Agora, no RH, dado vale mais  do que currículo?
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Agora, no RH, dado vale mais do que currículo?

A quantidade de dados captada de cada candidato, não só em redes socais, traça perfis amplos

Claudio Marques

05 Maio 2018 | 16h02

Imagem: Pixabay

Leonardo Trevisan, professor da PUC

No difícil momento da disputa da vaga, qual é o peso da tecnologia? Nessa hora, é preciso reconhecer que análise de dados passou a ser a ferramenta mais usada (e a de maior investimento) no mundo do recrutamento.

Pesquisa da Randstad, empresa internacional de seleção de pessoal, mostrou que executivos brasileiros de RH, entre 17 países avaliados, estão dez pontos acima da média mundial registrada pelo estudo no reconhecimento da importância do dado para encontrar e manter talentos.

A questão, no entanto, é saber o quê o RH brasileiro busca quando usa dados para recrutar gente. O presidente da Randstad no Brasil assegura que o resultado da pesquisa reflete o interesse das empresas de entenderem melhor o “perfil comportamental”. A quantidade de dados captada de cada candidato, não só em redes socais, traça perfis bem amplos.

Análise de dados permite entender a competência menos técnica, o algo “além do currículo”. Habilidades comportamentais, por exemplo, aparecem mais em testes e jogos. Esta pesquisa também mostrou que apenas 10% dos recrutadores, tanto no Brasil como na média internacional, planejam investir em programas de treinamento interno para atender aos desafios do negócio. Motivo: ciclos de inovação são muito curtos. A curiosidade do talento vale mais do que a competência técnica. E é a habilidade comportamental que a revela.

Porém, quais setores da realidade brasileira prestam mais atenção à tecnologia. A Pesquisa Anual do Uso de TI, 2018, da FGV, revelou que o segmento de serviços (68% do PIB) é o que mais gasta: 11% das receitas, bancos à frente investindo 14,8%.

O número de computadores e tablets avançou entre 2016 e ano passado de 166 milhões para 174 milhões. Os dados mais completos dessa pesquisa, disponíveis em http://eaesp.fgv.br/sites/eaesp.fgv.br/files/pesti2018gvciappt.pdf, mostram bem a crescente assimilação de TI nas empresas.

Aliás, análise de dados ganhou velocidade própria. Artigo do Financial Times, de Jonathan Moules, informa que a procura por cursos de big data cresceu mais que o dobro do que os demais programas de MBA nos EUA, em 2017. Não há dúvida que dado é o “petróleo do século 21”. Inclusive, ou principalmente, no RH.