Micro e pequenas empresas têm vagas para serem preenchidas
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Micro e pequenas empresas têm vagas para serem preenchidas

De janeiro e setembro, esses empreendimentos criaram 389 mil postos de trabalho, enquanto companhias maiores tiveram saldo negativo

CRIS OLIVETTE

12 Novembro 2017 | 07h34

Rafael Guimarães. Foto: João Paulo Vale

Presente no mercado há pouco mais de um ano, a 12 Minutos entrou em operação com três funcionários. No decorrer de 2017, contratou nove pessoas e engrossou a estatística que aponta que as micro e pequenas empresas foram as que mais contrataram neste ano.

“Até o começo de 2018, vamos contratar mais dez pessoas, sendo três para a área de tecnologia e as demais para marketing e vendas. Vamos fechar o próximo ano com 25 pessoas no time”, diz o diretor técnico, Rafael Guimarães.

Segundo ele, o negócio consiste em selecionar livros, ler e resumir os pontos mais importantes de obras de não ficção e produzir microbooks, para que os assinantes do serviço tenham acesso a todo o conteúdo em 12 minutos, nos formatos áudio e texto. A empresa está com 40 mil usuários ativos e têm cerca de duas mil leituras de microbooks por dia.


Estudo. Levantamento feito pelo Sebrae, com base nos dados mensais divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), fornecido pelo Ministério do Trabalho, aponta que entre janeiro e setembro deste ano, as micro e pequenas empresas criaram 389 mil postos de trabalho, enquanto companhias de médio e grande porte apresentaram saldo negativo de 200 mil vagas.

Segundo o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, os pequenos negócios são os grandes responsáveis pela redução do desemprego no País.

“Essas atividades são fundamentais para a retomada da economia. Nosso levantamento comprova isso. De janeiro a setembro, esses negócios apresentaram saldo positivo em todos os meses, exceto em março. Enquanto empresas maiores tiveram mais contratações que demissões somente em abril e maio”, destaca.

Os dados do Caged indicam que em setembro os pequenos negócios registraram criação líquida de 51,2 mil empregos, enquanto as médias e grandes empresas extinguiram 16,1 mil postos de trabalho. Considerando o saldo de empregos de empresas da administração pública, no total, em setembro foram geradas 34,4 mil vagas.

Destaque. Tanto no acumulado do ano, como no mês de setembro, as micro e pequenas empresas do setor de serviços foram as que mais contrataram, abrindo 234,3 mil novos postos, o que representa 60% do total das novas contratações.

Somente em agosto, o setor empregou aproximadamente 25 mil trabalhadores. Sendo que mais de dez mil correspondem a pequenos negócios do ramo imobiliário e outros 5,6 mil, nos segmentos de hospedagem e alimentação.

Uma das empresas que aumentaram seu quadro de funcionários entre agosto e setembro é a Nut Biscoitos. “Tínhamos 17 funcionários, mas o aumento na demanda nos levou a contratar mais três pessoas”, conta a administradora, Giovana Campacci Diniz, uma das sócias da empresa fundada há 19 anos, por sua avó e sua mãe.

Segundo ela, a marca produz os biscoitos típicos italianos amaretto e cantuccini, além de mini pão de mel e uma linha de amanteigados. Giovana afirma que a empresa está operando no limite de sua capacidade e no próximo ano deve ocupar um espaço maior, para que possam ampliar a carteira de clientes e o quadro de funcionários.

Os produtos da Nut são vendidos para cafeterias, supermercados, empórios, buffets, hotéis, restaurantes e também para o público em geral, pela loja virtual da marca.

Os dados do Caged apontam, ainda, que o único setor em que os pequenos negócios mais demitiram em setembro foi o agropecuário, que teve saldo negativo de 8,1 mil empregos no mês, influenciado pela sazonalidade das atividades agrícolas.

Christophe Trevisani. Foto: Rafael Castanheira

Em setembro, as micro e pequenas empresas que atuam no setor de comércio também tiveram destaque, com a geração de 15,2 mil vagas, e as da indústria de transformação, com 12,3 mil novas ocupações.
Expansão. Fundada em 2011, a eNotas oferece serviço de emissão automática de nota fiscal. “No final de 2015, contratamos nosso primeiro funcionário. Esse gap entre a fundação e a primeira contratação ocorreu porque passamos esse período atuando em outros projetos e não no produto em si”, conta o CEO, Christophe Trevisani.

Hoje, a empresa tem 12 funcionários, sendo que só em 2017 seis pessoas foram contratadas. “Ainda temos cinco vagas em aberto, mas não temos espaço físico para instalar novos funcionários. Estamos terminando uma reforma para efetuarmos as contratações.”

Trevisani afirma que em 2018 tem previsão de contratar entre dez e 15 pessoas, para as área de tecnologia, comercial, marketing e suporte.

Segundo ele, a eNotas tem mais de oito mil clientes usando seu sistema de emissão de notas fiscais, entre eles, youtubers e blogueiros. “Temos projeção de quintuplicar nossa base de usuários no próximo ano.”

NEGÓCIO TEM FOCO EM DESENVOLVEDOR

Inseridos no setor de serviços, negócios do segmento de tecnologia estão entre os que contrataram durante a crise. O problema, porém, é que as empresas de TI enfrentam dificuldades para encontrarem profissionais de programação.

Para facilitar a vida dos recrutadores, os empreendedores Fellipe Couto, Thiago Dantas e Octavio Amuchástegui criaram, em 2016, a plataforma Vulpi. Baseada em inteligência artificial, a tecnologia ajuda os departamentos de RH no recrutamento de desenvolvedores de software.

“O princípio é similar ao da ferramenta de paquera Tinder, porque permite que as empresas encontrem o profissional sob medida para as suas necessidades, proporcionando um encontro perfeito entre candidato e quem oferece a vaga”, afirma o CEO, Felipe Couto.

Segundo ele, a plataforma também utiliza análise preditiva dos dados dos desenvolvedores disponíveis na internet, para conectá-los com empresas de forma mais assertiva.

“Somos apoiadores dos RHs. Não nascemos para substituir o trabalho dos recrutadores. Os processos presenciais de seleção são importantes para a formação do time desejado. Nós facilitamos o processo de seleção e ajudamos a aumentar a retenção com perfis adequados.”

A Vulpi tem mais de 50 mil desenvolvedores em sua a base, grande parte dispostos a receber propostas de emprego. “O profissional se cadastra gratuitamente e envia o currículo. O perfil dos cadastrados é avaliado com base no cruzamento de dados disponíveis nas redes sociais. Fazemos análise técnica e comportamental.”

Octavio Amuchástegui (à esq.), Fellipe Couto e Thiago Dantas. Foto: Juliana Foini

Até agora, 180 companhias já utilizaram a plataforma. “Pequenos e médios negócios são os que mais usam. Agora, queremos atingirmos os grandes.”

A partir do primeiro trimestre de 2018, a Vulpi vai expandir as atividades, oferecendo opções para contratações em outras áreas de tecnologia.

Vagas. Até o momento, o time da Vulpi tem oito pessoas. “Pretendemos dobrara equipe nos próximos meses. Vamos abrir vagas para marketing e vendas”, diz.

O empresário de Belo Horizonte diz ter percebido aumento na demanda por profissionais vindo de pequenas e médias companhias.

“Essas empresas estão crescendo e querem atingir o mercado de forma robusta. Estamos vendo muitos casos de negócios aqui da região que estão duplicando seus times a cada seis meses”, diz Couto.