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Profissional do futuro será empreendedor

EDILAINE FELIX

28 fevereiro 2016 | 08:01

Para pesquisadores e recrutadores, carreiras promissoras também pedem trabalhadores inovadores e que entendam os ciclos do mercado

Dias é cientista de dados e cofundador da empresa Semantix

Dias é cientista de dados e cofundador da empresa Semantix

Na visão de estudiosos, falar de carreiras do futuro implica em também abordar as relações de trabalho. “O emprego do jeito que o entendemos hoje, com carteira assinada e jornada definida, vai acabar. O novo emprego será de capacidade intelectual e não mais de trabalhos repetitivos”, afirma o professor da ESPM e estudioso da cultura digital Gil Giardelli, sinalizando que o profissional será mais independente, trabalhando por projetos específicos, sem vínculos por tempo indeterminado com uma única empresa.

Nesse sentido, o professor da Faculdade de Economia da PUC-SP Leonardo Trevisan acredita que o trabalho vai se transformar em uma plataforma de negócios, o que exige adaptabilidade ao contexto econômico e ao mercado por parte deste profissional. Ele deverá se ajustar a ciclos rápidos e à inovação, além de entender como se comportar nesse cenário.
“A empresa não observará apenas o resultado de área, e sim o impacto que o profissional produzirá no negócio”, diz Trevisan.

Nesse ambiente, haverá espaço, por exemplo, para profissionais de cibersegurança e cientistas de dados, entre outros. Mas de acordo com Giardelli, as profissões que devem surgir nos próximos anos não serão apenas de exatas, humanas ou biológicas. “Antes, cada área era estanque, mas no futuro estarão todas do mesmo lado para formar um profissional completo para o século 21.”

Tecnologia. Essa mescla pode ser encontrada, por exemplo, no profissional que reúne habilidades de matemática, estatística, lógica de programação e comunicação escrita e visual. Trata-se do cientista de dados, função cada vez mais requisitada pelo mercado e exercida pelo também professor universitário Leonardo Oliveira Dias, de 34 anos.

Ele é cofundador da Semantix, empresa prestadora de consultoria, treinamento e suporte para tecnologia de big data, internet das coisas, análise de dados, além de serviços técnicos para implantação de cluster (computadores interligados).
“O cientista de dados prevê fraudes e prejuízos, coleta informações meteorológicas, identifica padrões, interpreta dados e os torna compreensível para o público geral e para as empresas”, afirma Dias.

Blaconi é modern marketing da 5Era

“O cientista de dados não é só um estatístico, ele é um profissional que precisa interpretar e transmitir os resultados com clareza”, reforça o cofundador da Semantix, cuja formação também mesclou tecnologia e jornalismo, tendo iniciado sua carreira em startups..

Tripé. “Quando você pensa em tecnologia, o tripé mobilidade, cloud e analytics está transformando o mundo”, diz o gerente sênior da divisão de tecnologia da Robert Half, Fábio Saad.
Segundo ele, a característica empreendedora tem muita importância nesse novo cenário. “Antes, pensávamos que no futuro um robô tiraria a vaga do ser humano, hoje há inovação tirando emprego de um setor inteiro. E quem perde emprego está cada vez mais interessado em empreender, e empreender no mundo digital.”

Para Saad, o profissional de TI deverá cada vez mais ser formado para ter características empreendedoras e para ser um agente transformador.

Outra atividade que tem despertado o interesse dos mercados é o modern marketing, na qual o seu profissional se utiliza de ferramentas tecnológicas para engajar, conquistar e criar relacionamento com o consumidor de produtos ou serviços.

Perfil. João Pedro Salles Blaconi, de 30 anos, atua na área de marketing digital há oito anos. Formado em publicidade e propaganda com pós-graduação em inteligência de mercado na ESPM e em inovação radical no conceituado Massachusetts Institute of Technology (MTI), nos Estados Unidos, ele esclarece que o modern marketing tem a função de passar para o cliente uma experiência consistente e pessoal de consumo.

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“As empresas querem saber como atingir um consumidor específico e utilizamos a tecnologia para classificar e oferecer ao cliente produtos apropriados ao seu perfil. Nós definimos como e de que maneira vamos causar impacto nas pessoas”, conta.

Para trabalhar nessa função, o profissional precisa ter vontade de aprender e de superar as expectativas. “Trabalhamos para clientes que esperam ter resultados tangíveis, reais. Agilidade e assertividade são extremamente importantes para o cargo”, diz Blaconi.