Incorporadoras atraem com personalização
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Incorporadoras atraem com personalização

Moradores adaptam apartamentos à própria necessidade; processo avança no mercado imobiliário em São Paulo

Claudio Marques

03 Julho 2017 | 16h04

Por Plínio Aguiar / ESPECIAL PARA O ESTADO

A busca por personalização de apartamentos, de pequenas trocas de maçanetas e portas à mudança de dormitórios e ampliação de cômodos, tem se mostrado uma opção para as incorporadoras atingirem cada vez mais público, de acordo com profissionais de empresas que oferecem essa possibilidade.

O mercado de customização vem ganhando força no País, segundo o responsável pelas operações da construtora MDL Realty em São Paulo, Fernando Trotta. “O ritmo de produção hoje em dia é alto. A maioria das incorporadoras realiza alguma mudança que supre a necessidade do cliente”, afirma.

Existem três tipos de modificação. No primeiro, são oferecidas plantas diferentes, geralmente, dois ou três modelos de unidades. O cliente não paga por nenhuma alteração nesse estágio.

Pisos, portas e maçanetas podem ser escolhidos no segundo modelo. Nesse caso, o cliente paga pela diferença de material. Ou seja, o piso que a construtora colocou custa, por exemplo, R$ 5 mil, no entanto o cliente quer outro, de R$ 7 mil – a diferença de R$ 2 mil será paga pelo morador.

Por fim, a decoração. O projeto, geralmente, é assinado por decoradores ou arquitetos que selecionam os móveis, de acordo com o gosto do cliente. O pagamento deste modelo é colocado no bolso do cliente.

Com unidades feitas sob medida para os moradores e construído pela MDL, o Art Cube é um empreendimento de alto padrão no bairro Alto de Pinheiros, na zona oeste paulistana. Entregue no final do ano passado, o condomínio possui 48 unidades distribuídas em duas torres. Os apartamentos possuem, inicialmente, quatro dormitórios com até três suítes. Com metragem de 145 m² a 263 m², o preço do metro quadrado é de R$ 12.500.

Segundo Trotta, o empreendimento foi lançado com o conceito de personalização. Todos os atuais moradores fizeram algum tipo de mudança, de acordo com a incorporadora. “A empresa busca sempre dar liquidez ao imóvel, no sentido de preencher as expectativas. Além, é claro, de ser uma opção que atinge mais clientes”, afirma.

O professor Arival Casemiro em seu apartamento personalizado, na zona oeste de São Paulo. Foto: Sergio Castro / Estadão

O professor Arival Casemiro, de 52 anos, é um dos moradores. Ele morava antes no mesmo bairro, mas estava na busca do apartamento dos sonhos. “Eu aliei o desejo de ter um imóvel do meu jeito com a possibilidade de a construtora realizar tal pedido”, diz. Ele mora com a família na unidade no quinto andar há seis meses. O apartamento possui 145 m² com três suítes.

“Eu fiz diversas modificações ainda na planta. Eu acrescentei uma ilha entre a sala e a cozinha, troquei o piso dos quartos e ampliei a cozinha para ter uma participação no espaço da varanda”, conta.

O professor conta que pagou R$ 1.400.000 pela unidade. A personalização não custou um centavo a mais no bolso de Casemiro. No entanto, as mudanças de objetos, como troca de piso, foram pagas pelo professor. “Eu gastei mais uns R$ 50 mil com os utensílios.”

A incorporadora Even também possui empreendimentos que podem ser personalizados pelos clientes. O programa Studio Excluseven é composto por arquitetos especializados em soluções de montagem e decoração. “É adequar o apartamento para o futuro morador”, diz o diretor comercial da Even, Marcelo Dzik.

Ele conta que em quase todas as unidades que a incorporadora vende há um tipo de personalização. Sobre a mudança diretamente na planta, o diretor diz: “50% das unidades são adaptadas pelo cliente em apartamentos maiores que 180 m²”.

É preciso estar atento a possíveis restrições, aponta o diretor. “Instalações hidráulicas, equipamento elétrico e a legislação municipal têm de ser respeitadas, é claro”, afirma.

A Brookfield Incorporações também realiza empreendimentos com a cara do morador. “É um produto super usado, independentemente das metragens. Claro que com um apartamento maior, a mudança é proporcional”, diz o diretor das operações na capital paulista, João Mendes.

“Seis a cada dez apartamentos acima de 180 m² são personalizados estruturalmente (em relação à planta)”, conta. A empresa não agrega mais valor às unidades modificadas exceto ao uso de materiais diferentes.

Ainda neste semestre, a MDL irá inaugurar um novo empreendimento totalmente personalizado – ao todo, já foram pelo menos 15. Situado na Vila Mariana, o Urban conta com 131 unidades distribuídas em duas torres, com metragens de 45 m², 70 m² e 90 m². O preço do metro quadrado é de R$ 13 mil, segundo a empresa.

Trotta lembra do primeiro residencial personalizado da construtora. “Foi no bairro de Perdizes, chamado Mondrian, em 2012. Tem 42 unidades, a partir de 214 m² até 395 m²”, recorda. O preço do metro quadrado, na época, era de R$ 12.500. Com uma torre apenas, o empreendimento de alto padrão foi um sucesso de vendas.

Customização. Um outro aspecto da personalização que vem encontrando adeptos no mercado é a automação residencial. Segundo a Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial, em todo o País, 300 mil domicílios são automatizados.

Ligar uma série de luzes remotamente, via celular, assim como colocar música para tocar em ambientes selecionados, ligar o aparelho de ar condicionado no trajeto para casa para quando chegar ela já esteja na temperatura ideal, ou nos dias frios ligar remotamente o aquecimento para encontrar a casa quente e aconchegante, além de controlar a segurança do imóvel a distância são possibilidades oferecidas pela automação residencial ou casa inteligente.

“Em qualquer ponto da pirâmide, de soluções simples às mais sofisticadas, esse mercado está crescendo”, afirma o diretor da Avantime, Daniel Lima. A empresa é uma das que atuam no setor.

A consultora de branding Sabrine Dornelles, de 37 anos, mora em um apartamento inteligente de 200 m² na Granja Julieta. Há sete anos, quando comprou a unidade, decidiu automatizar diversos pontos do imóvel. “Eu sou muito tecnológica, então toda a decoração foi pensada como parte de um projeto de automação”, afirma.

Na época, Sabrine investiu R$ 300 mil para realizar todo o processo. “Eu coloquei piso aquecido, ar condicionado central, porta com biometria, sistema de clima e iluminação, além de ligação entre os aparelhos de áudio e vídeo”, conta.

Apesar de estarmos rodeados de várias tecnologias em diferentes ambientes, como o escolar e o profissional, muitas pessoas ainda não conhecem as possibilidades para uma residência. “Conforme o tempo vai passando, a automação irá ficar mais conhecida e as pessoas vão querer ter o sistema em suas casas”, diz Lima.

Sabrine defende a automação. “Muitas pessoas acham que é frescura, mas é um estilo de vida. Facilita tantas coisas no dia a dia, e você usa mais e melhor a tecnologia”, diz.

Um dos produtos mais acessíveis de automação simples é a Philips HUE. “É possível trocar a cor da lâmpada por meio de um celular”, diz Lima. Por soluções sofisticadas, entende-se integração. “Se a pessoa for assistir a um programa de televisão durante o dia, o sistema irá fechar as cortinas, se for à noite, irá acender a luz”, acrescenta.

Custo. Lima reconhece que tornar uma casa inteligente é salgado para os bolsos. “Começa com R$ 20 mil e não tem limite”, diz. A empresa já implantou automação em uma casa na região do Tamboré que teve o custo de R$ 1,5 milhão.

O professor de engenharia e automação industrial da Universidade Presbiteriana Mackenzie José Roberto Soares diz que o conforto sai caro por causa da baixa demanda.

“É preciso haver mais pessoas querendo o produto. As empresas precisam estar engajadas para tornarem a casa inteligente atraente, fazendo com que as pessoas se interessem e comprem.”

Sabrine admite que não é um valor acessível, mas argumenta que futuramente poderá gerar economia. “Eu acabo tendo um gasto muito menor com energia atualmente, porque programo horários no sistema para desligar certos pontos que usam a rede elétrica, equilibrando a minha conta no fim do mês”, conta.

O diretor da Avantime confirma que uma casa inteligente pode sim proporcionar economia nas contas mensais. “É possível poupar o gasto com eletricidade em 30%”, diz.