Paisagismo é preocupação nos  empreendimentos de alto padrão
As informações e opinões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Paisagismo é preocupação nos empreendimentos de alto padrão

Projetos nas áreas externas, exclusivos e personalizados, são marca em condomínios exclusivos

Redação

09 Abril 2017 | 09h03

Jardim do paisagista Roberto Riscala no Ed. Mondrian, em Perdizes. Tem iluminação pontual, com luzes em item por item e fonte feita em pedra mineira |Foto: Gui Morelli

Jardim do paisagista Roberto Riscala no Ed. Mondrian, da MDL, em Perdizes. Tem iluminação pontual, com luzes item por item, e fonte feita em pedra mineira | Foto: Gui Morelli

Caroline Monteiro

ESPECIAL PARA O ESTADO

A atemporalidade é uma preocupação grande nos projetos dos escritórios Anastassiadis Arquitetos e Roberto Riscala Paisagismo. Com frequência, eles trabalham juntos, contratados por incorporadoras para cuidarem da arquitetura, desenho e áreas externas dos empreendimentos de alto padrão.

“Procuramos adotar soluções estéticas que não sejam datadas. Fazemos projetos que possam envelhecer bem, ou seja, que com o passar dos anos fiquem melhores”, diz o sócio do Anastassiadis Arquitetos Artur Jorge de Deus Lé.

Para o paisagista Roberto Riscala, o bom jardim também é aquele que dura. “Não podemos fazer projeto que siga uma moda, porque ela acaba. Jardim não é sofá que a gente pode trocar tecido uma vez por ano. Tem de ser durável.”

O paisagista cita os materiais mais representativos do luxo. “Você nunca ouviu dizer que o mármore é feio. O Brasil é riquíssimo em pedras naturais. Há também os super porcelanatos, que às vezes são mais caros do que o mármore, mas em geral estão mais sujeitos à moda”, diz Riscala.

A madeira nobre também é uma característica dos empreendimentos de luxo, segundo o paisagista. “O cumaru, o pinus e o ipê se caem bem nas áreas externas.”

Riscala diz que o luxo está nos pequenos detalhes, como uma fonte em pedra mineira, a composição do jardim de forma elegante com grande variedade de plantas, espelhos d’água ou painéis de pedra. “São itens caros de manter, por isso, são mais comuns nos prédios de alto padrão”, diz.

Para Lé, o uso de materiais tecnológicos, como ligas metálicas, ou de vidros em toda a fachada ou ainda de tijolos antigos com madeira não pode tirar a cara de “lar” dos imóveis. “Um bom projeto é aquele que, embora adote soluções modernas e tecnológicas, remeta efetivamente à casa, ao lar.”

Assinatura. A questão do luxo pode ser relativa, diz Lé. “São Paulo, assim como outras grandes metrópoles do mundo, tem cada vez menos áreas centrais disponíveis e é normal que essas áreas tenham valor de mercado alto.”

Ele afirma que o público considera como pontos positivos localização, vista, qualidade do entorno, arborização, qualidade de vida e praticidade. “Para este mercado, independentemente de metragem quadrada, existem muitos compradores, mesmo que os preços sejam altíssimos”, diz.

Esse cenário interfere nas atividades dos escritórios de arquitetura. “Somos mais procurados. É uma nova realidade do mercado. A assinatura e o design autoral e exclusivo têm sido cada vez mais fatores decisivos na hora de comprar um imóvel”, diz Lé.

Expansão. Segundo Riscala, a valorização da arquitetura renomada tem atingido também os projetos focados no público de baixa ou média renda. “As pessoas têm entendido a importância desse trabalho de resolução da área externa de um empreendimento, seja em um empreedimento com apartamentos de R$ 80 mil ou R$ 1 milhão. O Brasil melhorou nesse sentido. O setor está mais equalizado.”

0 Comentários