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No Brasil, ‘Playboy’ ainda avalia fim da nudez feminina

'Estamos falando de 40 anos numa direção. Precisamos ouvir o leitor e entender o plano dos americanos', diz o diretor de redação

Economia & Negócios

14 Outubro 2015 | 09h52

Natália Cacioli, com Reuters

No Brasil, nada muda por enquanto na Playboy. O diretor de redação da revista no País, Sergio Xavier, está em Nova York para discutir os próximos passos da publicação, que circula por aqui desde 1975.

“Em março, eles devem tirar o nu frontal, não os ensaios sensuais. Faremos o mesmo? Talvez, ou mais para a frente, aos poucos, não sabemos”, disse Xavier. “Estamos falando de 40 anos numa direção. Precisamos ouvir o leitor, entender o plano dos americanos.”

Segundo o jornal The New York Times, a revista deixará de publicar ensaios de nu feminino a partir de março de 2016, pelo menos na edição americana.

O fundador e editor-chefe Hugh Hefner, de 89 anos, que encarnou o estilo de vida da Playboy em seu pijama de seda, concordou no mês passado com uma sugestão do principal editor, Cory Jones, de parar de publicar imagens de mulheres nuas.

Com conteúdo pornográfico a um clique de distância, as revistas de nudez perderam o poder de impacto, valor comercial e a relevância cultural. Segundo o executivo Scott Flanders, a revista foi ultrapassada pelas mudanças comportamentais que ajudou a moldar.

A revista, que contou com Marilyn Monroe em sua capa de estreia, em 1953, está fazendo as mudanças após a circulação cair de 5,6 milhões de exemplares em 1975 para cerca de 800 mil agora.

No Brasil, a circulação em abril foi de 71.943 exemplares, número bem distante da edição mais vendida da revista, em dezembro de 1999, com Joana Prado, a Feiticeira, na capa: foram vendidos 1,2 milhão de exemplares. “Precisamos analisar e discutir bastante o que faremos no ano que vem”, disse Xavier, para quem a decisão de Hefner foi “muito corajosa”.

Ainda em discussão. Algumas mudanças ainda estão em debate, incluindo a manutenção ou não de uma foto de mulher em página dupla central. A colunista de sexo da revista Playboy será uma mulher, que escreve com entusiasmo sobre o assunto, disse Jones.

A revista sempre teve apelo intelectual e contou com grandes escritores. Entrevistas em profundidade com figuras históricas, como Fidel Castro, Martin Luther King Jr., Malcolm X e John Lennon também eram uma característica regular.

Após seu sucesso inicial, a Playboy foi atacada pela direita por causa da nudez e pela esquerda por feministas que a acusavam de reduzir as mulheres a objetos sexuais.

“Não me entenda errado”, disse Jones sobre a decisão de eliminar fotos de mulheres nuas. “O meu lado 12 anos está muito desapontado. Mas é a coisa certa a se fazer.”

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