Os anos 1990 foram a melhor época para a mulher que trabalha
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Os anos 1990 foram a melhor época para a mulher que trabalha

Redação

13 Setembro 2017 | 07h17

A atriz Candice Bergen, que nos anos 1990 interpretou a personagem-título da série Murphy Brown. Damon Winter/The New York Times-1/4/2015

Bryce Covert / The New York Times

A mulher trabalhadora estava por toda parte na cultura pop dos anos 1980 e 90. Candice Bergen era a garota batalhadora na série de TV Murphy Brown;  no cinema, Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton armavam contra o patrão em Como Eliminar seu Chefe; Melanie Griffith era Uma Secretária de Futuro;  e, Robin Williams, Uma Babá Quase Perfeita.
Na época não sabíamos, mas a mulher trabalhadora americana vivia seu auge. Murphy Brown saiu do ar em 1998. Apenas dois anos depois, a faixa de americanas acima de 16 anos no mercado de trabalho atingiria o pico: 60,3% em abril de 2000.
O final dos anos 1990 – década de Murphy Brown – pode ter sido a melhor fase para as mulheres no campo do emprego.
A entrada constante e aparentemente inevitável de um significativo número de mulheres em trabalhos pagos começou durante a 2ª Guerra Mundial. Mulheres já trabalhavam, claro, antes da guerra, mas geralmente eram de segmentos específicos, como as negras, que quase sempre tiveram de trabalhar, e as solteiras. Durante e após a guerra, o trabalho subitamente se abriu para mais e mais mulheres.
Nas décadas que se seguiram, a diferença salarial por gênero diminuiu, as mulheres se tornaram altamente escolarizadas e as opções para carreiras mais prestigiadas cresceram. A ampla disponibilidade de anticoncepcionais permitiu às mulheres controlar a gravidez e investir na carreira. Pesquisas mostraram que, a partir do fim dos anos 1970, um número cada vez maior de americanos passou a aceitar e mesmo a apoiar a ideia de mulheres trabalhando fora de casa.
Mas então, no início dos anos 2000, o crescimento do número de mulheres que trabalhavam estancou. E desde a Grande Depressão passou mesmo a cair. Hoje está apenas pouco acima de 57%.
Nós nos preocupamos muito com o desemprego entre os homens americanos. Sua participação no mercado vem caindo desde o fim dos anos 1950. Mas, durante todo esse tempo, os homens sempre dispuseram de mais empregos que as mulheres.
Até o final dos anos 1990, os Estados Unidos destacaram-se entre os países desenvolvidos por seu alto índice de trabalho feminino. Mas isso foi nessa época que os outros países começaram a ganhar terreno.
Nos EUA, Heidi Hartmann, presidente do Instituto de Pesquisas de Políticas para Mulheres, disse que seu grupo percebeu imediatamente uma diminuição da oferta interna de empregos para mulheres. A organização, que produz um relatório anual do status econômico das mulheres em cada Estado americano, em 1998 mandou uma prévia para algumas entidades em Vermont. Os números mostravam que a participação feminina no mercado de trabalho caíra nesse Estado,  prenunciando uma tendência nacional. De início, os pesquisadores duvidaram que a constatação fosse correta, segundo Heidi Hartmann. “Mas conferimos de novo e vimos que era aquilo mesmo.”
A tendência começou a partir da recessão de 2001. Até ali, as mulheres vinham mantendo sua marcha ascendente de emprego mesmo quando a economia vacilava. Se o emprego feminino caía, logo se recuperava. Aquela foi a primeira vez que a participação feminina caiu sem dar indícios de recuperação.
Vários fatores podem ter se juntado para isso. As mulheres passaram à frente dos homens na conquista de diploma universitário – o que, em consequência, diminui seu avanço estatístico nessa direção.
Os salários dos maridos subiram mais depressa que os das esposas, o que teria desencorajado algumas a se manterem no emprego. Também a diferença salarial entre os gêneros parou de diminuir por algum tempo, abatendo o entusiasmo das mulheres para trabalhar.
Por último, uma pesquisa do economista Robert Moffitt, da Universidade Johns Hopkins, constatou que o declínio da participação de mulheres na força de trabalho, especialmente entre as que ganhavam menos, refletia o de seus equivalentes homens.
Os anos 1990  viveram ainda uma mudança estrutural, disse Moffitt. De repente, cada escritório passou a ter um computador. “Foi uma virada que afetou o mercado de trabalho de todo o país, não apenas o de um gênero”, explicou Moffitt. Do mesmo modo que a tecnologia reduziu o número de empregos no chão de fábrica, ela também levaria à redução dos cargos de  secretárias, caixas de banco e balconistas. / Tradução: Roberto Muniz