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‘Brasil é mercado vasto com uma série de oportunidades’

Camillo di Jorge, country manager da Eset ,diz que há dificuldade de cliente entender que precisa se prevenir para se proteger de ataques

Claudio Marques

11 Março 2018 | 07h01

Camillo di Jorge. Foto: Carlos Della Rocca

Com mais de 20 anos de atuação no mercado, com passagens por empresas como IBM, Telefônica, Intelbrás, Medidata e Welcome Real Time, Camillo di Jorge foi responsável pela implantação da europeia Eset no Brasil, em 2009. Hoje, está à frente da operação local da companhia que se coloca entre as cinco maiores do mundo e se dedica ao desenvolvimento de soluções voltadas ao mercado de segurança digital, como antivírus, para pessoas físicas e jurídicas dos mais diferentes tamanhos. “Nesse segmento, são clientes que têm de cinco a 20 mil licenças no mercado brasileiro”, afirma o administrador de empresas com MBA pela Business School São Paulo. A empresa possui uma rede global de vendas que abrange 180 países e tem escritórios em Bratislava, São Diego, Cingapura, Buenos Aires, Cidade do México e São Paulo. A seguir, trechos da conversa.

Você passou por várias empresas de tecnologia.
Tenho identificação muito grande com tecnologia. Durmo e acordo com tecnologia. Sou gadget maníaco assumido, gosto de dados, dessas coisas. Não me vejo trabalhando em outro mercado que não seja tecnologia. A dinâmica da tecnologia pulsa da mesma forma que minha motivação para fazer as coisas.

Por que você acha que foi escolhido para montar a empresa?
Quando eu fui fazer a entrevista (de emprego) foi engraçado. Foi o segundo (no comando) da empresa que me contratou. Eu liguei e disse estou indo aí, para Buenos Aires (que respondia pela América Latina) para conversarmos, e perguntei se ele achava interessante eu levar algum material do Brasil. Ele disse que eu não precisava levar nada. Só que eu fiz. Cheguei à reunião, à entrevista, ele falou ‘você tinha me comentado a respeito do material’ e eu falei, está aqui. Na época, eu não falava espanhol, fiz toda a apresentação em inglês, mas havia tomado o cuidado de fazer todos os slides em espanhol. Foi engraçado porque depois de 32 slides ele perguntou se eu era casado, tinha filhos, porque agora ele só queria saber a respeito de minha vida pessoal, porque já tinha respondido tudo sobre negócios. De uma maneira bastante humilde eu me antecipei, mostrando que tinha conhecimento real do mercado. O desenho que então eu fiz da operação, na época eu não tinha muita informação, de como a empresa iria atuar no Brasil, é exatamente o modelo que eu tenho desenhado hoje.

Qual é um fato marcante em sua carreira?
A montagem da Eset. A empresa me deu muita liberdade para estabelecer o modelo e o ritmo que eu achasse correto. Para falar a verdade, eu não tinha para quem perguntar. A opção era ou eu mesmo fazer ou eu mesmo fazer. Essa liberdade com autonomia resultou em duas opções: ou jogava tudo para o alto, isso é impossível, ou então fazer e levar esse negócio para a frente. Pode ser que exista gente que tivesse feito melhor, mas hoje a nossa realidade é esta: a empresa cresceu dois dígitos, temos um caminho gigantesco pela frente, o Brasil é um mercado vasto que tem uma série de oportunidades, e isso nos dá combustível para continuar a tocar o negócio.

Qual é a sua marca?
Acho que são duas. Uma é a persistência. É você poder visualizar uma coisa, acreditar nela e persistir para que aconteça. Outra coisa é que nenhuma empresa tem recursos infinitos e quando você tem recursos limitados, você tem de fazer escolhas, que acabam tendo de ser muito cirúrgicas para que possa surgir algum tipo de efeito. E eu faço isso.

Qual é a maior dificuldade hoje para o seu trabalho?
É mostrar ao cliente a necessidade de proteção. Não vendemos medo e sempre falamos que não existe programa 100% seguro. O que há são maneiras de aumentar a proteção. Nós avisamos, orientamos e o cliente diz que não quer, que hoje não tem dinheiro. Mas aí sofre com um problema como ataque de ransonware (infecção que propicia o ‘sequestro’ de máquinas) e liga aqui perguntando qual é o preço da solução para ele. Não há solução. O certo seria ter comprado antes soluções adequadas.