Quando a intromissão de um futuro empregador pode ser enervante
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Quando a intromissão de um futuro empregador pode ser enervante

Redação

19 Abril 2017 | 06h52

Ilustração: Gracia Lam/The New York Times

Ilustração: Gracia Lam/The New York Times

Rob Walker /The New York Times

Fiz uma entrevista de olho num emprego fantástico. Mas meu futuro patrão pediu para eu assinar uma declaração nestes termos: “Autorizo expressamente meu ex-empregador a fornecer informações e opiniões sobre meu trabalho e meus hábitos no emprego”. Ou seja, devo dar a ele permissão para fornecer “um histórico de salários”, isentando-o, e também outras pessoas envolvidas no processo, que qualquer responsabilidade, reivindicação ou pedido de indenização por qualquer razão derivada do fornecimento de alguma informação que possa influir na decisão de um novo empregador”. Concordo que sejam oferecidas referências com minha permissão. Mas não acho certo permitir que se verifique qualquer coisa mais que não sejam datas de entrada e saída do emprego em empresas anteriores onde trabalhei. Não assinei a declaração, mas suponho que não serei contratado por essa razão. Neste tipo de situação, quais são meus direitos?

Antes de abordar essa declaração específica, vale a pena corrigir o que pode ser uma suposição falsa da sua parte. Quando você faz uma entrevista de emprego, certamente você pode e deve tentar remeter o empregador potencial para as referências específicas que forneceu. E com frequência ele costuma se ater a elas.


Entretanto, ele não precisa da sua permissão para conversar com empregadores passados que, na sua opinião, devem conhecer bem o seu trabalho. “Ele pode contatar qualquer outra pessoa”, diz Donna M. Ballman, especialista em legislação trabalhista em Fort Lauderdale, Flórida e autora do livro Stand Up for Yourself Without Getting Fired. “Muitas empresas fazem questão de contatar outras pessoas, especificamente para ter uma perspectiva diferente a respeito de um candidato.”

Assim, você pode sugerir ao empregador potencial que converse com sua chefe direta, mas ele também pode se comunicar com o chefe do departamento. Em algumas cidades e Estados há certas restrições legais quanto às indagações que podem ser feitas sobre um candidato, particularmente em termos do histórico salarial. Mas além disto, se o chefe do departamento será receptivo vai depender menos do seu desejo e mais das políticas adotadas pela companhia neste tipo de situação.

Segundo a advogada, no entanto, é cada vez mais comum as empresas pedirem aos candidatos a uma vaga para assinarem declarações dando permissão para elas realizarem uma pesquisa que vai além das referências fornecidas. E uma das razões é que o empregador costuma encarregar uma terceira pessoa de fazer essa checagem de antecedentes e precisa então da sua permissão por escrito.

Catherine Fisk, professora de Direito na Universidade da Califórnia em Irvine, cita uma outra razão possível: faz parte da política de muitas companhias não divulgar nada a respeito de ex-empregados além de datas de entrada e saída do emprego e alguns dados básicos. Isto em parte para evitar uma possível queixa crime de difamação movida pelo ex-funcionário. Embora processos deste tipo dificilmente sejam vencidos pelo trabalhador, muitas empresas não dão informações para evitar um futuro litígio.

Assim, diz a professora Fisk, o futuro empregador tenta contornar a situação, mostrando que o candidato à vaga deu permissão explícita para se pesquisar mais detalhes a seu respeito. Naturalmente nem a professora Fisk e nem Ballman fizeram uma avaliação legal específica deste documento particular.

Você pode consultar um advogado que conheça bem as leis municipais e estaduais. Na falta disto, pode pedir ao empregador para explicar do que o documento trata, e se não se sentir tranquilo a respeito, não assine. O empregador pode ver sua recusa com maus olhos. Mas se você realmente desconfiar dos motivos expostos, talvez esta seja uma empresa para a qual não deva trabalhar.

Talvez o ponto mais importante seja alertar o candidato a um emprego que “o empregador em perspectiva planeja contatar as empresas para as quais ele trabalhou no passado e indagar tudo”, disse a professora Fisk. “Portanto é melhor não mentir sobre o salário que recebia ou que tipo de função ocupava e quais eram suas responsabilidades.”

Desnecessário dizer que é sempre aconselhável o candidato se limitar aos fatos quando se referir ao seu emprego anterior, independente de pedirem ou não para assinar uma declaração como essa.

 

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