Bairros mais visados têm boa estrutura de transportes
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Bairros mais visados têm boa estrutura de transportes

Levantamento mostra as dez áreas mais buscadas para morar na capital paulista; Pinheiros, Vila Mariana e Perdizes lideram

Claudio Marques

15 Abril 2018 | 08h24

Paula Weber. Foto: Júlia Ribeiro/Divulgação

Matheus Riga
ESPECIAL PARA O ESTADO
A chefe de cozinha Paula Weber passou mais de 40 anos morando nos Jardins, em São Paulo (SP). Depois de tanto tempo, em 2014, decidiu se mudar com a família para Pinheiros, também na capital. Um ano depois, no entanto, ela se separaria do marido e teve de escolher se voltava ao antigo bairro, ou permanecia onde estava. Optou por ficar – e afirma que não se arrependeu.

Paula enaltece a vida no bairro da zona oeste paulistana. “Pinheiros é muito simpático e charmoso”, afirma. “Tudo é muito perto, prático, com bastante árvores e espaço para andar.”Além disso, a chefe de cozinha elogia a presença de muitos restaurantes e comércio.

Assim como ela, aqueles que procuram por novos apartamentos estão de olho nos benefícios de Pinheiros. Segundo pesquisa do Moving Imóveis, plataforma de compra, venda e aluguel de imóveis, o bairro foi o mais procurado, em 2017, dentro do site.

Logo atrás de Pinheiros, vem a Vila Mariana, em segundo lugar, e Perdizes, em terceiro. Na sequência, a lista se completa com Bela Vista, Moema, Santana, Campo Belo, Jardins, Tatuapé e Higienópolis.

A metodologia, como conta a analista de marketing do Moving, Silvia Valente, contabilizou todas as interações entre os interessados em imóveis e as incorporadoras ou imobiliárias, como cliques para ligações ou envio de e-mail.

Ao observar os dez bairros, a gerente de marketing da Moving, Amanda Souza, afirma que no último ano, a grande demanda foi por encontrar lugares com boa infraestrutura. “São locais já estabelecidos, bem residenciais e com bastante opção de comércio.”

Por serem bairros já tradicionais e consolidados, a lista, segundo Amanda, indica uma tendência de consumo de imóveis. “Percebemos que as pessoas querem morar mais perto do trabalho e fugir do trânsito”, afirma. “A cidade está se reestruturando, com novas opções de transporte público.”

Essa nova dinâmica, de acordo com o economista-chefe do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, condiz com o movimento atual da economia brasileira, com recuperação econômica, principalmente na taxa de juros básica Selic e nos índices oficias de inflação.

Índices econômicos. “Conforme os índices econômicos melhoraram, empresários começaram a colocar imóveis novos em bairros mais nobres de São Paulo”, avalia Petrucci.

Com o aumento da oferta e demanda de empreendimentos nos bairros mais tradicionais de São Paulo, Petrucci, assim como Amanda, salienta a tendência de negócios imobiliários que priorizam a mobilidade.

“É um movimento mundial, não é só nacional”, afirma. “As pessoas estão privilegiando muito mais a comodidade de estar próximo ao trabalho ou local de estudo.”

A história da analista de redes sociais Paula Souza é um exemplo desse movimento. Ela, que morava em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, decidiu se mudar com o marido para a Vila Mariana, na capital. Depois de cinco anos morando de aluguel no bairro da zona sul de São Paulo, no início deste ano ela comprou um imóvel na mesma região.

O motivo, segundo diz, foi a localização privilegiada da Vila Mariana. “É um bairro central e residencial, eu estou próxima de tudo”, afirma. “Hoje, não preciso me preocupar de trabalhar longe.” Ela comenta que não tem necessidade de usar carro onde mora, já que a oferta de serviços e comércio é muito grande e perto da sua casa.

Por causa dessa proximidade com tudo o que precisa para viver, Paula diz que sua qualidade de vida melhorou muito, depois que se mudou do ABC paulista.

As características do bairro, no entanto, ainda fazem Paula lembrar da cidade onde anteriormente morou. “A Vila Mariana tem um pouquinho das características de São Bernardo”, diz. “Tem uma vizinhança muito próxima.”

Paula Souza. Foto: Felipe Rau/Estadão

Proximidade e serviços. Com a arquiteta Karina Korn, a situação foi a mesma. A proximidade com todo tipo de serviço e comércio foi um de seus motivos para permanecer no bairro de Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Há 22 anos vivendo na região, ela diz que o local oferece diversas facilidades para o dia a dia. “Se você quiser fazer uma vida dentro de Perdizes, você consegue”, afirma.

A arquiteta, que chegou a morar em Higienópolis e no Bom Retiro, diz que o bairro onde mora atualmente, em comparação a os outros, tem trânsito muito melhor.

“Aqui você tem muita facilidade para chegar e sair”, afirma. “Você está do lado de grandes vias de locomoção, como a Avenida Sumaré, a Marginal Pinheiros e a Avenida Pacaembu.”

Por conta dessas vantagens, conta Karina, não chegou nem a hesitar sair do bairro há dois anos e meio. “Quando tive a opção de mudar, não quis sair de Perdizes de jeito nenhum. “Sou uma pessoa muito feliz aqui.”

Segundo a arquiteta, a localidade tem muitas opções de supermercado, padarias e farmácias, além da possibilidade de fazer tudo a pé.

Características são muito parecidas, segundo especialista

Não são apenas as três primeiras posições na pesquisa divulgada pela plataforma Moving Imóveis que une os bairros de Pinheiros, Vila Mariana e Perdizes. De acordo com o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Alberto Ajzental, as três regiões têm boa infraestrutura e potencial de novos empreendimentos.

“São bairros que mesclam bem a questão da residência, comércio e área de escritório”, diz Ajzental. “Além disso, existem muitas faculdades e um ótimo acesso ao metrô de São Paulo.” O professor lembra que Perdizes, apesar de não ter transporte público subterrâneo, vai ter uma estação da Linha 6 – Laranja.

Outra semelhança destacada por Ajzental está na localização dos três bairros. “Tanto Pinheiros, quanto a Vila Mariana e Perdizes estão numa área central e dentro do anel formado pelas duas Marginais”, diz. Segundo ele, essas características apresentam um bom acesso viário, tanto para entrar quanto para sair dos locais.

Apesar de serem os mais procurados, os três bairros não são os mais caros da capital paulista. “Essas são regiões desejadas, mas são as que cabem no bolso das pessoas”, diz o professor da FGV.

Segundo ele, existem lugares muito mais caros no perímetro de São Paulo, como é o caso da Vila Nova Conceição, localizada próxima ao Parque do Ibirapuera e à Vila Olímpia. Para Ajzental, os locais mais caros são pontos específicos da cidade. “Os locais de mais luxo estão presentes em partes bem particulares dos bairros de Higienópolis, Moema e Ibirapuera.”

Públicos. Além do pódio da pesquisa, alguns bairros da lista divulgada pelo Moving apresentam semelhanças entre si. É o caso das regiões do Tatuapé e Santana, por exemplo, que são referências para as zonas leste e norte, respectivamente.

“São desejos de públicos específicos”, afirma Ajzental. “As pessoas que procuram esses bairros gostam muito dos costumes e hábitos daquela região.” No caso do Tatuapé, o professor chama atenção para a possível influência da área de Anália Franco.

Outros bairros semelhantes, para o professor da FGV, são Jardins e Higienópolis. “Não têm potencial de crescimento, mas é maduro e estável, têm muita oferta de tudo”, afirma. Essas áreas são mais caras que as demais, mas segundo Ajzental apresentam boa sustentação de preço.

Apesar de terem características dos três primeiros lugares, Moema e Campo Belo, para o professor, despontarão nos próximos anos, devido às inaugurações da Linha 5 – Lilás do metrô de São Paulo.

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