Sem emprego, sem carreira, sem nada
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Sem emprego, sem carreira, sem nada

Claudio Marques

17 Março 2018 | 16h02

Foto: Pixabay

Elisabete Adami Pereira dos Santos, professora da PUC

Uma coisa leva à outra, que leva à outra, em movimento quase infinito, que volta à origem…assim aprendemos a ver os cenários, sejam quais forem, do ponto de vista da abordagem sistêmica (sistemas abertos), refinados pela teoria da complexidade e do caos, em que tudo está interligado.

Assuntos das últimas semanas em jornais e revistas de notícias foram os dois importantes relatórios do Banco Mundial, com foco no Brasil, e principalmente nos jovens brasileiros, e, divulgados no dia 7/3: Emprego e crescimento – a agenda da produtividade e Competências e empregos – uma agenda para a juventude, que estão disponíveis em: http://www.worldbank.org/.

Como dito no primeiro parágrafo, são muitos itens que se interligam e se imbricam. Alguns dados são, de fato, preocupantes, e o primeiro, de início, é que 52% dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos perde interesse pelos estudos e corre risco de não conseguir se inserir no mercado de trabalho.

São pessoas que se encontram em três situações: desistiram da escola, conciliam os estudos com trabalho informal ou estão defasados na relação idade/série; há um futuro ameaçador para esses jovens, porque ficam fora do circuito de bons empregos e ficam vulneráveis à pobreza.

E há muitas recomendações para que possamos sair dessa situação em que estamos. Claro que muitas delas não são possíveis de serem implementadas no curto prazo, mas poderão resultar de ações que se pode tomar agora. Muitas dessas ações referem-se às mudanças, por exemplo, nas políticas de inclusão existentes.

Algumas recomendações são até duras, como essa afirmação do relatório: “De uma forma geral, as políticas e o gasto público priorizam os já incluídos e os idosos, deixando muitos jovens de fora, e com um baixo nível de engajamento econômico”.

Isso leva à recomendação de se discutir e parar de elevar o piso mínimo do salário mínimo, porque, ao longo dos anos o piso cresceu de forma desconectada com o aumento da produtividade do trabalho, e se tornou um fator de segregação para os jovens no mercado de trabalho: com um piso muito alto as empresas preferem contratar profissionais mais experientes e deixam o jovem de lado.

Outros dados, e são muitos, serão apresentados em próximo artigo, porque, de fato a relevância dos dois relatórios é incomensurável.