Eles contam por que agora vão comprar um imóvel
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Eles contam por que agora vão comprar um imóvel

Juros menores, segurança no emprego e vantagens na negociação são incentivos

Claudio Marques

31 Dezembro 2017 | 07h00

Pressa. Yasmin quer fechar negócio ainda no primeiro semestre de 2018
Foto: Rafael Arbex / Estadão

Bianca Soares/ Especial para o Estado

Fernanda, Diego, Yasmin e Raphael têm um objetivo para 2018: comprar ou trocar de imóvel. A queda da Selic pela metade, a confiança na manutenção do emprego e as condições de negociação ainda favoráveis ao comprador são os principais motivos para a aquisição.

A busca pela casa própria começou para Raphael Rezende, de 30 anos, em 2015. Morando de aluguel, o advogado e a namorada suspenderam o plano por causa da crise econômica, então no ápice. “Já estávamos fazendo algumas visitas, mas a taxa de juros para o financiamento era inviável.”

Segundo o professor titular de Real Estate da Poli-USP, João da Rocha Lima, a maior parte da demanda da época foi reprimida e, aos poucos, começa a voltar ao mercado. “As pessoas não desistem da compra, apenas a retardam. A necessidade ainda existe, foi postergada por dois ou três anos, porque o momento era desfavorável.”

No caso de Rezende, o adiamento foi sucedido por uma preparação de médio prazo. O casal, que já vivia junto, passou a aplicar a diferença entre o aluguel e a parcela do financiamento cotada na época. A poupança servirá, agora, para a entrada. “Estamos prestes a fechar o compromisso de compra e venda e o colchão tem sido determinante para os descontos.”

O advogado e sua companheira colocaram como meta uma unidade na planta com entrega para os próximos meses. “Vamos nos casar em 2018, então pretendemos nos mudar em breve. Se não tivéssemos feito essa poupança, não conseguiríamos cumprir o fluxo de pagamento exigido até a entrega das chaves”, afirma.

Altar. Raphael Rezende vai se casar e decidiu comprar um imóvel novo em 2018. Altar. Raphael vai se casar em 2018 e já começou a visitar estandes de venda Foto:Werther Santana/Estadão

Eles têm feito simulações de financiamento para um apartamento de médio padrão. O segmento, de acordo com o professor de estratégia de negócios Alberto Ajzental, da FGV-SP, foi o mais afetado pela recessão.

“O público do alto padrão não depende de uma renda mensal. E as classes baixas contaram com os subsídios do Minha Casa, Minha Vida.” É por isso que a retomada imobiliária, se houver, deverá ser puxada pela classe média.

O analista de sistema Diego Caixeta, de 30 anos, também vai começar o ano visitando estandes pelo centro da cidade. Ele procura um apartamento compacto, de cerca de 35 m², para viver sozinho. “Mas estou aberto ao que me oferecer melhor custo benefício, novo ou usado. Sei que a taxa de devolução anda alta e isso cria um mercado secundário, talvez encontre aí uma boa oportunidade.”

Assim como Rezende, Caixeta vinha acompanhando o cenário à espera da ocasião adequada e de maior segurança em relação ao emprego. “Como trabalho no mercado financeiro, consigo fazer uma avaliação mais apurada. Apesar de a Selic ter caído muito, os bancos privados não diminuíram na mesma proporção a taxa de financiamento.” É o que está aguardando, conta, para parcelar 50% do futuro bem.

Termômetro. Diretor de Vendas da Lello, Igor Freire afirma que as buscas aumentaram cerca de 20% no segundo semestre em relação ao primeiro. As visitas, que são indicadores ainda mais confiáveis, também cresceram. “No início do ano, o que tínhamos eram sondagens. Quando há o deslocamento até o imóvel, é porque a intenção de compra é real.”

No balcão de negociação, o cliente ainda está em vantagem. “Os proprietários entendem que o mercado não se recuperou completamente e mantêm a flexibilidade, principalmente com as condições de pagamento”, diz. Freire alerta, porém, que o movimento de retomada começa a dar sinais. “E se o dono do imóvel percebe que as visitas têm aumentado, não vai aceitar qualquer proposta.”

Para se antecipar à recuperação, Yasmim Rkein, de 25 anos, quer finalizar o processo de compra no próximo semestre. Pensando em se mudar, há três meses ela colocou o antigo apartamento, na Aclimação, à venda. Não esperava, no entanto, que encontraria um comprador em menos de 30 dias. “Foi uma surpresa, agora preciso entregá-lo e não tenho para onde ir.”

A empresária está negociando um apartamento de 114 m² no Jardim Paulista. A preferência por imóveis usados é influenciada pelo tamanho. “Os lançamentos são cada vez menores. No caso de um antigo, você pode pleitear desconto se houver necessidade de reforma.”

Dos dois lados. A arquiteta Fernanda Negrelli, 38 anos, quer se desfazer de seu apartamento de 100 m² no Jardim Paulista para comprar outro maior. Na sua avaliação, o momento é de equilíbrio: compradores voltaram a procurar, o que a ajuda como vendedora, mas ainda há estoque, boa notícia para o cliente.

Nos últimos meses, Fernanda fez dez visitas. “Como pretendo ir para um que seja pelo menos duas vezes maior que o atual, terei de financiar uma boa parte do valor. A taxa de juros menor é um alívio.”

Mudança. Fernanda Negrelli quer trocar seu apartamento por outro maior
Foto: Rafael Arbex / Estadão