Um robô só não faz verão…  Nem ‘indústria 4.0’
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Um robô só não faz verão… Nem ‘indústria 4.0’

Máquinas 'conversam' com outras máquinas, guiadas pela 'internet das coisas' e pelos dados coletados por 'assistentes digitais'

Claudio Marques

26 Março 2018 | 14h02

Imagem> Pixabay

Leonardo Trevisan, professor da PUC

A novidade despertou interesse: um programa de modernização tecnológica para a “indústria 4.0”, com linhas oficiais de crédito de R$ 9,1 bilhões. Divulgado no Estado de 15 de março, o programa prevê isenção de imposto para importação de robô e adoção de novas tecnologias.

A iniciativa tem relevância na busca por eficiência. Mas apenas o uso de robôs não é a essência da “indústria 4.0”. Estas máquinas já trabalham em diferentes setores empresariais no Brasil. O “x” da história é outro: para que são usados os robôs?

Montadoras, por exemplo, investiram pesado em robotização na fase mais dura da crise e com fábricas ociosas. Desde 2012, a Volkswagen instalou 2.187 robôs em três fábricas, nos setores de solda, pintura, chassis e carrocerias. A Ford, em Camaçari, fez o mesmo. Motivo: reduzir custos de produção. Prestadoras de serviço também enfrentaram a crise com mais robôs. A concepção é simples: o que for trabalho rotineiro o robô faz melhor, mais rápido e mais barato.

O conceito indústria 4.0 vai além da redução de custo e, por essa razão, redefine tanto empregos e carreiras. O que mais interessa na adoção desse conceito é o uso de dados no processo de decisão, alterando toda a estrutura produtiva. Artigo da Nature, de abril de 2017, analisou qual a ação oficial adequada para implementar a revolução digital.

Os professores Erik Beynjolfsson (MIT) e Tom Mitchel mostram que cabe aos governos construírem nova estrutura de coleta de dados, inclusive com fontes privadas de informação. O texto está em: https://www.nature.com/polopoly_fs/1.21837!/menu/main/topColumns/topLeftColumn/pdf/544290a.pdf

Processos produtivos na indústria 4.0 passam a ser “inteligentes”, porque máquinas “conversam” com outras máquinas, guiadas pela “internet das coisas” e pelos dados coletados por “assistentes digitais”. Novos empregos e novas carreiras nascem dessa convivência com dados.

Robôs, trabalhando ao lado de humanos, neste conceito, apenas obedecem aos dados. Não o contrário. Na indústria 4.0 é o big data que dirige produção e consumo. É preciso entender que subsidiar crédito para compra de robôs apenas reduz custos, mas não prepara o futuro digital do País. Talvez, apenas o adie.