-se a essas diferentes situações e culturas. E, portanto, é muito importante ter essa paz espiritual.
Multicultura
Eu diria que outra coisa importante em minha carreira é o processo multicultural. É muito importante aprender que cada país tem sua história, sua cultura e, ao final, o segredo é a integração. Trabalho com gente da Índia, de todos os países latino-americanos, com gente que vem dos Estados Unidos, com distintas culturas, e temos integrado uma equipe muito boa. E isso tem sido um fator de êxito. E, como disse, com apoio familiar, o que permite estar tranquilo no trabalho e em casa.
Contração
Há uma contração geral na economia. Mas também é certo que empresas como a nossa, que provêm soluções que entregam mais eficiência ao nosso cliente, o que lhe permite ser mais produtivo, nos abre muitas oportunidades.

 

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