Coaching em foco
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Coaching em foco

É preciso tomar cuidado com essa linha tênue entre coaching e terapia

Claudio Marques

11 Fevereiro 2018 | 07h11

Imagem: Pixabay

Lizika Goldchleger e Rodrigo Rosa

Há alguns dias, uma telenovela brasileira abordou o tema coaching em uma de suas cenas. No enredo, a personagem se apresentou como coach e se ofereceu para ajudar em um caso de abuso sexual, que deveria ser tratado por psicoterapeuta. Imediatamente, as redes sociais trouxeram à tona essa discussão através de críticas à forma de abordagem e aos diálogos distorcidos.

Conselhos de psicologia, federações de coaching e profissionais de diversas formações demonstraram a sua indignação e preocupação com o impacto negativo da cena. No mercado, em geral, há uma confusão entre os conceitos e as diferenças entre coaching, mentoria, aconselhamento e psicoterapia. Então, vamos a alguns esclarecimentos, pois são propósitos diferentes.

Coaching representa o processo em si. Coach é o profissional que faz coaching e coachee, quem recebe. Nesse processo há o desenvolvimento de um novo potencial, um novo aprendizado é gerado. Não se trabalha a personalidade, e sim o comportamento e o desenvolvimento humano. Jamais deve abordar ou tentar resolver eventuais questões terapêuticas.

Um coach pode contribuir para ampliar o leque de soluções do coachee, que em função de alguma armadilha pode ter a dificuldade de pensar diferente. E esse processo ajuda a trabalhar o modelo mental e maximizar o seu potencial.

O coachee deverá encontrar suas respostas, pensar nas soluções por si próprio e se responsabilizar pelas melhorias pessoais e profissionais. Ele aprende a aprender. Inexistem palpites por parte do coach.

É preciso deixar claro que as conversas são estruturadas. Não é um bate-papo. Há uma metodologia, que gera resultados práticos e uma solução. Se inicia com um acordo entre ambos, coach e coachee, para alinhamento de expectativas e identificação das necessidades de desenvolvimento. A partir daí, encontros são firmados e o processo de aprendizado evolui.

Mentoria, por sua vez, é uma relação de parceria na qual um profissional com uma experiência e vivência maior compartilha seus conhecimentos com outro, visando a ajudar nas suas escolhas. Temas diversos podem ser abordados, como carreira, desafios pessoas e profissionais.

O mentor é aquele que auxilia o mentorado com provocações de forma a ampliar a sua percepção sobre o cenário atual e futuro e possibilidades. Pode oferecer ao mentorado experiências, conhecimentos técnicos, networking, dentre outros, influenciando a sua visão e ação.

Aconselhamento, conforme o próprio nome indica, é uma relação que predomina o conselho. É uma relação fruto da confiança entre as pessoas, pois a opinião do outro será um caminho a seguir. Ao pedir um conselho não estamos exercitando a arte de pensar, aprender ou levar em conta as próprias escolhas. Pode ser um evento único e pontual, como um aconselhamento de carreira.

E psicologia é uma ciência que trata de patologias clínicas mentais e emocionais. Transtornos psicológicos são tratados com a psicoterapia ou psicanálise (ciência criada por Freud). Psicólogos lidam com abusos e traumas, por exemplo. Há uma profundidade na análise dos fatos e uma abrangência diferente.

É preciso tomar cuidado com essa linha tênue entre coaching e terapia. Saúde mental deve ser intervenção de profissionais com formação em psicologia ou psiquiatria. Cada processo tem a sua finalidade.

Profissionais éticos, com formação consolidada, e experiência certamente vão ajudar no direcionamento para a real necessidade de quem busca ajuda.