Edifícios adotam portaria virtual para reduzir custos
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Edifícios adotam portaria virtual para reduzir custos

Profissionais apontam tendência, mas é preciso cautela

Redação

04 Setembro 2016 | 07h44

Síndica Rosana Nicho

Síndica Rosana Nichio

Márcia Rodrigues
ESPECIAL PARA O ESTADO
A síndica Rosana Nichio, de 53 anos, implantou uma portaria virtual no seu condomínio, em abril deste ano, a fim de reduzir o custo com pessoal. De acordo com ela, o conjunto residencial pagava R$ 18 mil para uma empresa terceirizada de pessoal e hoje, com o novo sistema, o gasto caiu para R$ 6,2 mil, ou seja, uma economia de 66%.

“Ainda estamos pagando o investimento que fizemos para a modernização do prédio. Trocamos o sistema de interfone, reforçamos e ampliamos o número de câmeras por outras com melhor resolução e também renovamos a cerca elétrica. Tudo isso custou R$ 50 mil”, conta. “Utilizamos o fundo de reserva para pagar e, agora, como queremos repor o saldo, mantivemos o mesmo valor de condomínio.”

Assim que o fundo estiver estabilizado, afirma Rosana, a redução dos gastos será repassada para os moradores, ou seja, vai cair o valor da taxa de condomínio. No entanto, ela não consegue precisar qual será o porcentual de redução.


Profissionais do mercado de administração de imóveis afirmam que o gasto com funcionários representa entre 40% e 50% das contas de um condomínio. Para eles, a implantação de uma portaria virtual pode gerar uma redução de até 50% nos custos com pessoal, e de até 20% no custo total do condomínio, dependendo do caso.

O síndico profissional Fábio Lixandrão trabalha em um condomínio que também optou pela instalação de um portaria virtual. Ele afirma que o prédio que gastava R$ 16 mil para manter quatro funcionários, já que a portaria funcionava 24 horas, e hoje gasta R$ 8 mil.

Zelador. “O condomínio não tinha zelador. Agora, com essa redução de custos, contratamos um e optamos por usar o dinheiro para fazer melhorias no prédio e criar o fundo de reserva. Por isso, a diferença ainda não foi sentida no valor do condomínio. No entanto, o valor não sofreu reajuste anual.”

Ele conta que a empresa contratada também instalou todo o sistema de segurança sem custo: cerca elétrica, barreira eletrônica (infravermelho que aponta a identificação de pessoas em determinados lugares), câmeras e no-break, para o caso de queda de energia.

Lixandrão conta que, além deste condomínio que já instalou o sistema, outro empreendimento que ele administra também está implantando a portaria virtual. “É uma tendência que veio para ficar”, acredita.

Síndico José Carlos Cardoso Dias

Síndico José Carlos Cardoso Dias

O síndico José Carlos Cardoso Dias, de 57 anos, instalou a portaria virtual há dois meses e já enfrentou um problema. O portão quebrou, a empresa mandou um técnico mas, por não ser um problema com o sistema e sim de serralheria, a empresa se recusou a resolver.

Sem cobertura. “Nós temos um zelador, mas ele não trabalha aos domingos. Eu tive de correr atrás de tudo, já que a empresa afirmou que esse tipo de trabalho não constava no contrato. Por fim, eu solicitei um porteiro para ficar no local até que o problema fosse solucionado, e a empresa mandou, já que esse serviço consta no contrato.”

Dias conta que, vendo que era mais caro para a empresa manter o funcionário lá, ela acabou encontrando um serralheiro para nós executado o serviço. “Por ser fim de semana, eu estava com dificuldade de conseguir alguém para fazer a obra. Daí eles resolveram ir atrás.”

Dias também afirma que os problemas gerados pela ausência de um porteiro físico ainda estão aparecendo. “Tivemos de automatizar a iluminação do prédio. Só fomos perceber que tudo era feito manualmente depois que dispensamos os porteiros. Até o sistema ser instalado, eu precisava acender todas as luzes das áreas comuns.”

Ele disse que, ao todo, o condomínio pagou R$ 40 mil pela instalação do sistema, e que o valor foi parcelado em cinco vezes, por isso ainda não houve redução no condomínio. O síndico afirma, no entanto, que houve economia para o prédio a partir da instalação da portaria virtual. Os gastos com pessoal caíram de R$ 17 mil para R$ 6,5 mil.

Avalie antes

Indicação
O serviço é ideal para dois tipos de conjuntos: com poucos moradores, que desejam substituir o porteiro pelo sistema, ou aqueles grandes que têm duas ou três portarias e optam por manter somente uma portaria física.
Confira
Antes de contratar a empresa, verifique quantos condomínios o porteiro virtual monitora. O ideal é que cada um cuide de, no máximo, quatro. Se o empreendimento for grande, esse número deve ser ainda mais reduzido.
Bases
A empresa deve ter várias bases em operação. Não adianta uma base de Alphaville monitorar condomínios da zona norte da capital, por exemplo. Se acontecer algum problema, o responsável para solucionar o caso vai demorar muito tempo para chegar até o condomínio.
Visita
É importante visitar uma dessas bases para acompanhar o funcionamento do serviço.
Contrato
Leia atentamente o contrato e verifique o que está incluído no serviço. Veja se consta o pagamento de internet, por exemplo. O sistema opera, normalmente, com conexão da web. Se o serviço não estiver incluído, o condomínio terá de pagar à parte.
Internet
O ideal é que conste no contrato o nome de duas operadoras de internet, para o caso de uma ter pane, a outra entrar em ação e, assim, o sistema poder operar com tranquilidade.
No break
Algumas empresas oferecem no-break que pode garantir quatro horas de funcionamento, caso a energia caia. Se não estiver incluído no serviço, o condomínio terá de comprar.
Suporte
Verifique se a empresa oferece suporte para o caso de quebra de um portão, por exemplo, e um funcionário para atuar como porteiro, no caso de o sistema der uma pane.
Referências
Busque referências em outros condomínios que contrataram a empresa.

ENTREVISTA – Nilson Soares, vice-presidente do Instituto Pró-Síndico

Implantação pode exigir investimentos

Uma portaria virtual promete gerar uma economia de até 50% com mão de obra, mas quanto custa o sistema? Não há o risco de ficar elas por elas?
Se o condomínio não tem nenhum tipo de tecnologia (câmeras, controle remoto para abertura de portões) o investimento gira em torno de R$ 70 mil, enquanto o custo mensal da portaria virtual é de R$ 6 mil a R$ 8 mil. É oferecido um comodato dos equipamentos, com a condição de o condomínio ficar com a empresa por, pelo menos, 36 meses. Neste caso, o valor dos equipamentos mais o serviço fica em torno de R$ 10 mil mensais.
Qual é a diferença da portaria virtual com uma física?
A portaria virtual funciona da mesma forma que a física, a diferença é que na virtual o porteiro não fica alocado na entrada do condomínio e sim em uma base da empresa contratada. Os portões são acionados remotamente como se o porteiro estivesse no condomínio. Para a empresa que oferece o serviço, a economia se dá porque uma equipe pode atender até quatro condomínios de pequeno porte.
O que acontece se, por exemplo, o portão da garagem quebra e não há porteiro para abri-lo manualmente?
A empresa normalmente tem uma equipe de técnicos que vai atender e fazer as manutenções dos portões. Isso deve constar em contrato, bem como o tempo de atendimento de emergência. Por isso, é importante avaliar a estrutura da empresa para verificar se ela tem condições de prestar o serviço com qualidade.
Se o morador esquece a senha ou o seu cartão que permite entrar no prédio?
Ele vai interfonar para a portaria remota e solicitar a abertura do portão. A empresa vai confirmar os dados e a foto dele que consta no sistema.
Se faltar luz, o que acontece?
A empresa deve instalar um sistema com estabilizador e no-break para comportar a operação, no caso de falta de energia. Com isso, o sistema funciona normalmente. Caso não haja instalação do equipamento, tudo para de funcionar, o que comprometerá o serviço e a segurança do condomínio. Também deve haver a contratação de dois provedores de internet, se um não funcionar, o outro sistema entra.