‘Procuro fazer gestão participativa’
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‘Procuro fazer gestão participativa’

Ricardo Oliveira, manager director da Ottobock HealthCare aponta a importância de ter um time bem capacitado para o sucesso do negócio

Redação

13 Novembro 2017 | 07h29

Ricardo Oliveira. Foto: Rafael Vonzuben

Cláudio Marques
Administrador com pós-graduação em marketing, Ricardo Wagner Oliveira desenvolveu a maior parte de seu trajeto profissional na área da saúde, embora tenha começado no grupo de logística FNV Maxion (hoje, AmestedMaxion). “A minha carreira se iniciou na área de vendas. Fui vendedor e depois fui fazendo minha carreira. A Merck Sharp Dome, onde trabalhei por 10 anos. Lá, tive uma evolução de carreira muito forte, que me deu toda experiência e bagagem para poder gerir e formar equipes. Foi fundamental.”

Posteriormente, passou pela Sanofi, Promedon e Centro Norte Distribuidora de Produtos Hospitalares – sempre ocupando postos de liderança em vendas e marketing –, até entrar na Ottobock Health Care, em 2006, como diretor de vendas e marketing. Trata-se de uma multinacional alemã que chegou ao Brasil em 1975. “Trabalhamos com próteses externas para pessoas com deficiência.” Desde 1989, a empresa é fornecedora das Paralimpíadas. “A Ottobock é reconhecida, no mundo inteiro, como a empresa que efetivamente está conectada à pessoa com deficiência”, afirma Oliveira.

No Brasil, seus clientes são, principalmente, entidades que recebem verbas do SUS e INSS. “Também atuamos no mercado particular com próteses de última geração.” São 200 colaboradores diretos distribuídos pelas fábricas do Rio de Janeiro, onde são produzidos componentes, de Vinhedo-SP, onde são feitos diversos tipos de cadeiras de rodas, e na unidade administrativa, em Valinhos, onde também são produzidos encaixes – a interface entre o membro residual do corpo e o equipamento. “Produzimos mais de dez modelos de cadeira de rodas.” No mundo, a empresa faturou ¤ 1,3 bilhão em 2015 (último dado divulgado) e tem 7,6 mil empregados.


Responsabilidade
Com certeza é diferente ser o dirigente de uma empresa desse tipo, porque é um negócio com o qual você convive com pessoas que necessitam de ajuda. E a nossa responsabilidade é muito grande, porque a empresa desenvolve novas tecnologias e o mercado está sempre ávido por essas novas tecnologias – a nossa responsabilidade é muito grande. Eu, como dirigente no Brasil, tenho a responsabilidade de alcançar os objetivos da empresa. Por isso, temos de trabalhar muito fortemente a capacitação.

Tecnologia e capacitação
Nós trabalhamos muito a questão da orientação e capacitação, porque não basta você desenvolver novas tecnologias e não ter no mercado pessoas capacitadas para lidar com essas tecnologias. Então, a nossa responsabilidade social está muito voltada para isso, para essa questão educacional.

No exterior
Nossos funcionários são capacitados na Alemanha. Não existe hoje no Brasil uma escola de formação desses profissionais. Então, eles são capacitados na Alemanha. Todos os anos, contratamos dois novos profissionais fisioterapeutas e os mandamos para a Alemanha por um período de dois anos, para capacitá-los. Para que quando voltem, façam parte desse departamento de capacitação. Depois, orientam e preparam equipes multidisciplinares. Essas equipes são formadas por médicos ortopedistas, médico vascular, terapeuta. É o médico, a equipe, que depois vai prescrever o que é melhor para o pacientes entre nossos produtos. Com as tecnologias que temos hoje, o paciente pode ter uma vida igual, em alguns casos até superior, porque aquele membro já não estava colaborando. Então, na medida em que você capacita esses profissionais, em termos de orientação, de prescrição, ele vai poder atender melhor o seu paciente.

Desafios
Dentro de qualquer carreira sempre há novos desafios. Mas a gestão de pessoas é uma coisa que você tem de estar muito bem preparado. Quando você vai gerir pessoas dentro das organizações, você tem de rever seus conceitos e estar preparado para gerir um time. Eu diria que uma das tarefas mais difíceis hoje é gerir pessoas. Quando eu vim para cá, há 11 anos, eu não conhecia nada deste mercado, mas mergulhei de cabeça e consegui entender o mercado. No entanto, eu tinha um outro fator importante, que era a formação de um time sólido. Apesar de sermos uma multinacional, não tínhamos um time muito forte na área de vendas e marketing. Esse time vai falar com aquelas equipes multidisciplinares que mencionei. Então, qual é a melhor formação para conversar com essas equipes? Chegou-se à conclusão de que o fisioterapeuta é o mais qualificado, mas transformar um fisioterapeuta em uma pessoa de vendas não é uma tarefa fácil.

Crescimento
A formação dessa equipe aqui na Ottobock foi um grande desafio e um dos nossos sucessos. Ao longo desses 11 anos, crescemos mais de 7 vezes o faturamento da organização.

Medida
Com certeza, o desafio de ser um CEO de uma empresa dessas é muito maior. Eu trabalhei antes em grandes organizações farmacêuticas, a responsabilidade claro é muito grande, mas eu diria que a minha responsabilidade hoje é muito maior.

O segmento
Depois de 10 anos lá na Merck, fui para uma outra empresa, já no segmento de medical advice, trabalhando na área de implantes, de joelhos, coluna, também na área vascular. Um segmento também muito interessante e muito grande no Brasil. Também me deu uma outra grande experiência. Trabalhei nessa empresa, a Promedon, por cinco anos – eu tinha responsabilidade pela gestão de vendas e marketing da organização. Atendíamos boa parte dos 8 mil hospitais que temos no Brasil inteiro.

Estilo
Eu não sou centralizador, mas também gosto de estar ciente de tudo que ocorre na organização. Procuro fazer uma gestão participativa. Tenho um grupo gerencial que define comigo as ações. É uma forma de fazer uma gestão participativa em que todos possam contribuir de alguma forma.