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Como reagir quando um colega assedia as mulheres

REDAÇÃO

03 Abril 2018 | 11h04

Ilustração: Gracia Lam/The New York Times–

P – Trabalho para uma agência de emprego que coloca grupos de profissionais para trabalhar em projetos específicos em grandes firmas. Recentemente, um membro da equipe da qual faço parte assumiu um comportamento que pode ser enquadrado como de assédio sexual.

Inadequadamente, ele tocou o nariz de uma funcionária do nosso grupo, passou a mão no traseiro dela. E tem constantemente pedido aos colegas o número de telefone das mulheres que fazem parte do grupo. Chegou até a perguntar a uma mulher que ficara viúva recentemente se poderia se mudar para a casa dela.

Estamos preocupados, uma vez que essa atitude infringe e muito as políticas sobre assédio da empresa. Mas acho que as pessoas relutam a abordar o assunto, porque a empresa não paga bem e ele precisa do dinheiro. O que fazer?

— Evanston (EUA)

Rob Walker, o ‘workologista’ responde

R – De acordo com seu relato, o comportamento do seu colega é grave. O fato de ele “precisar de dinheiro” não é uma desculpa válida. Nem uma boa razão para deixar o assunto de lado.

Você deve sem dúvida alguma adotar algum tipo de ação, mas isto vai depender de uma série de fatores. No aspecto legal, conversei com Amy Epstein Gluck, advogada em Washington da empresa FisherBroyles. Diante da variedade e freqüência de casos como este, disse ela, o fato deve ser reportado à direção da agência para a qual você e seus colegas trabalham.

“ A agência deve investigar”, disse Amy Epstein, “e imediatamente falar com o funcionário e outras partes envolvidas e resolver a questão. Os detalhes dependerão das políticas da agência, mas o mais importante é que os diretores dessa agência vão querer saber que isso vem ocorrendo, e dar um fim à situação”.

De modo mais geral, legislação de 1964 protege os trabalhadores em empresas com 15 ou mais empregados contra o assédio sexual, que cria um ambiente de trabalho hostil. Se este funcionário vem assediando empregadas da empresa cliente para a qual seu grupo está trabalhando, elas podem mover uma ação com base naquele dispositivo legal contra sua agência. Não fazer nada comporta o risco de um “problema real” para a agência, afirmou Amy Epstein.

Pelo menos converse com essa pessoa e lhe dê um ultimato: se ela não se endireitar, você levará o caso para a alta direção da sua agência. Suas colegas que vêm sendo incomodadas e assediadas merecem respeito. / The New York Times