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Tecnologia e a nova liderança estão em pauta no Conarh

Em sua 43ª edição, Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas vai abordar uso de big data no setor e o perfil atual de um líder

Redação

13 Agosto 2017 | 07h38

Sandra Gioffi. Foto: Milton Fukuda/Estadão

Márcia Rodrigues
ESPECIAL PARA O ESTADO
A tecnologia e o uso da inteligência artificial dentro das empresas já são uma realidade e podem mudar a forma de as pessoas e o setor de recursos humanos agirem no mundo corporativo. “Nós já estamos vivendo a transformação digital. Nós indivíduos – clientes e funcionários – temos um poder grande em nossas mãos. Ganhamos esse poder, principalmente, com a força e a mobilidade da internet e das redes sociais”, afirma Alexandre Dietrich, líder para América Latina da plataforma Watson da IBM.

Ele será um dos palestrantes do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (Conarh 2017). A 43ª edição do evento será realizada de terça a quinta-feira no São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 – Água Funda, São Paulo).

Dietrich falará sobre o uso de big data e analytcs no apoio ao processo de decisão e citará o sistema Watson, da IBM. Trata-se de uma tecnologia que, entre outras coisas, consegue compreender e responder à linguagem humana e interagir.


Segundo ele, o acesso à informação hoje é muito grande e é possível extrair dados que antigamente não se tinha acesso. “Praticamente tudo o que fazemos hoje, pode virar uma fonte de dados.”

Ferramenta. No setor de RH, o mercado acredita que o uso das ferramentas pode contribuir para a melhoria de índices de atração, retenção e qualificação. Desta maneira, pode-se obter redução de custos com processos seletivos e treinamentos.

Mas não só. Essa tecnologia também pode ser usada para coisas mais simples. “Se eu quero tirar dúvidas sobre o meu holerite, por exemplo, já é possível solicitar a informação para um assistente virtual, que atua na página de recursos humanos na intranet da companhia. Antes, eu precisaria ligar ou enviar um e-mail para alguém solicitando a informação”, diz o executivo da IBM.

Alexandre Dietrich. Foto: Bárbara Fuentes / Divulgação

Em relação ao medo de que a tecnologia vá acabar com empregos, Dietrich afirma que algumas profissões podem sim ser extintas. “Em contrapartida, novas profissões podem surgir. No entanto, há uma preocupação, principalmente na IBM, do uso da tecnologia para somar e não substituir”, comenta.

“É importante que a área de recursos humanos identifique as habilidades de seus colaboradores e saiba a importância da adequação e esteja aberta para as novas possibilidades que poderão surgir.”

O uso da tecnologia também será tema de outra conferência: “Transformação Digital – Novos imperativos na gestão de pessoa”, que terá a participação de Cristiane Olivier Heckler, superintendente de RH da Caixa Seguradora.

Kátia Nekandaris, sócia executiva da Leaders Lab, falará “Liderança Coletiva – Novas Competências para o Mundo Vuca”, sigla em inglês usada para descrever a volatilidade (volatility), incerteza (uncertainty), complexidade (complexity) e ambiguidade (ambiguity) das condições e situações gerais.

Para Kátia, esse quadro (Vuca) influencia o ambiente corporativo, principalmente por causa dos avanços tecnológicos, que tornam o mundo mais conectado, complexo e competitivo, e das mudanças que ele exige. Ao mesmo tempo, os aspectos globais também afetam o mundo corporativo, seja de forma direta ou indireta. Por isso, segundo ela, líderes estão mudando a sua forma de comandar a empresa.

Na sua opinião, na medida que o contexto de liderança fica mais complexo e exige maior colaboração da equipe, aquela liderança tradicional está ficando cada vez mais rara.

“Os líderes perceberam que para conseguir analisar a operação como um todo, as ações precisam ser discutidas dentro do coletivo, com os times e com grupos de trabalho”, afirma. Kátia pondera que não se está abandonando a capacidade do gestor de desenvolver as suas capacidades individuais. “O que estamos falando é que, hoje, isso já não é suficiente para fazer a liderança acontecer.”

A executiva defende que as soluções no ambiente corporativo não podem mais ser encontradas de forma isolada ou fragmentada. “Há a necessidade de repensar a forma de se comandar uma empresa. A liderança não pode mais ser centralizada. Ela precisa ser colaborativa e coletiva”, diz Kátia.

“Ninguém acorda pela manhã e fala que vai aumentar o nível de pobreza do mundo ou o desmatamento da Amazônia, por exemplo, mas nossas ações diárias resultam nas mudanças globais. E as empresas também enfrentam alterações constantes e aceleradas por conta disso. Por isso, a integração de empresas e profissionais deve se intensificar, inclusive, na forma de liderar a equipe.”

‘Temas vão do início da carreira até a aposentadoria’

A situação econômica e política do País e o seu impacto na vida de um profissional também serão temas do Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas 2017 (Conarh). “Elaboramos uma programação de palestras para fazer o público e os especialistas acompanharem todos os fatores que influenciam no ciclo de um profissional dentro da empresa”, afirma Sandra Gioffi, diretora do Conarh 2017.

“ Os temas abordarão desde o momento que ele entrou até a sua saída ou aposentadoria. Com isso será possível ter uma ideia do impacto que a economia e a política tiveram ao longo da sua carreira.”

Sandra conta que, neste ano, foram criadas grades de palestras, classificadas como trilhas de conhecimento, para que o participante escolha quais aspectos ele quer se aperfeiçoar. Ao todo, serão seis trilhas.

São elas: trilha da estratégia (que mostrará o cenário econômico, planejamento e governança corporativa e seus impactos para melhorar a organização e a gestão de recursos); trilha da cultura (gestão cultural e diversidade no ambiente corporativo); trilha da liderança e talento (abordará as principais características da liderança corporativa); trilha de gestão e serviços (o desenvolvimento e o papel da área de recursos humanos na gestão de pessoas), a trilha de mercado e tendências (inovações que mudaram o mercado e as pessoas) e trilha viabilizadores (que vai debater quais são as ferramentas que transformam os processos e as pessoas).

“O participante poderá escolher por seguir a programação de cada uma delas, conforme a sua necessidade de aprimoramento profissional.”

Entre os palestrantes, estarão: Adriana Ferreira, líder de diversidade & inclusão para a América Latina da IBM; Ana Karina Dias, sócia da McKinsey & Company no escritório de São Paulo; Cesar Bullara, professor de gestão de pessoas do Ise Business School; Christian Orglmeister, sócio do BCG – The Boston Consulting Group; Cristiane Olivier Heckler, superintendente de recursos humanos Latam da Caixa Seguradora; e Fábio Serrano, líder de design thinking da SAP Labs Latin America.

Também participarão: João Paulo Mancio, executivo de RH da Atento; João Paulo Pacífico, fundador e CEO do Grupo Gaia; José Luiz Marcusso, gerente executivo de RH da Petrobras; Karen Zoreck, gerente de projetos globais para América Latina da Bayer; Miriam Branco, diretora executiva de RH do Hospital Albert Einstein; Roberto Dumas Dama, professor de economia internacional e chinesa no Insper e na FIA; e Vanessa Lobato, vice-presidente de RH do Grupo Santander Brasil.

Outra atração do evento será a Sala Mentoria & Coaching, local para discussões profissionais, destinada exclusivamente a congressistas. Os debates serão conduzidos por coaches e terão vagas limitadas. As inscrições poderão ser feitas no site do evento, a partir de agosto. O conteúdo será dividido entre palestras magnas e simultâneas, todas ministradas por profissionais renomados do mercado brasileiro e internacional.

Paralelamente ao congresso, será promovida a Expo ABRH. Nesta edição, a novidade é apresentar o “mundo das startups”. “Todo mundo tem curiosidade para saber como funciona uma startup que, normalmente fica dentro de incubadoras. Por terem uma estrutura enxuta, muitos profissionais têm a curiosidade de saber mais sobre o seu funcionamento. Vamos apresentá-la para o público, principalmente ligado à área de recursos humanos”, afirma a diretora do evento.

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