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Neurociência desperta interesse das áreas de marketing e consumo

EDILAINE FELIX

28 fevereiro 2016 | 08:00

Aplicação da ciência nas práticas de mercado tem equipe multidisciplinar e possibilidade de crescimento profissional

 Sato é professor da UFABC

Sato é professor da UFABC

“Não tenho a menor dúvida de que a carreira em neurociências é um das grandes carreiras do futuro”, diz o professor na Universidade Federal do ABC João Ricardo Sato, de 34 anos. No setor privado, ele observa tendência crescente na procura por neurocientistas na área de pesquisa clínica, marketing, instrumentação biomédica e implementação de inteligência artificial.

“A neurociência do consumo utiliza ferramentas experimentais para tentar entender o que acontece no cérebro dos indivíduos quando expostos a determinados estímulos. A mesma ferramenta pode ser usada na educação, por exemplo, como um aluno na aula está processando uma informação para ajudar a preparar uma aula mais exploratória. A neurociência pode ajudar bastante em tudo o que envolve artes, educação e propaganda”, afirma.

Sato acredita que qualquer setor interessado em compreender de forma integrada os aspectos biológico, psicológico e social dos estados mentais pode recorrer à neurociência.

Na visão do professor, no entanto, não basta o indivíduo ser um especialista em um assunto para ser um bom profissional. “Ele tem de ser muito bom em pelo menos duas áreas e conseguir se comunicar com profissionais das mais diversas áreas”, afirma.

“O grande desafio da humanidade, em qualquer questão, seja energia, água, pobreza ou saúde, é que não dá para resolver as questões com apenas uma disciplina, a resposta deve ser interdisciplinar. Mas sem haver superficialidade, é preciso se especializar e interagir com outras áreas.”

Janaína é diretora da Nielsen Consumer Neuroscience

Janaína é diretora da Nielsen Consumer Neuroscience

Integração. A diretora de neurociência da Nielsen Consumer Neuroscience, Janaína Brizante, é formada em publicidade, com mestrado em psicologia e doutorado em fisiologia humana. Na empresa, ela é responsável por uma equipe multidisciplinar, com antropólogo, administrador, economista e um departamento comercial, que desenha os estudos responsáveis por medir estímulos em relação a produtos.

“Depois de fazer um intercâmbio nos Estados Unidos, comecei a me interessar por neurociência aplicada ao mercado”, conta. Aplicada ao marketing, a disciplina estuda a lógica do consumo, entende impulsos, motivações e desejos a partir de reações neurológicas. “Nossa equipe identifica a partir de uma peça (embalagem, marca, vídeo, frase) os estímulos e as percepções que devem ser transmitidos para o cliente.”

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De acordo com Janaína, o mercado vai requisitar cada vez mais este profissional. “E quem deseja atuar nessa área precisa ter competência analítica, compreensão do negócio, ter forte base conceitual em neurociência e em marketing. Acredito que terá maior procura para as áreas operacional e estratégica”, diz.

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