Em meio ao impasse sobre permanência da Grécia na UE, repórter recebe conta em dracma
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Em meio ao impasse sobre permanência da Grécia na UE, repórter recebe conta em dracma

Antiga moeda grega, que pode voltar a ser utilizada se o país deixar a zona do euro, aparece na fatura do hotel Hilton, em Atenas, de jornalista da 'Bloomberg'

Economia & Negócios

10 Julho 2015 | 18h23

Hotel Hilton, em Atenas, registrou as cobranças de um repórter da Bloomberg em dracma/Reprodução

Hotel Hilton, em Atenas, registrou as cobranças de um repórter da Bloomberg em dracma/Reprodução

Há cerca de seis meses, a Grécia tenta negociar um acordo com credores internacionais, que pode evitar a saída do país da zona do euro. Em meio ao impasse, um ocorrido em Atenas está contribuindo para aumentar o mistério sobre a permanência – ou não – da Grécia na União Europeia. De acordo com a Bloomberg, entre 28 de junho e 4 de julho, um hotel Hilton, na capital da Grécia, cobrou as transações feitas por um repórter da agência de notícias em dracma.

A cobrança inexplicável – pois o euro segue, oficialmente, como a moeda grega –, diz a Bloomberg, deixou perplexos os representantes das companhias envolvidas no caso. Isso porque a fatura parece dar como certa a mudança na moeda do país, algo que o governo grego e os principais líderes europeus estão tentando evitar há mais de seis meses.

A resposta ao mistério da cobrança em dracma, no entanto, foi rápida. Um dia depois da Bloomberg ter entrado em contato para saber o que poderia ter acontecido no caso, a fatura online do repórter foi alterada para o valor em euros (veja abaixo).

Depois do contato da Bloomberg, fatura online foi alterada para o valor em euro/Reprodução

Depois do contato da Bloomberg, fatura online foi alterada para o valor em euro/Reprodução

O Citigroup e a Visa decidiram não comentar o caso. Já um porta-voz do Hilton informou que o hotel em Atenas cobrou o consumidor em euro, não em dracma. De acordo com a Bloomberg, o valor foi exatamente o mesmo que seria caso fosse cobrado em euros, o que indicaria uma paridade entre as duas moedas – algo que economistas disseram ser improvável.

Se a Grécia for forçada a adotar o dracma, seu valor provavelmente cairia rapidamente quando comparado a moedas globais, dada a diferença entre importações e exportações gregas e o futuro incerto da nação, informa a Bloomberg.

Ainda de acordo com a agência de notícias, bancos ao redor do mundo estão se preparando para a possibilidade, cada vez maior, da Grécia ser forçada a abandonar o euro, moeda que compartilha com outros 18 países europeus. Os credores internacionais deram ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, até domingo para apresentar a proposta final para o acordo de austeridade e reformas econômicas em troca de ajuda econômica ao país.

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