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Em qualquer carreira,  adianta fazer mais do mesmo?

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Em qualquer carreira, adianta fazer mais do mesmo?

Até a "rainha" do avanço tecnológico, a Apple, que "lança novo produto a cada quatro semanas" não tem a mesma velocidade de mudança em suas estruturas de poder

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13 Fevereiro 2016 | 16h00

Workers prepare for the opening of an Apple store in Hangzhou, Zhejiang province, in this January 23, 2015 file photo. China has dropped some of the world's leading technology brands from its approved state purchase lists, while approving thousands more locally made products. Chief casualty is U.S. network equipment maker Cisco Systems Inc, which in 2012 counted 60 products on the Central Government Procurement Center's (CGPC) list, but by late 2014 had none, a Reuters analysis of official data shows. Smartphone and PC maker Apple Inc has also been dropped over the period. To match Exclusive CHINA-TECH/ REUTERS/Chance Chan/Files (CHINA - Tags: BUSINESS TELECOMS SCIENCE TECHNOLOGY LOGO POLITICS)

Aceitar novas tecnologias acelera avanços na carreira? Esta pergunta pode estar mal formulada. Para medir conquistas é preciso, antes, que a carreira exista. O relatório “Futuro dos Empregos”, divulgado em janeiro no Fórum Econômico Mundial em Davos, mostrou que em nove setores de atividades, em 15 países, a maioria das atuais funções não existia dez anos atrás. Pior: 65% dos alunos do ensino fundamental irão trabalhar com sistemas operacionais que ainda não existem.

Se esta é a realidade, com que velocidade estas mudanças atingirão os atuais empregos? Os mais beneficiados pela quarta revolução industrial serão as economias mais flexíveis às mudanças. Nenhuma novidade nisso. Novo é só a dura percepção: seja em que carreira for, adianta continuar a fazer mais do mesmo?

Convivência com tecnologia é o x da questão em toda projeção profissional. Matéria do The New York Times, assinada por Farhad Manjoo, discutiu como tecnologia marcou as polêmicas de 2015 e expôs a “nossa ignorância coletiva” para prever avanços da automação. A questão vai bem além do Uber e do Airbnb, mas o debate fica neles. Os esforços, em qualquer lugar, Nova York ou Paris, vão mais na direção de “limitar os efeitos” do que “levar em conta os leais seguidores” da tecnologia. Por quê?

Este é o ponto. A grande dificuldade em qualquer tarefa, rotineira, cognitiva ou criativa é perceber tecnologia como aliada, não como ameaça ou inimiga. O que mais interessa é saber por que tecnologia ameaça tanto. A The Economist botou o dedo nessa ferida mostrando que até a “rainha” do avanço tecnológico, a Apple, que “lança novo produto a cada quatro semanas” não tem a mesma velocidade de mudança em suas estruturas de poder. Postos de comando, até nessa empresa, são de “longa duração”, apesar da revolução tecnológica que pratica. Ou seja, até na “rainha”, avanço técnico e evolução nas carreiras podem ter velocidades bem diferentes. Esta matéria da Economist está em:
http://www.economist.com/news/briefing/21679448-pace-business-really-getting-quicker-creed-speed
Tecnologia mexe com poder nas organizações. Aí é que está a dificuldade de lidar com ela. Tanto faz, se no Vale do Silício ou na padaria da esquina. Davos só confirmou que será inevitável conviver com novas tecnologias. Com uma certeza: ficará para trás a empresa em que o poder impedir esta evolução.

Leonardo Trevisan, professor da PUC

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