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A hora dos condomínios no combate ao aedes

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AEDES AEGYPTI

A hora dos condomínios no combate ao aedes

No verão, síndicos e moradores devem reforçar ações contra o mosquito

EDILAINE FELIX

10 Janeiro 2016 | 08h02

 

Rosana. Síndica quer mobilizar vizinhos contra a dengue

Rosana. Síndica quer mobilizar vizinhos contra a dengue


O verão traz uma preocupação a mais para os condomínios: sendo a época mais chuvosa do ano, síndicos e administradores precisam se dedicar a não permitir que áreas do conjunto com água parada se transformem em criadouros do mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, do zika vírus e da febre chikungunya. Agora, também se estuda a relação entre o mosquito e a microcefalia detectada em bebês.

Dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que até a primeira semana de dezembro de 2015 foram notificados 1.587.080 casos de dengue no País. O aumento foi identificado em todas as regiões e aponta também para o crescimento da população de aedes em todo o território nacional.

Para evitar que o condomínio contribua para a proliferação do mosquito, a síndica Rosana Nichio, de 52 anos, promove vistorias diárias nas áreas comuns do condomínio residencial de 24 unidades localizado na zona norte da capital paulista.

“Diariamente o zelador e o auxiliar de limpeza examinam todas os locais do conjunto para detectar áreas que possam estar com acúmulo de água. Não tivemos casos da doença em nosso condomínio e nem queremos ter”, diz a síndica.

Entre as ações, Rosana mantém o reservatório de água da chuva com cloro e reforça a atenção aos brinquedos do playground. Segundo ela, algumas partes do escorregador, por exemplo, podem se transformar em “pocinhas” e por isso, à noite, os brinquedos são virados de ponta cabeça para evitar acúmulo do líquido.

Outra área que precisa de atenção redobrada, de acordo com Rosana, é a do entorno da piscina. “As espreguiçadeiras são retiradas ao final do dia, porque elas têm cavidades que também podem acumular água.”

Interesse comum. Paralelamente, Rosana faz ações de conscientização com funcionários e envia circulares para os moradores informando a respeito da necessidade de haver prevenção. “Precisamos alertar principalmente a respeito das sacadas e das plantas.”

Rosana acrescenta: “O comunicados também são entregues para os funcionários e, assim, todos se tornam multiplicadores da importância de combater o mosquito”.

Para que os moradores não coloquem água nos pratinhos que servem de suporte a vasos de plantas, a síndica oferece areia para os residentes, além de ainda orientar: a limpeza desses recipientes “deve ser feita com escova”.

Ao mesmo tempo, Rosana envia e-mail aos proprietários das unidades vazias para que redobrem a atenção com a limpeza da sacada. “As canaletas de alumínio, por onde correm as folhas das janelas e portas devem ser vistoriadas, pois são depósitos de água. É preciso verificar”, afirma.

Embora esteja agindo em seu condomínio, Rosana acredita que as ações não podem ser isoladas, tanto que está tentando engajar a vizinhança num movimento contra o mosquito. Este é o motivo de estar fazendo contato com outros síndicos para trocar informações envolvendo prevenção e cuidados.

De acordo com o presidente da Associação dos Síndicos de Edifícios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo (Assosindicos), Renato Tichauer, a entidade alerta e orienta os síndicos da importância de estarem sempre alertas nos cuidados contra o mosquito.

Tema. “Os administradores devem abordar o assunto com o conselho, moradores, funcionários. O síndico tem de se preocupar com as áreas comuns, com as sacadas dos apartamentos, as jardineiras, os ralos e grelhas e especialmente com apartamentos que estão vagos”, diz.

Tichauer alerta para a necessidade de haver drenagem adequada de água das áreas comuns e dos jardins, bem como para o escoamento apropriado nos ralos.

Outra recomendação dada pelo presidente da Assosindicos é observar a vizinhança. “É possível subir no muro para ver se há algum foco em algum imóvel vizinho e assim ajudar a eliminar o mosquito”, diz.

Desde o ano passado, a Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic) encaminha aos associados uma cartilha de combate à proliferação do mosquito da dengue.

De acordo com o diretor de condomínios da entidade, Omar Anauate, o documento está passando por uma revisão por causa das novas doenças que estão surgindo em decorrência do mosquito e que estão agravando o quadro.

“Mas as dicas continuam as mesmas: cuidados com o lixo acumulado, as plantas dos jardins, as caixas d’água, lajes, as grelhas para o escoamento adequado da água e as áreas comuns em geral, mas precisamos alertar também sobre a zika e a chikungunya”, diz.

Para o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato de Habitação (Secovi-SP), Hubert Gebara, as ações contra a proliferação do mosquito aedes aegypti para afastar riscos da dengue, zika e chikungunya são cada vez mais urgentes.

“O combate ao mosquito é realmente muito difícil de fazer. A maioria dos imóveis tem planta, calhas, caixa d’água, que acumulam água. Por isso, para o combate é preciso envolver o Secovi, as administradoras de condomínio, os síndicos e os moradores. A consciência deve ser de toda população.”

Para Secovi, controle deve ser o ano inteiro

O Secovi integra o Comitê de Prevenção à Dengue da Secretaria de Estado da Saúde, e chama a atenção dos síndicos, administradoras e imobiliárias para que orientem os profissionais a fim de que eles também fiscalizem os imóveis fechados durante visitas com interessados em comprar ou locar o local. Gebara lembra que os criadouros estão no interior de residências e nas áreas comuns.

Playground. Brinquedos infantis podem acumular água e precisam ser fiscalizados diariamente

Playground. Brinquedos infantis podem acumular água e precisam ser fiscalizados diariamente

“O Secovi participa do comitê e divulga as recomendações necessárias na revista da entidade. Uma das orientações para os administradores é colocar aviso sobre o cuidado com a dengue nos comunicados e faturas de pagamentos enviadas para os condôminos”, diz Gebara.

O vice-presidente de condomínios do Secovi-SP enfatiza que compete ao zelador, gerente, síndico e funcionários do edifício tomar as medidas de prevenção nas áreas comuns. Ele lembra também que o controle deve ser feito durante todo o ano e não apenas nos meses mais quentes. “Todos precisam redobrar os cuidados para evitar focos.”

Combate. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa, por meio da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), que a recomendação para o combate ao aedes aegypti é a mesma para qualquer imóvel.

Criadouros. “Lembrando que mais de 80% dos criadouros do mosquito estão nos imóveis residenciais em calhas, pratos que servem de suporte para plantas, vasilhas usadas para dar águas aos animais, inservíveis amontoados (garrafas pet, pneus, latas etc), ralos etc.”, diz a nota.

A SMS informa ainda que as Supervisões Técnicas de Saúde (SUVIS) visitam os locais e, caso os imóveis estejam fechados/desabitados, tomam as medidas previstas na Lei 16.273/15, artigo 3º item (diz respeito aos imóveis abandonados ou desabitados).

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