CEO por um dia: ‘Vi a realidade de uma grande empresa’
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CEO por um dia: ‘Vi a realidade de uma grande empresa’

Estudante de engenharia conta como ser ‘sombra’ de um dirigente o afetou; outros universitários também compartilham suas experiências

Redação

28 Novembro 2016 | 07h26

Frederico Pedreira, CEO da Avianca com o estudante Lucas Tejada

Frederico Pedreira, CEO da Avianca com o estudante Lucas Tejada

 Cláudio Marques
Um dos 16 selecionados pelo programa CEO por um Dia, o estudante de engenharia de produção Lucas Almeida Tejada acompanhou o trabalho do presidente da Avianca Brasil, Frederico Pedreira, no que ele considerou como “uma experiência incrível”. O CEO por um dia é realizado pela consultoria Odgers Berndtson com apoio da PDA International, Estado e Machado Meyer Advogados.
“Foi muito enriquecedor, vi como funciona a realidade de uma empresa grande. Pude ver a ação, o dia a dia de um CEO, como ele faz para tocar tudo, para ter acesso às informações e tomar decisões, como ele envolve a equipe, como motiva as pessoas, como todos juntos conseguem tomar decisões de forma ágil”, diz Tejada.
A partir do seu dia na Avianca, ele conta que percebeu ser necessário desenvolver algumas características e práticas. “Principalmente como administrar o tempo e como isso é realmente importante para conseguir resultados. Isso ficou muito claro para mim depois do dia que eu passei lá.”
O presidente da Avianca também gostou da experiência e pretende repeti-la no próximo ano. “Para mim, foi interessante para entender como pensa a nova geração e o que espera do mercado de trabalho”, conta. “Entender ao que essa geração dá valor e o que ela precisa para ter sucesso no mercado de trabalho, na vida profissional.”
O executivo considera que a geração que está chegando ao mercado de trabalho agora pensa um pouco diferente e que não apenas eles precisam se adaptar às empresas, mas também as organizações precisam se adaptar às expectativas dos jovens, para que elas futuramente consigam continuar a oferecer um bom serviço ou produto.
Pedreira argumenta que o principal ativo de uma empresa prestadora de serviços, como a Avianca, são pessoas. “Se nós não conseguirmos nos preparar para receber essa nova geração que está chegando ao mercado de trabalho, nós estamos condenados.”
Outro dos selecionados, o estudante de engenharia de alimentos Leonardo Lee viu uma nova possibilidade de carreira depois de ser o “sombra” do presidente da Man/Volkswagen Caminhões, Roberto Cortes.


O presidente da Man/Volkswagen Caminhões, Roberto Cortes e o estudante Leonardo Lee

O presidente da Man/Volkswagen Caminhões, Roberto Cortes e o estudante Leonardo Lee

Segundo Lee, na Unicamp, o seu curso está sintonizado com a carreira acadêmica. Agora, ele viu que o mundo corporativo também pode ser uma opção em seu trajeto profissional. “Mudou totalmente minha concepção do mundo executivo.”
Para ele, a alteração foi positiva. “Pude ver que o CEO é uma pessoa que unifica todas as áreas. Numa reunião de diretoria, pude ver que o senhor Cortes ouvia todos e só então tomava uma decisão, mas em conjunto com a equipe”, comenta.
“Aprendi ótimas características de um grande líder. Ele é um excelente ouvinte e conhece todos pelo nome. Tem ao mesmo tempo uma visão crítica e construtiva de todos os assuntos. É muito bem informado, não só a respeito da empresa, mas sabe o que está acontecendo no mundo e no Brasil. Está sempre antenado. É pragmático, eficaz, carismático, respeitoso, paciente.”
De acordo com Lee, ele recebeu muitos conselhos. “Ele me mostrou os pontos positivos e negativos da carreira para eu tomar uma decisão.” O executivo, de seu lado, diz que se surpreendeu com as habilidades de Lee. E acrescenta: “Para mim, a experiência foi ótima”.
Anteriormente, o dirigente já havia manifestado o desejo de que o jovem pudesse aproveitar um pouco de sua experiência e demonstrou contentamento ao saber que o universitário agora também considera a possibilidade de enveredar pelo mundo corporativo.
Aline Neves de Azevedo, prestes a se graduar em engenharia química, acompanhou o dia do presidente da Bridgestone, Fabio Fossen. E não esconde o contentamento com essa vivência. “Foi um dos melhores dias da minha vida. Foi muito produtivo”, afirma.

Fabio Fossen, presidente da Bridgestone com a estudante Aline Neves de Azevedo

Fabio Fossen, presidente da Bridgestone com a estudante Aline Neves de Azevedo

Ela conta que o executivo foi didático e esteve aberto às questões que fazia. “Ver que ele chegou longe me deu uma vontade muito grande de também chegar e vi que isso é possível.”
A jovem diz que já tinha planos para seguir carreira em gestão. “Ele (Fossen) me contou que foi para a Bridgestone porque viu que podia fazer a diferença. E eu pensei: vou usar isso, fazer a diferença, para a minha vida pessoal e profissional.” Mas reconhece que o cargo é extremamente desafiador.
Fossen diz que o dia envolveu a discussão do orçamento do próximo ano, e que Aline também acompanhou discussões comerciais e uma reunião mensal a respeito de metas e discussões de projetos. “Ela teve uma visão ampla da organização, com todos desafios e conquistas que estamos tendo no ano.”
De acordo com o executivo, a companhia está passando por mudança e que está sendo aberto o primeiro programa de trainee que, ele acredita, vá ajudar no processo de transformar a cultura e a forma de trabalho da companhia. “E a Aline é o típico profissional que estamos buscando, que tem brilho nos olhos, garra, vontade de fazer diferente.”
O estudante de engenharia naval Caio Swan de Freitas diz que o seu dia com o presidente da Volvo, Luis Rezende, foi “sensacional”. Logo no começo do dia o jovem acompanhou Rezende e sua equipe na avaliação das estatísticas de vendas que recebem diariamente, conheceu todos os diretores, participou de reunião durante o almoço e ainda foi junto com o executivo conhecer uma concessionária da Volvo. “E no meio disso tudo ele ia me dando várias dicas.”

Luis Resende (à esq.), presidente da Volvo Cars e do estudante Caio Swan de Freitas

Luis Resende (à esq.), presidente da Volvo Cars e do estudante Caio Swan de Freitas

Freitas diz que já trabalhou com gestão na empresa júnior da universidade e que agora trabalha em um laboratório, onde seu conhecimento técnico é mais exigido. E se considera dividido entre qual dos ramos vai optar em termos profissionais. “Esse programa foi muito bom para eu ver como se desenvolve mais esse lado da carreira executiva.” Mas ele admite que ainda está na dúvida.
De sua parte, Luis Rezende afirma: “Eu gostei muito. Pudemos conversar muito sobre a vida dele, as ambições dele”. Segundo o dirigente, foi possível abordar muitos aspectos do seu trabalho. “Com relação a carreira, eu disse para ele só existe um caminho, o caminho certo. Não tem de fazer atalhos, porque uma hora não vai funcionar. Só tem um caminho.”

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