Guarulhos e Osasco lideram lançamentos
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Guarulhos e Osasco lideram lançamentos

Pesquisa mostra as cidades que mais receberam novas unidades nos últimos dez anos na Região Metropolitana de São Paulo, excluindo a capital

blogs

10 Abril 2018 | 07h34

Vista aérea de Guarulhos / Foto: Prefeitura de Guarulhos

Matheus Riga / Especial para o Estado
Há três anos, a assessora Fernanda Silva fez uma escolha que mudaria sua vida. Ela decidiu, depois de passar a vida inteira morando na Zona Norte de São Paulo, nos bairros Mandaqui e Cachoeirinha, que sairia da capital paulista para ir morar em Guarulhos. “Não achei estranho me mudar para cá”, diz. “Não me via morando em outros lugares como o ABC ou Barueri.” Segundo ela, o impacto não foi tão grande por causa da proximidade entre sua nova casa e a antiga.
Como Fernanda, muitos paulistanos deixam a capital para ir morar nas cidades vizinhas, que possuem preços de imóveis menores. Segundo pesquisa do grupo Zap Viva Real – que analisou o número de apartamentos lançados nos últimos dez anos em 32 municípios da Região Metropolitana de São Paulo, com exceção da capital – foram colocados no mercado 1.944 novos empreendimentos com aproximadamente 251 mil novos apartamentos nas cidades que compõe essa área. Quando se inclui a capital, esse número, segundo a empresa, representa 44% do total da região.

Guarulhos lançou  R$ 15,4 bilhões

Dentre os municípios da região metropolitana, Guarulhos aparece no topo do ranking com 19% dos lançamentos, seguida por Osasco (13%), São Bernardo do Campo (11%), Santo André (10%) e Barueri (9%). Segundo o estudo, somente essas cinco cidades receberam 155 mil novos apartamentos nos últimos dez anos, o que representa 60% do total.
O valor somado dos investimentos feito em imóveis nesses cinco locais chega R$ 59,1 bilhões com destaque para Guarulhos (R$ 15,4 bilhões) e Osasco (R$ 11,8 bilhões).
A tendência é de que essas cifras continuem aumentando, segundo o vice-presidente de inteligência de mercado da Zap Viva Real, Caio Bianchi.

“O mercado de imóveis na Grande São Paulo está muito aquecido pelo interesse que desperta”, diz.

‘Cidades têm ritmo e qualidade de vida’

O estilo de vida dos municípios da região e sua infraestrutura também são alguns atributos ressaltados por Bianchi. “Essas cidades têm um ritmo e qualidade de vida melhores do que nas cidades maiores”, diz. “É um pouco mais tranquilo, sem tanto trânsito e barulho.”
Para o executivo, a variedade de comércio, parques e serviços nessas áreas não deixa a desejar. Esses locais, segundo ele, oferecem tudo que uma boa vida urbana requer.
A premissa de que há tudo o que se precisa é o que o diretor nacional do buscador de viagens e voos Viajala, Eduardo Martins, sentiu quando se mudou para São Bernardo do Campo, no ABC paulista.
“Aqui há de tudo: vida noturna, restaurantes de alta gastronomia, shoppings”, afirma. “Toda a oferta de serviços da cidade não deixa nada a desejar em relação à capital.”
Ele, que mora no município desde 2013, diz que percebeu um grande aumento no número de comércios e serviços nos últimos cinco anos.

Para morador, São Bernardo tem melhor qualidade de vida

Apesar da diversidade de opções dentro da cidade, Martins acredita que São Bernardo apresenta qualidade de vida melhor que a capital paulista. “São Paulo é uma cidade que não para. As pessoas trabalham muitas horas por dia, os serviços e estabelecimentos ficam abertos direto”, afirma. “É um ritmo frenético de pessoas e carros.” Já a cidade do ABC, para o executivo, é menos acelerada e fornece mais sensação de tranquilidade e segurança.
O sentimento de calma também foi um dos motivos da arquiteta Barbara Dundes ter comprado um imóvel em São Caetano do Sul. Ela, que morou no município do ABC paulista desde sempre, quando teve a oportunidade de adquirir uma residência, optou por permanecer em sua cidade natal, em vez de ir para a capital paulista ou para Santo André.

As 10 cidades que mais lançaram na RMSP, sem a capital

Guarulhos – 48.06619
Osasco – 32.45812,9
São Bernardo – 26.73710,6
Santo André – 24.7639,9
Barueri – 23.1309,2
Mogi das Cruzes – 13.5885,4
Diadema – 10.6634,2
São Caetano – 10.5814,2
Cotia – 9.9944,0
Mauá – 7.6293,0

“Alguns bairros de São Paulo sempre estão muito agitados, o que acaba gerando uma vida muito conturbada e estressante”, afirma. “Aqui, as coisas são mais tranquilas, e o ritmo não é tão frenético.”

‘Não há mais a cultura de ter sair do ABC e ir a SP para fazer algo diferente’

Da mesma forma que Martins, a arquiteta enxerga que a região tem tudo o que é necessário para viver bem. “Hoje em dia, não existe mais aquela cultura de ter que sair do ABC e ir até São Paulo para ver algo diferente”, diz. “A região está se desenvolvendo bastante. Antes não tínhamos tantos cafés e restaurantes legais.”
Fator preço. Para Bianchi, do Zap Viva Real, existem vários fatores que condicionam o aumento dos lançamentos e compras de apartamentos na região metropolitana, mas o tamanho do investimento é o maior deles. “De maneira geral, nessas áreas os preços são mais vantajosos.”
Com base nos dados da pesquisa, é possível calcular o valor médio do metro quadrado nessas cidades. Em Guarulhos, ele é de R$ 5.299; em Osasco, R$ 6.149; São Bernardo, R$ 6.195; Santo André, R$ 6.207; Barueri, R$ 6.621; e R$ 7.904. Já de acordo com informações da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), em São Paulo o valor médio do m² em fevereiro era de R$ 9.787.

Preço menor influenciou decisão

O preço dos imóveis foi o principal motivo para que Fernanda Silva tenha comprado uma residência em Guarulhos. Em 2015, quando estava procurando por um apartamento de 60 m², ela chegou a pesquisar na capital paulista e ficou assustada com os preços. “Em São Paulo, o preço era simplesmente o dobro do que em Guarulhos”, afirma.
Segundo ela, enquanto os lançamentos na Região Metropolitana tinham valores aproximados de R$ 250 mil, imóveis do mesmo tipo e metragem semelhante localizados na Zona Norte da metrópole chegavam a custar quase R$ 500 mil.
Quando estava para casar em 2013, Martins, do Viajala, começou a procurar por novos imóveis tanto na Zona Sul de São Paulo, onde trabalhava, quanto na cidade do ABC Paulista. “Na maioria dos casos, a diferença era quase o dobro”, diz. “Coloquei tudo na balança e vi que poderia ficar um pouco mais longe do meu emprego e foi uma decisão positiva.”
Hoje, como seu emprego tem horários flexíveis e permite home office, segundo o diretor do Viajala, a mudança se tornou ainda melhor para ele.