O robô que faz saladas pode eliminar germes. E empregos também
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O robô que faz saladas pode eliminar germes. E empregos também

Redação

13 Outubro 2017 | 07h01

Sally the Salad, a máquina-robô instalada em um restaurante de Palo Alto, na Califórnia (EUA). Foto: Christie Hemm Klok/The New York Times

Claire Martin / The New York Times

Os bufês de salada funcionam como um imã para bactérias e vírus. Mesmo que grãos, folhas e temperos de salada não estejam contaminados, os utensílios e recipientes podem estar.

A startup Chowbotics, do Vale do Silício, desenvolveu o que diz ser uma solução parcial. Seu equipamento, chamado Sally, o Robô das Saladas, tem como meta reduzir o risco de doenças transmitidas por alimentos, juntando pratos de saladas a partir legumes pré-cortados e armazenados em recipientes refrigerados.


Os clientes usam uma tela de toque para seus pedidos, escolhendo a partir de um menu de receitas ou criando suas próprias saladas. A máquina calcula o número de calorias por salada e coloca os vegetais em uma tigela em menos de um minuto. Há menos contato humano com o alimento.

No entanto, como um número cada vez maior de robôs que servem alimentos e bebidas começou a interagir com os clientes na área da baía de São Francisco, Deepak Sekar, o inventor do equipamento, fundador e principal executivo da Chowbotics, enfrentou dúvidas quanto ao fato de sua máquina deixar pessoas sem trabalho. Ele nega que isso vá acontecer.

Sekar insiste que o foco de sua empresa – que é o mercado de bufês de saladas em vez de restaurantes de forma mais ampla – significa que Sally não vai acabar com empregos.

Ele diz que os trabalhadores nos bufês de salada podem reabastecer o robô, que contém ingredientes suficientes para 50 saladas antes de precisar de uma recarga. E, segundo diz, os restaurantes podem prosseguir com seus métodos habituais de preparação de alimentos – dependendo dos funcionários da de cozinha para cortar ou comprar legumes picados com antecedência.

Nos escritórios, o aparelho pode ser uma fonte de novos empregos, diz Sekar. “Você vai receber comida fresca, e estará na realidade criando empregos para as pessoas que reabastecem os recipientes desses escritórios”, disse.

No entanto, o desemprego gerado por robôs é uma preocupação crescente. Bill Gates recentemente apresentou uma proposta para taxar empresas que possuem robôs, o que poderia retardar sua implantação e fornecer algum dinheiro para treino das pessoas cujos empregos foram perdidos. O conselho de supervisores de São Francisco analisa o chamado imposto de robô.

“Poderíamos estar vendo mais de 50% dos trabalhos desaparecendo nos Estados Unidos nos próximos 10 a 15 anos”, disse Jane Kim, uma supervisora de São Francisco. “E não são empregos indo para o exterior, nem terceirização. São robôs “.

Efeito devastador

Existem indicadores de que a automação pode gerar um efeito devastador sobre empregos. Os robôs comerciais já começaram a eliminar empregos, de acordo com um estudo publicado em março pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), da Universidade de Boston. Os pesquisadores analisaram os efeitos da presença de robôs industriais nos mercados de trabalho locais nos Estados Unidos de 1990 a 2007 e calculam que acrescentar um robô por mil trabalhadores levou ao desemprego de até seis trabalhadores e causou uma diminuição dos salários em até 0,50%.

Alguns sindicatos discutem suas próprias estratégias para enfrentar um futuro atulhado de robôs. “É algo que nosso sindicato e muitos outros sindicatos ainda estão analisando”, disse Ian Lewis, diretor de pesquisa do Unite Here Local 2, um sindicato que representa funcionários de hotelaria, de serviços de alimentação, de restaurantes e de lavanderias em São Francisco e San Mateo, Califórnia. “Estamos extremamente preocupados e tentando lidar com isso.”

Sekar alega que seu robô tem o potencial de economizar dinheiro para empresas pequenas, que o instalam em cozinhas de escritório, ao lado de aparelhos como máquinas de café.

Andar alguns minutos dentro do próprio prédio para um bufê de saladas equipado com robô em vez de se aventurar fora para almoçar significaria menores interrupções de trabalho e aumento da produtividade, disse. Ele chama Sally “a menor e mais acessível cafeteria que um escritório poderia ter”.

O robô está sendo testado na incubadora de tecnologia GSVlabs, em seu escritório da Redwood City, Califórnia, e no Calafia Café e Market A Go-Go, um restaurante em Palo Alto, Califórnia, com um mercado anexo pertencente a Charlie Ayers, o principal executivo da Chowbotics.

Este outono, a Chowbotics começará a atender pedidos para dez robôs, pelo preço de US$ 30 mil cada, disse Sekar. Ele vê um cenário com os seus robôs produzindo refeições saudáveis em lojas de conveniência, aeroportos, hotéis, hospitais e universidades. “Você percebe a dinâmica do Vale do Silício por trás disso”, disse Sekar. Até agora, a Chowbotics arrecadou US$ 6,3 milhões em fundos de risco de vários investidores.

Se a Chowbotics for bem-sucedida com saladas, Sekar espera expandir para outras cozinhas e admite que trabalhadores humanos podem sim ser desalojados. “Vamos em busca de outros tipos de comida”, disse ele. “É difícil dizer o que acontecerá no futuro e como isso tudo pode afetar os empregos”. / Tradução de Claudia Bozzo

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