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‘O tempo todo é preciso mudar o pensamento, o processo de decisão’

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‘O tempo todo é preciso mudar o pensamento, o processo de decisão’

Presidente da empresa Manpower, responsável por contratar 5.000 pessoas para os Jogos Olímpicos, vive seu maior desafio ao comandar esse processo

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29 Março 2016 | 05h32

 Nilson Pereira, presidente da Manpower. Foto:  Nilton Fukuda/Estadão

Nilson Pereira, presidente da Manpower. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Por Cláudio Marques
Aos 45 anos de idade, Nilson Pereira vive um momento profissional que “causa um frio na barriga”, como ele diz. Desde janeiro à frente da empresa de recrutamento Manpower no Brasil, tornou-se o principal responsável pelo trabalho de recrutar e selecionar 5.000 pessoas que vão trabalhar nos Jogos Olímpicos. “É o grande desafio da minha carreira”, reconhece. Formado em ciências contábeis pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo com MBA em Controladoria, Pereira tem 22 anos vida corporativa, tento passado anteriormente pela Liberty Seguros e Itaú Seguros, que considera sua grande escola profissional. Como líder da Manpower neste momento especial pré-olímpico diz que “o tempo todo é preciso mudar o pensamento, o processo de decisões, e lidar com situações muito difíceis”. De acordo com ele, a empresa fornece serviços que vão desde o recrutamento e seleção básico, passamos por serviços temporários, terceirização, recrutamento e seleção de executivos, outplacement e treinamento. A seguir, trechos da conversa.

Escuta
No nosso segmento de recursos humanos não há um produto feito, que enquadre a necessidade do cliente. Você tem de escutar, ouvir as dores do cliente, depois você vai se voltar internamente e tentar encontrar a solução que melhor se adequa ao cliente. Então, o desafio é escutar muito seu cliente, fazer essas negociações internas, de buscar essas soluções internas com o meu time.

Ambiente criativo
Eu falo que eu gasto mais garganta, é uma expressão, mas é verdade, porque é muito diálogo. Quando eu falo de muita conversa, muito diálogo, não é só no sentido formal de muitas reuniões, mas também no sentido de dar condições para se criar um ambiente mais criativo, um ambiente mais participativo, democrático, para que as pessoas se sintam à vontade para trazer as suas opiniões. Temos de ser criativos, porque o tempo todo precisamos estar nos reciclando, entendendo a linguagem do cliente.

Olimpíada
Estamos diretamente ligados à realização dos Jogos Olímpicos fazendo o recrutamento e a seleção de 5 mil pessoas, mais ou menos. São as pessoas que vão trabalhar para o comitê organizador, são pessoas que vão gerenciar os voluntários. Isso já faz com que passemos um ano de crise de forma diferenciada. Sendo fornecedor oficial do comitê, ainda temos a oportunidade de também trabalhar e oferecer soluções de recursos humanos para outros fornecedores. Então, isso está gerando uma demanda extraordinária, atípica, e a Manpower está conseguindo, num ano difícil, se valer de um evento esportivo sendo realizado no Brasil. Isso nos ajuda muito.

“O” desafio
Eu me tornei CEO em janeiro, mas estou há dez anos na Manpower. Essa parceria com o Comitê Olímpico se iniciou há dois anos e eu fazia parte desse processo desde o início. Desde a preparação do desenvolvimento da seleção, do formato de entrega, da preparação para a realização, da efetivação desses contatos. Mas uma coisa é estar envolvido e outra é ser o responsável. Como responsável, sem dúvida, é o grande desafio da minha carreira, é sem dúvida algo que causa frio na barriga, mas estamos caminhando bem, sabemos que vamos ter sucesso na realização, mas sem dúvida é um grande desafio.

Aprendizado
O evento olímpico é um evento importante, tem uma data para acontecer e naquela data tem de estar pronto. Por outro lado, há também como se fosse uma ‘outra companhia’ que depois do evento olímpico vai continuar. A crise vai passar, a Olimpíada vai passar, então temos de manter a continuidade do negócio. O tempo todo é preciso mudar o pensamento, o processo de decisões, e lidar com situações muito difíceis. Uma hora você está falando da Manpower do dia a dia, outra hora está falando dos jogos olímpicos, um evento importante, um contrato grande. Então, é preciso ter flexibilidade, agilidade. O próprio evento olímpico é um evento dinâmico. Quando estou no Rio, quando estou vivendo o evento olímpico, isso gera uma adrenalina fenomenal. Então, como lidar com essa adrenalina, já que ao longo do dia você oscila em situações muito distintas. Isso tudo tem sido um aprendizado pessoal, é um outro desenvolvimento que você tem. Nunca houve uma Olimpíada no Brasil, é a primeira vez que a Manpower tem esse tipo de contrato, então você aprende todos os dias. Erra, acerta, erra, acerta e você olha para trás e vê o quanto já construiu e aí olha para a frente e vê que ainda há muito para construir.

A seleção
O processo de seleção tem suas diferenciações porque o próprio evento olímpico é diferenciado. Começa pelo próprio perfil do candidato. O que se busca são pessoas que não necessariamente tenham experiência profissional, mas que tenham dinamismo, que gostem de desafio, porque o ambiente dos jogos olímpicos é desafiador, dinâmico. É um trabalho temporário, para um período de contratação muito curto, é diferente. Nosso formato de seleção foi desenvolvido para atrair um perfil focado nos jogos olímpicos. Então, buscamos pessoas nos perfis soft, como falamos, não necessariamente com conhecimento técnico, mas com características de atitude, pessoa dinâmica. Esse é o diferencial.

Questionador
Eu sempre fui uma pessoa questionadora, sempre gostei de quebrar paradigmas. Acho que isso é um diferencial, mas ao mesmo tempo eu sempre soube respeitar a cultura da empresa. Uma coisa é você querer quebrar paradigmas, outra coisa é não respeitar a cultura da empresa. Respeitar os valores da empresa e poder ser criativo, poder colocar suas ideias, não ter medo de errar, acho que é algo que também me ajudou bastante. Poder se arriscar, poder ser participativo, acho que isso são algumas das características que realmente me ajudaram dentro das empresas, e contribuíram para o meu crescimento. Ser curioso, o tempo todo. Tem uma palavra que hoje se fala muito, que talvez isso falte para os jovens, que é resiliência. Tem de ter muita resiliência.

O que o mercado busca
Eu percebo que nossos clientes, quando abrem as vagas conosco, buscam pessoas que, primeiro, realmente têm atitude. Segundo, têm flexibilidade. O ambiente econômico, os ciclos dos negócios hoje são muito mais curtos, todos os dias se desenvolvem novas tecnologias e, ao mesmo tempo, outras deixam de ser usadas. Então, é preciso ser dinâmico, ágil, trabalhar em time – as pessoas têm de entender que não se faz nada sozinho. Então, é isso que se busca nos colaboradores.

 

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