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Carreira pública  deve ir além da  estabilidade e salário

Carreira pública deve ir além da estabilidade e salário

Segundo coach, é preciso conhecer a função para evitar assumir o cargo e descobrir que não gosta daquilo; ‘vai ganhar bem, mas não vai aproveitar’

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EDILAINE FELIX

27 Março 2016 | 08h11

Empregos Josane Pacheco - advogada e estuda para passar no concurso de Magistratura

Josane Pacheco é advogada e estuda para passar no concurso de magistratura

Para este ano, cerca de 94 mil vagas serão oferecidas em concursos públicos em todo o País para os níveis federal, estadual e municipal, incluindo editais já publicados, autorizados e previstos que aguardam liberação dos órgãos competentes.

Com aumento na taxa de desemprego – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 8,2% em fevereiro, o maior patamar para o mês desde 2009 – muitas pessoas buscam a carreira pública.

Segundo o professor e coordenador dos cursos para concursos públicos da LFG, Nestor Távora, a estabilidade ainda é avaliada como um diferencial que não está presente na iniciativa privada. “Além disso a média salarial da iniciativa privada está aquém da pública, mesmo para cargos com exigência de nível médio, o valor da remuneração pode ser de até R$ 6 mil”

Távora destaca também que quando o País entra em crise, o brasileiro tende a investir em educação para não ser atingido. Segundo ele, hoje mais de 10 milhões de pessoas buscam uma vaga na carreira pública.

Embora muitas pessoas busquem na carreira pública uma opção de momento, ele enfatiza que a dedicação deve ser grande. “Não se estuda para passar, se estuda até passar”, diz. E “até passar” ele recomenda a ter objetivos traçados e muita disciplina. “Não há estudante de final de semana para concurso, deve ter rotina e foco”, alerta.

Opção. Para a coach especializada em concurso e editora do site SOS Concurseiro, Letícia Nobre, antes de começar a estudar é preciso entender o porquê da escolha. “O concurso não pode ser mais um, é necessário investir, saber o que quer, o que é o trabalho, não basta pensar em remuneração e estabilidade financeira”, recomenda.

Letícia lembra que, assim como aconteceu com a Josane, o desconhecimento da carreira pública, leva o candidato a estudar, passar, assumir o cargo e descobrir que não gosta do trabalho, “vai ganhar bem, mas não vai aproveitar”.

De acordo com a coach, o interesse em uma carreira pública deve ter planejamento. “Saiba gerenciar o tempo e equilibre as atividades. Para diminui o nível de estresse, faça atividade física e tenho períodos de lazer”, diz.

A advogada Josane Pacheco, de 31 anos, estuda desde agosto do ano passado para no concurso público de juiz no Tribunal Regional do Trabalho. A rotina de estudar para provas já é familiar para ela, que já prestou, foi aprovada e assumiu o cargo de escriturária no Banco do Brasil em 2015.

Persistência. “A estabilidade me atraiu para a carreira pública. Comecei a estudar para concurso ainda na faculdade, meu foco era a carreira bancária. Passei no BB, trabalhei por quatro meses em Santa Catarina e descobri que não queria. Voltei para o Rio Grande do Sul e retomei os estudos, agora para a magistratura do trabalho.”

Letícia Nobre. Coach especializada em concursos públicos e editora do site SOS Concurseiro

Letícia Nobre. Coach especializada em concursos públicos e editora do site SOS Concurseiro

Enquanto ela estudava para a carreira bancária, trabalhava em um escritório de advocacia e fazia cursinho à noite, hoje ela estuda sozinha. “Foco em doutrina e jurisprudência de segunda à sexta-feira e aos finais de semana resolvo exercícios.”
No próximo mês ela fará provas para o cargo de juíza do Tribunal Regional de Trabalho (TRT3) de Minas Gerais e de São Paulo (TRT2). “Vale a pena estudar e buscar o sonho da carreira pública”, diz.

Procura por cursos preparatórios sobe 30% neste ano

Segundo o professor e coordenador da LFG, Nestor Távora, é crescente o interesse nos concursos públicos para áreas jurídicas. “Alunos de direito, por exemplo, querem ser juízes, promotores, auditores fiscais, atuar na defensoria pública. Este é o objetivo de carreira.”

Para o vice-presidente da Damásio Educacional e presidente da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), Marco Antonio Araújo Júnior, assim como em qualquer processo de busca por uma carreira, em cargos públicos, o ídolo, o ícone também está presente. “Percebemos que desde o ano passado cresce a procura por carreiras federais, como por exemplo, procurador federal e magistratura federal, certamente vinculados ao atual momento do País.”

Segundo Araújo Júnior, a Damásio Educacional registrou um aumentou de 30% na procura por cursos preparatórios. Dados da Anpac mostram alta de 22%. “O concurso público é a forma mais democrática de acesso ao mercado, demanda esforço do candidato e depende apenas dele, não precisa de indicação, de ter amizade com o chefe, nem de experiência anterior.”

O vice-presidente diz ainda que não tem fórmula mágica para passar, mas que alguns elementos influenciam o caminho: planejamento estratégico, que começa pela análise do edital; conhecer as regras e saber o conteúdo a ser estudado.
Para auxiliar a memória e a concentração, Araújo Júnior recomenda estipular tempo para o estudo e também para se dedicar ao lazer, a família e a prática de exercícios físicos.

Ele também aconselha a sempre rever o conteúdo – que devem ser atualizados e de fontes seguras –, e a partir do edital estudar os temas pedidos e aplicar os conteúdos realizando exercícios de provas anteriores. “Disciplina, foco e determinação são importantes.”

Como representante da Anpac, que defende maior eficiência, transparência e ética nos processos de pré e pós concursos, Araújo Júnior diz que eles lutam para que seja aprovado o estatuto do concurso público, regulamentando as práticas dos processos seletivos, tanto para quem presta, quanto para quem organiza. “Lutamos para que não sejam abertos concursos apenas com vagas de cadastro de reserva, que da data da publicação do edital até a prova tenham 90 dias para preparação e que os concursos nacionais sejam descentralizados.”

Tentativa. A advogada Juliana Aibara, de 39 anos, desde 2014 estuda para concursos na área jurídica. “Já fiz uma prova para procuradoria do Ministério Público e não passei, agora quero a carreira de juiz federal”, diz.
Juliana conta que antes de saber o que queria, tentou diversos concursos. “Eu ia mal nas provas, porque faltava foco. Eu precisava saber o que eu queria, comecei um processo de coach, direcionei os objetivos e aprendi a estudar sozinha.”

Segundo ela, quando começou a estudar para o cargo de juiz foi que percebeu que queria aquela carreira. Hoje ela estuda seis horas por dia com direcionamento para a magistratura federal. “É cansativo, incerto, a concorrência é alta, mas entendi que vale a pena e que quero essa carreira para minha vida.”

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