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Área comum mais enxuta ganha força nos novos edifícios

claudiomarques

16 junho 2014 | 18:02

Por conforto e menor custo, lançamentos imobiliários passam a priorizar menos itens de lazer


Gourmet. Espaços para convivência e confraternização estão em alta (Imagem: Gustavo Epifanio/Estadão)

GUSTAVO COLTRI

Há alguns anos, a marca de 50 itens de lazer era um diferencial para os empreendimentos imobiliários. Agora, a oferta mais comedida de espaços nas áreas comuns tem ganhado força no mercado de lançamentos, que, aos poucos, dá ao conforto o destaque antes conferido à multiplicidade de opções.

O Acervo Pinheiros, projeto de alto padrão da incorporadora Even atualmente em construção, reunirá em um terreno de cerca de 4,5 mil metros quadrados 12 itens de lazer, alguns integrados uns aos outros e todos com espaço de sobra. A academia do prédio, com 47 imóveis de 332 m² e duas unidades duplex, terá mais de 200 m².

Integrados, o salão de festas e o espaço gourmet ocuparão outros 400 m², e a brinquedoteca mais 90 m². “Tínhamos espaço para colocar o que quiséssemos no prédio, mas priorizamos o que seria efetivamente utilizado”, diz o diretor de incorporação da Even, Marcelo Dzik. Segundo ele, o grande número de itens de lazer foi um modismo do mercado imobiliário, esgotado com os fracassos na operação efetiva dos condomínios.

“Era mais um atrativo de marketing. Chegamos a ter um prédio com 70 itens de lazer. Lembro dos materiais de divulgação, dando destaque para isso”, completa a diretora de marketing da imobiliária Abyara Brasil Brokers, Paola Alambert. Ela se refere ao início da década passada, quando os condomínios-clube se popularizaram.


Acervo. Fitness de 200 metros quadrados (Imagem: Divulgação)

Hoje, a baixa oferta de grandes terrenos na cidade de São Paulo dificulta o desenvolvimento de megacomplexos e limita as áreas destinadas ao divertimento nos residenciais, na opinião do diretor de desenvolvimento da imobiliária Fernandez Mera, Marcelo Moralles. Em média, os incorporadores adquirem atualmente terrenos com cerca de 2 mil m², segundo ele – e um grande condomínio-clube pode chegar a exigir dez vezes mais espaço.

Em um terreno de 873 m² na disputada região dos Jardins, a incorporadora You, Inc lançou este ano o edifício You, Jardim Paulista, focada no atendimento ajustado das demandas do público single – jovens, executivos e casais. Com studios de 27 m² a 31 m², o empreendimento possui, na prática, quatro itens de lazer – um salão de festas integrado a um espaço gourmet, um espaço fitness interno e externo, uma piscina e uma estação de bicicletas elétricas –, além de áreas que incluem serviço como laundry room e pet place.

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VEJA TAMBÉM: Salão de festas, piscina ampla e academia são itens essenciais nos lançamentos

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“A pessoa que mora sozinha quer tudo mais fácil. O prédio tem de ter pay per use, concierge, e as áreas comuns devem trazer praticidade”, diz a arquiteta, Thaís Fornazari, da You, Inc. Já o público familiar, diversificado pediria uma maior quantidade de espaços, de acordo com ela. Nesse sentido, destacam-se áreas como as brinquedotecas e as quadras esportivas.

O diretor de atendimento da imobiliária Lopes, João Henrique, explica que a criação de áreas comuns nos prédios responde a três fatores: espaço disponível no terreno, perfil do usuário e de prioridades para o produto. “Com um terreno, o incorporador se pergunta quantas torres ele vai construir ali. Feito isso, ele verifica quanto sobra de área na parte externa e interna e analisa o perfil do empreendimento. Aí, preenche os espaços.”

João Henrique acredita que a oferta de itens nas áreas comuns não supere, hoje, a marca de 20 facilidades. “O consumidor tem se preocupado bastante com o conforto e a utilização. Os espaços nos condomínios têm de oferecer funcionalidade.” Além de desperdiçarem importantes metros quadrados para os moradores, os itens pouco utilizados podem onerar os condomínios com a necessidade de manutenção, na avaliação de administradoras condominiais.

Excesso. Ainda que o número de áreas de divertimento e convivência nos edifícios tenha diminuído nos últimos anos, dando lugar a espaços maiores e mais integrados, a quantidade de facilidades ainda norteia boa parte dos incorporadores paulistanos.

“O conceito mais moderno considera menos itens nas áreas comuns e com mais conforto, mas ainda vejo muita gente no mercado colocando várias itens de lazer nos lançamentos para vender”, diz o CEO da Vitacon, Alexandre Lafer Frankel.
A empresa, segundo ele, aposta no conceito do “menos é mais”. Todos os projetos desenvolvidos pela incorporadora oferecem três espaços, além de uma lavanderia e, quando possível, um café aberto ao público.


Vitacon. Jardim e mobiliário para estimular a convivência são itens obrigatórios nos projetos (Imagem: Divulgação)

Na área externa, uma ampla piscina normalmente divide espaço com jardins e mobiliários para incentivar a convivência. Além disso, a Vitacon reserva cerca de 30% da área projetada pela torre no terreno para a instalação de uma área de fitness. “O terceiro espaço é um lounge, totalmente aberto. Permitimos que sejam usadas divisórias ou paredes modulares para os moradores compartimentarem um pedaço se quiserem fazer uma reunião, por exemplo”, diz Frankel.

Projeto do arquiteto Arthur Casas, o VN Ferreira Lobo, com studios de 28 m², reserva 215 m² para o lounge do empreendimento. Haverá no prédio também um café.