EDILAINE FELIX

09 Janeiro 2016 | 16h01

The world is still in the Big Bang moments of the digital age, so charged with energy that its guiding forces cannot be simply tracked.

Por Leonardo Trevisan, professor da PUC

Vale mais a pena, hoje, apostar a carreira na indústria ou nos serviços? É melhor produzir mercadoria ou atender a quem as consome? O emprego mais sólido está na fábrica ou no varejo?

Estas perguntas podem estar mal formuladas. Está bem avançada a mudança na relação entre fábrica e consumo. Nessa evolução, o que mais interessa é a chamada “internet das coisas”, as mercadorias equipadas com sensores ou microchips capazes de se comunicar entre si ou com pessoas.

O conceito envolve o refrigerante ou o sabonete com sensor que informa quando foi usado ou, quando escaneado, “conversa” com smartphones. Artigo da revista The Economist mostrou que estes produtos com “conexão” eletrônica, que hoje são 5 bilhões, em 2020 serão 21 bilhões.

Logística. O primeiro foco de mudança atingirá toda a cadeia de logística. As empresas acompanharão o deslocamento de seus produtos da porta da fábrica, na loja, até a casa do consumidor. Aqui, na relação com o consumidor, está a maior mudança, como ponderou a Economist. O varejo, com seus cartões de fidelidade juntou muita informação sobre seus consumidores. A indústria aprendeu o caminho.

O sensor de cada produto contará muita coisa a cada fabricante. Isso os ajudará a entender bem mais rápido o que o consumidor quer, reparar defeitos, produzir itens, de acordo com interesses do consumidor. O artigo da Economist está em: http://www.economist.com/news/business-and-finance/21678748-old-form-capitalism-based-built-obsolescence-giving-way-new-one-which

Nova lógica. Os produtos inteligentes devem revolucionar o setor industrial. Haverá uma lógica diferente nas contratações para “novos projetos” bem mais voltada às competências vinculadas às tecnologias da informação.
O conceito de “Indústria 4.0”, desenvolvido na Alemanha, é o passo seguinte da automação, quando a produção é integrada totalmente ao sistema de análise de dados.

Sem grandes alterações na configuração das máquinas. Não é a máquina apenas que evolui; é o uso “eletrônico” que se faz do que ela produz que mudará muita coisa. Inclusive no Brasil. Como mostrou matéria do Estado (de 22/11, pág B8), 70% das empresas do setor industrial brasileiro conhecem o conceito “Indústria 4.0” e sabem que precisam se preparar para esta mudança.

A “internet das coisas” não mudará só produção e consumo. Carreiras devem acompanhar essa evolução. Na fábrica, ou nos serviços. Tanto faz.