‘O trabalho  é a chance  para eu me  aprimorar’
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‘O trabalho é a chance para eu me aprimorar’

Gabriel Lobitsky diz que marmoraria da família, onde trabalhou na adolescência, foi sua escola

Redação

29 Maio 2017 | 07h19

Gabriel Lobitsky. Foto: Mônica Andrade/Infor

Plínio Aguiar/ ESPECIAL PARA O ESTADO
De ajudante na marmoraria da família à gerente sênior de vendas e responsável por grandes clientes na Oracle (multinacional de tecnologia e informática), Gabriel Lobitsky, de 37 anos, agora comanda as operações da Infor para o Brasil, Argentina e Chile desde setembro do ano passado. Nascido em São Paulo, Lobitsky sempre admirou a capacidade de comunicação presente em seu pai e procurou ter essa habilidade que, segundo ele, é fundamental para ocupar o cargo atual. “A empresa da minha família foi a melhor escola que eu tive, porque tudo o que faço eu aprendi lá”, afirma. À frente das operações da Infor, tem sob seu guarda-chuva mais de 200 colaboradores nos três países da América do Sul – mundialmente, são cerca de 15 mil. Os negócios globais da companhia somam US$ 2,8 bilhões. Os resultados nos territórios brasileiro, argentino e chileno não são divulgados. A seguir, trechos da conversa.
Inspiração
Há duas pessoas nas quais eu sempre me inspirei e que causaram influências diferentes em minha carreira. Do ponto de vista de execução, é meu pai. Ele era um autêntico vendedor prático. Do ponto de vista teórico, é o autor do livro Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, Stephen R. Covey. Então eu uni a garra e o desejo com o método – tirando o melhor dos dois mundos para ter um resultado legal.

Obstáculos.
Eu tinha cerca de 15 anos quando trabalhei na marmoraria da minha família (hoje extinta). Pegava ônibus para ir para a zona leste, por exemplo, vender mármore e percebia vários clientes mais velhos e mais experientes tendo um estranhamento comigo, por eu ser muito novo. Eu tentei tirar o lado bom dessa história. Sabia que eu tinha bagagem para apresentar meu trabalho. Eu acredito que esse estranhamento e, às vezes, desconforto para com os trabalhadores mais novos é algo cultural. Nós olhamos para a juventude americana como Mark Zuckerberg (fundador do Facebook) e Bill Gates (fundador da Microsoft) que conquistaram espaço no mercado. Aqui no Brasil é diferente, o jovem precisa provar que é bom dez vezes mais que o normal.

Características
O primeiro passo para um gestor ter sucesso é gostar de pessoas. Ele precisa entender que cada um tem suas particularidades e é necessário ter pessoas complementares a você. O líder necessita ter diferentes visões das dele para solucionar um problema.

Ouvidos e motivação
Outro passo é saber ouvir. É preciso escutar todas as solicitações, as queixas e afins para ter noção do que está acontecendo e como solucionar. Para ter sucesso, é indispensável motivar as pessoas de acordo com a lógica que cada uma precisa para que ambos possam dar o seu melhor e, consequentemente, a empresa caminhe para a vitória.

Liderança
Eu costumo falar que exerço uma liderança participativa. Sempre que qualquer pessoa tem algum problema, a solução está dentro da própria pessoa – às vezes ela não sabe. Eu acredito que as empresas que oferecem serviços precisam fazer com que as pessoas sejam ouvidas, mesmo que o gestor não concorde com a maneira que elas estão colocando, é preciso, genuinamente, saber ouvi-las. Eu realmente gosto de me envolver.

Cenário.
Alguns analistas estrangeiros comentam sobre uma possível retomada do mercado brasileiro. No entanto, mesmo que demoremos a sair do atual cenário de crise, é preciso fazer com que o empresariado pense fora da caixa. A indústria brasileira passou os últimos dois anos em crise reduzindo custos e funcionários, só que as empresas de serviços precisam se posicionar como players para ajudar esse empresário a reduzir os custos de maneira inteligente. Sempre existe oportunidade em crise. O empresário tem que dar um passo para trás e olhar a situação de outro ângulo, sem se deixar poluir por ela. Acredito que dá para sair mais forte da crise do que entramos.

Contentamento
Eu amo o que eu faço – essa é outra dica (risos). É preciso amar o que se faz para ter sucesso. Sempre gostei de lidar com pessoas, de ouvir e ajudá-las. Isso é o que me motiva. Eu não trocaria a minha profissão de jeito nenhum.

Objeção
Eu não tenho nenhuma queixa da minha carreira. Aliás, sou daquelas pessoas que se topam fazer algo, vai até o fim. Eu assumi a liderança no ano passado e continuo assumindo as vendas. Eu não me queixo. Aliás, tenho amigos que se queixam, porque olham o trabalho como um fardo e, aí, óbvio que fica ruim em algum momento. Mas eu olho o meu trabalho e os desafios e as metas da empresa como uma oportunidade de me aprimorar, de aprender e fazer a diferença.

Perspectivas
Como temos uma estratégia de ajudar o empresariado a sair da crise mais fortalecido e a maneira de fazer isso é trabalhar com ele diretamente, os últimos trimestres foram positivos para a Infor, não só em geração de receita, mas em demanda também. Nós buscamos sempre olhar para a crise e achar a oportunidade que está dentro dela, em como tirar proveito daquela situação. A Infor olha para o copo cheio, e não vazio, a fim de garantir o sucesso do nosso cliente.

Aquisição
A empresa desenvolve software de negócios para indústrias específicas como setor logístico, gestão de ativos, varejo, entre outros. Nós temos mais de 90 mil clientes em mais de 170 países. Ofertamos soluções na nuvem de fácil acesso. No início deste novo ano fiscal (começou em maio), a empresa passou a atuar em business intelligence com a aquisição da Birst, para reforçar a estratégia de investir em machine learning e big data – tendências essas que mudarão o mercado em curto prazo.

Para jovens
O jovem precisa achar a centelha de amor pelo que faz para ver a sua empresa crescer. Uma pergunta que é essencial para fazer a si mesmo é: eu ainda gosto do que faço? Eu aceitaria esse trabalho daqui 15 anos? Eu teria prazer de trabalhar para mim? Se a resposta for sim, está no caminho certo. Se hesitar, é preciso repensar nas atividades e nos caminhos trilhados e a trilhar. É muito importante reconhecer e analisar a própria estrada da mudança.

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