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Estagiários seniores, só uma ficção?

claudiomarques

30 janeiro 2016 | 16:00

Robert De Niro

Robert De Niro

Elisabete Adami Pereira dos Santos, professora da PUC

Depois de tanto falar dos jovens, geração Y e millennials, seus dilemas de carreira, seus desafios em opções sem fim, um filme me chamou a atenção para as pessoas que ultrapassaram a casa dos sessenta anos e estão aí dispostas a começar tudo de novo.

O filme, The Intern (tradução brasileira para o título: Um Senhor Estagiário), com o fantástico Robert de Niro, o estagiário, e Anne Hathaway, que já fez uma estagiária sofredora nas mãos de Meryl Streep, em O diabo veste Prada, é dirigido por uma mulher, Nancy Meyers, e, sinto muito rapazes, mas só uma mulher teria a sensibilidade para tratar do assunto, de forma tão leve mas profunda.

No filme, uma startup de e-commerce, que cresceu muito rapidamente, dirigida obviamente por jovens, resolve abrir vagas de estágio a pessoas com mais de sessenta anos. O objetivo, não muito claro, era o de trazer pessoas com mais vivência no mundo corporativo porque, na verdade, todos estavam meio perdidos e desorganizados. Fica evidente que não estavam preparados para fazer o recrutamento de gente que não fosse de sua faixa etária, e reproduziram, ou tentaram reproduzir, os mesmos processos de seleção que as empresas de tecnologia vêm utilizando. A pergunta: “Onde você pensa estar daqui a 30 anos?” é normal para alguém que tem 20 anos, mas totalmente inesperada para quem tem 70 anos.

Assistir ao filme foi uma opção de entretenimento e acabou trazendo muitas reflexões. Porque a linguagem cinematográfica, sabemos, como outras artes, é ficcional… mas, reproduzem comportamentos e costumes que acontecem na vida real. E quando não acontecem, acontecerão, pois visualizam tendências.

No cenário atual, em nosso País, e em outros, alguns mais, outros menos, a população de idosos está aumentando, e tendendo a aumentar mais em virtude de melhores condições de vida, saúde, etc. E pessoas que tiveram uma vida produtiva intensa, ocuparam cargos gerenciais, desenvolveram suas habilidades de forma plena, se aposentam aos 60/65 anos e suas competências, como ficam?

Sei de muita gente que considera a aposentadoria uma bênção, mas, também sei que para outras ela é cruel. O próprio sinônimo para o aposentado, utilizado oficialmente, é bastante inapropriado: inativo.
Se filmes podem criar tendência, que tal abrirmos vagas de estagiários para seniores?