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Os bairros queridinhos dos paulistanos
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Os bairros queridinhos dos paulistanos

Nove das quinze áreas mais procuradas estão no centro expandido da cidade; as outras seis, estão muito próximas dessa região

Redação

05 Março 2017 | 07h42

Mortari cresceu na Vila Mariana e já morou no Morumbi. Atualmente, sua residência é em Pinheiros

Mortari cresceu na Vila Mariana e já morou no Morumbi. Atualmente, sua residência é em Pinheiros

Caroline Monteiro
ESPECIAL PARA O ESTADO
Pesquisa realizada pelo portal de busca Moving Imóveis mostra quais foram os 15 bairros mais procurados para compra ou locação em São Paulo durante o ano passado. Cinco deles (Perdizes, Tatuapé, Mooca, Vila Mariana e Moema) são os queridinhos tanto de quem quer adquirir um novo imóvel quanto de quem vai alugar. O levantamento não significa que as pessoas estão de fato comprando ou alugando nesses bairros, e sim que estão de olho, pelo site, em imóveis que estão no mercado nessas regiões.

Segundo o vice-presidente de intermediação imobiliária e marketing do Secovi-SP, Flávio Prando, há de fato muita gente interessada no assunto, pensando em fazer negócio imobiliário em algum momento nos próximos anos. “O tema está na cabeça das pessoas. Elas estão curiosas, voltaram a pesquisar. Isso é um indicativo de que a indústria habitacional deve voltar a produzir – e de que os preços podem subir em breve”, argumenta.

A procura por um novo lar deu ao arquiteto e empresário Luiz Augusto Brasil Mortari, de 34 anos, um cantinho no bairro de Pinheiros, para onde se mudou há um ano e dois meses.

A decisão pela locação de um apartamento de dois dormitórios foi financeira. “Não cogitei comprar, porque não acho vantajoso. Quase entramos em uma bolha por causa da especulação. Alugando, eu posso decidir morar em outros locais quando quiser, sem criar vínculo”, afirma.

Pinheiros é o quarto lugar mais procurado em São Paulo para locação, ficando atrás de Vila Mariana, Perdizes e Bela Vista. Para Mortari, que mora a cerca de 300 m da Estação Fradique Coutinho, a segurança e a vida noturna da região foram decisivas. “É um bairro agradável com o qual me identifico. Posso caminhar à noite, andar de bicicleta, sentar em um bar e curtir. Tenho essa tranquilidade”, diz.

Lá, o metro quadrado é mais caro do que em bairros como Saúde ou Vila Mariana e o condomínio não tem facilidades como piscina e mais de uma vaga de garagem. Mas Mortari diz que abriu mão de infraestrutura para ter a conveniência de outros atributos da região.

A proximidade com o antigo trabalho também foi um ponto positivo. O arquiteto, que antes morava no Morumbi, trabalhava para uma incorporadora em Pinheiros e, somando com as outras qualidades do bairro, resolveu procurar um apartamento ali perto.

Bairros-Procurados

Após a mudança, Mortari se desligou do emprego e abriu o próprio negócio, uma empresa dedicada à reforma e manutenção de imóveis. O endereço profissional é a Vila Mariana, região onde o empreendedor passou a vida toda – e que também aparece no ranking de bairros mais procurados para compra e locação. “É um lugar mais fácil para eu divulgar meu trabalho, porque conheço cada rua, cada prédio, e tem densidade demográfica maior”, diz.

Estação. A localização privilegiada de Pinheiros é uma das razões apontadas por Flávio Prando. A região, que é cortada pela linha quatro amarela do metrô, com três estações (Pinheiros, Faria Lima e Fradique Coutinho), também é bem atendida por linhas de ônibus.

“De transporte público ou particular, é fácil chegar ao centro, subindo a Rebouças e descendo a Consolação. Pela Eusébio Matoso, logo o morador está na Marginal Pinheiros, e pela Avenida Brasil, chega-se na zona sul”, afirma.

A Vila Mariana, que também está sob os olhares atentos do mercado imobiliário, se destaca por ter terrenos grandes a preços ainda moderados. “Os lotes são maiores do que os da Vila Madalena, por exemplo, com muitas construções antigas. A incorporadora prefere, então, comprar menos casas, em terrenos espaçosos, para construir novas unidades”, diz Prando.

O bairro que fica a um passo do centro e no comecinho da zona sul é bem atendido por ônibus e metrô. A linha azul, que faz ligação norte-sul, permite chegar rapidamente a outras regiões da cidade, como em Pinheiros – onde mora Mortari.

Outros dados. A pesquisa da Moving também analisou os tipos de imóveis mais buscados e quantos dormitórios e metros quadrado eles têm. Em 2016, a busca por imóveis de dois e três dormitórios chegou a 65% do total; de um dormitório, 12%, e de quatro dormitórios, 17%.

Para o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, a frequência de negócios envolvendo imóveis com menos de 90 m² cresceu em razão da situação econômico do País. “Com o desemprego alto e a crise, o orçamento das famílias tem de se adequar. Por isso, elas procuram imóveis mais baratos, logo, menores.”

Segundo Prando, além disso, o novo Plano Diretor também privilegiou a construção de imóveis com dois dormitórios, reduzindo a oferta de unidades maiores no centro expandido. “A tendência é que, no segundo semestre, as pessoas voltem a buscar imóveis maiores, porque eles estão em escassez”, acredita.

Tatuapé e Santana são outros ‘centros’ da capital paulista

Para o vice-presidente de intermediação imobiliária e marketing do Secovi-SP, Flávio Prando, quem é da zona norte quer continuar na zona norte, e quem é da zona leste quer continuar na zona leste, quando decide mudar de casa.

“As famílias de outros bairros da zona leste, mais afastados, melhoram de vida e querem se aproximar do centro, mas não querem mudar para outra região”. De acordo com Prando, as pessoas transitam entre bairros da mesma zona porque têm ligação emocional e não querem sair de perto da família. “Elas desejam ter apoio dos pais ou ficar perto dos filhos”, afirma.

Como São Paulo é imensa, as zonas acabam virando cidades menores. “Você conhece bem o seu bairro e os arredores, mas não conhece direito as outras partes. A grandeza da cidade impõe essa situação”, diz.

Sonho. Renan Lucas Vanderlei, de 21 anos, morava com a família no Jardim Penha, zona leste, a meia hora de ônibus da estação de metrô. Mas sua mãe, Márcia Cristina Vanderlei, de 53 anos, sempre sonhou em morar no Tatuapé. “É perto de tudo, do centro, do metrô. Tem escola, padaria e mercado mais próximos”, conta.
Há um ano, a família colocou a casa da Penha para alugar e agora paga a locação de um apartamento ao lado do metrô Tatuapé. “A antiga casa também está a venda. Quando negociarmos lá, queremos sair do aluguel e comprar algo neste bairro, que minha mãe ama.”
Formado em administração, Renan fez os três primeiros anos da graduação morando longe da faculdade. “Eu chegava muito tarde e corria risco com a violência. No último ano, já morando no Tatuapé, minha vida ficou mais fácil.”

Mudança. A expansão do bairro, segundo o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, começou 20 anos atrás. No distrito, que era popular e operário, surgiu o Anália Franco, com status de luxo e chamado de novo Morumbi.

“O shopping deu uma vitaminada em toda a redondeza e fez surgir prédios comerciais de alto padrão e residenciais de classe alta”, diz.

O mesmo acontece com Santana, o “centro” da zona norte. “Para quem já está do outro lado do Rio Tietê, ele é o bairro de desejo, com avenidas, hospitais e prédios comerciais importantes. Tem acesso mais rápido para a região central da cidade”, diz Prando.

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