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‘O caminho é longo e a recuperação é lenta’
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‘O caminho é longo e a recuperação é lenta’

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EDILAINE FELIX

03 Janeiro 2016 | 08h42

TQ SÃO PAULO 07.12.2012 CIDADES METROPOLE CENA DIA Panorâmica da região da Avenida Ibirapuera, zona sul da cidade. No centro da foto, operários em obra do metrô. FOTO TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

2015 é um ano a ser esquecido para muito setores da economia brasileira, especialmente para o mercado imobiliário, que viu os lançamentos e as vendas recuarem em relação ao ano anterior. Contudo, para este ano de 2016, executivos do setor mantêm-se cautelosos, acreditando em uma retomada, mas sem arriscar grandes números para o segmento.

“O caminho é longo e a recuperação é lenta”, diz o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Claudio Bernardes, a respeito do setor e as soluções a serem tomadas para que o País comece a andar no que considera a direção certa.
Bernardes acredita que ainda no primeiro semestre o mercado deverá ter sinalizações e caminhar para a retomada. “Mas sem dúvida, será um ano com dificuldades, de reestruturação da produção, da estabilidade para a queda”, prevê.

O presidente do Secovi lembra que o estoque ainda não acabou e há oportunidades para empresas e pessoas. No entanto, demonstra preocupação com relação ao cenário futuro de quando o mercado sair do ciclo de depressão econômica. Quando isso ocorrer, deverá encontrar o setor sem capacidade de produção e com estoque baixo para atender a demanda.
“Isso significa aumento de preço. Por isso agora é a ocasião para quem puder escolher as melhores oportunidades” diz.

Cautela. Apesar de todas as dificuldade do setor, o diretor da executivo da incorporadora You, Inc., Eduardo Muszkat, conta que a empresa lançou quase R$ 600 milhões em 2015, acima do valor de 2014, que foi de R$ 450 milhões, com vendas dentro das expectativas. “Não estamos pessimistas para 2016. Estamos com pouco estoque e com novos produtos a serem lançados”, diz.

Para 2016, a You, Inc. tem planos para colocar no mercado entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões em projetos, 15% a mais do que neste ano. Segundo Muszkat, imóveis bem localizados e com preço certo ainda têm demanda. “Nosso perfil continua sendo de produto compacto de um, dois e três dormitórios, com metragem média entre 44 metros quadrados e 67 m², e preço entre R$ 400 mil e R$ 600 mil. É o produto que o mercado ainda procura.”

Muszkat lembra que em 2012, era possível vender 40% dos lançamentos no primeiro mês e hoje comercializa apenas a metade, 20%. “O mercado depende de demanda, e em São Paulo a demanda que existe é maior do que o mercado consegue abastecer a cada ano.”

Para ele, o que segura o mercado é a renda atrelada ao nível de emprego e à remuneração das pessoas. “E é a perspectiva futura de renda que fará o mercado sair ou não da inércia”, diz.

Estoque. Apesar de projetar aumento no faturamento, o presidente da Construtora Tarjab, Carlos Borges, espera para este ano um mercado um pouco pior que o do ano passado.

“Em 2016, lançaremos três empreendimentos e esperamos vender a quantidade de ofertas que temos em estoque. O mercado da construção civil tem ciclos longos e 2015 foi um ano de estoque. Por isso, esperamos que as coisas comecem a melhorar apenas no segundo semestre deste ano”, diz.

Segundo Borges, a empresa continuará investindo em produtos mais diversificados e que atendam as normas de desempenho. A Tarjab tem previsto para 2016 um empreendimento na cidade de Campinas e um hotel na região central da capital.

A diretora de atendimento da consultoria imobiliária Lopes, Mirella Parpinelli, está animada com a possibilidade de novos projetos imobiliários serem colocados no mercado este ano, uma vez que no ano passado os incorporadores trabalharam com estoque.

“É um momento de adequação do mercado. Muitos projetos devem ter andamento e aprovação em 2016. Temos bons lançamentos programados para o início deste ano, que felizmente tem o carnaval terminando mais cedo (em 9 de fevereiro) e o ano ‘começando’ na segunda na quinzena de fevereiro”, diz.

Mirella lembra ainda que há projetos de nicho, com ótima localização, por exemplo. Segundo ela, o cliente que encontra esse imóvel sabe que se não comprar naquele momento não vai encontrar depois.

De acordo com a executiva, no ano passado surgiu uma demanda reprimida no mercado imobiliário, que foi alimentada pelos distratos e pelos produtos de oportunidade – imóveis que cabem no bolso do cliente e que são comercializados por causa da falta de novos empreendimentos.

“Existem regiões da cidade que estão sem lançamentos, mas também há grandes empreendimentos imobiliários que movem regiões e que são colocados no mercado e vendidos por fases. E este ano, devem sair novos projetos do papel, no entanto, além do construtor e incorporador, o cliente também está com medo e inseguro diante do cenário econômico.”

A diretora da Lopes ressalta ainda que o volume de lançamentos em 2015 registrou queda no comparativo com o ano de 2014. Contudo, com os grandes projetos realizados em 2015, o ano deve fechar com valor geral de vendas (VGV) somando R$ 98 bilhões.

“Esperamos que 2016 seja melhor. Ainda vai ser um ano muito competitivo, por isso os produtos devem ser diferenciados. Este ano também não haverá espaço para aumento de preço.”

Mudança no financiamento acelerou queda

Ao olhar o mercado imobiliário de 2015, o vice-presidente executivo da VivaReal, Lucas Vargas, enxerga excesso de lançamentos e de estoque. “Mas se existiu um ponto que mudou o cenário foi em maio do ano passado (quando o limite de financiamento de imóveis usados passou a ser de 50%). A partir de então, a queda nas vendas foi muito mais brusca”, diz.

Segundo Vargas, para este ano o mercado precisa ter mais liquidez, um cenário positivo, sem inflação, com queda na taxa de juros e mais poupança para que as vendas voltem a subir.

“As pessoas precisam e querem fazer negócio e para quem quer vender ainda há espaço no mercado. Esperamos que 2016 tenha mais estabilidade.”

De acordo com o diretor geral da Brasil Brokers São Paulo, José Roberto Federighi, existe uma curva de correção no mercado imobiliário.

Na opinião dele, no ano passado, em relação ao ano de 2014, tivemos uma quantidade menor na oferta de imóveis e o que veremos em 2016 é um ano de expectativas, com momentos de insegurança para compreender como estará o mercado.

Para Federighi, o cenário de 2015 foi tão difícil, que qualquer pequena melhora que ocorrer nas vendas de imóveis em 2016, poderá mudar a percepção do mercado.

O diretor da Brasil Brokers ressalta que se a economia tiver expectativas de melhora, 2016 poderá ser um ano surpreendente para o mercado imobiliário. “Poderá haver alavancagem. O nosso negócio depende de tempo, uma vez que os nossos projetos são de longo prazo”, afirma Federighi.

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