Prédios de luxo com marcas como Armani, Porsche e Fendi atraem brasileiros
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Prédios de luxo com marcas como Armani, Porsche e Fendi atraem brasileiros

Projetos estão todos localizados em Miami; cobertura pode chegar a custar US$ 50 milhões

Redação

06 Setembro 2017 | 06h58

Entrada do edifício da marca Porsche

Bianca Soares / Especial para o Estado


Quando um morador da Porsche Design Tower, em Miami, chega ao prédio, abre a porta do carro e está a alguns passos de sua sala de estar. O trajeto direto, que exclui a necessidade de vallet, é feito em um dos três elevadores automatizados da torre de 60 andares, que leva o  carro  até o apartamento. O prédio foi  entregue este ano com um show da cantora americana Alicia Keys.
Manter o automóvel (muitas vezes um Porsche, é claro) em garagem privativa dentro do apartamento pode parecer uma excentricidade de amantes do automobilismo.  Mas não é só isso, garante Gil Dezer, desenvolvedor da tecnologia. Os proprietários das unidades, cujos preços variam de US$ 6 milhões a US$ 33,5 milhões, valorizam a privacidade e a segurança resultantes do serviço, diz.
O prédio é um dos maiores arranha-céus do novo filão encontrado pelas incorporadoras locais: aproveitar o capital de grandes marcas de luxo em empreendimentos de altíssimo padrão. O público milionário e de diferentes nacionalidades, inclusive brasileira, que frequenta a cidade é um ativo a mais no negócio.
Assim como a fabricante alemã, a britânica Aston Martin vislumbrou o nicho dentro do mercado imobiliário de luxo de Miami e lançou em julho seu próprio empreendimento, o Aston Martin Residences. A tendência não se limita às marcas de automóveis. Referências no mundo da moda, Armani, Missoni e Fendi Château também entraram no ramo.
O licenciamento da marca para empresas da construção civil é um processo cuidadoso e constantemente supervisionado, afirma Edgardo DeFortuna, presidente da corretora imobiliária Fortune International, uma das maiores dos EUA.

Perspectiva de uma unidade do Missioni, que tem vista para a Baía de Byscayne e para o Atlântico; cobertura de 325m² custa US$ 50 milhões

Representante do edifício Missoni Baia, ele conta que a matriarca da grife, Rosita Missoni, acompanha cada detalhe do design da obra. A maior preocupação é assegurar que os traços característicos da marca italiana, como linhas em ziguezagues e estampas florais, estejam refletidos no prédio.
Quem escolhe viver nesses edifícios está acostumado a se hospedar nos hotéis mais requintados do mundo e quer as mesmas comodidades para o cotidiano. Segundo DeFortuna, as exigências, somadas ao custo de manter diariamente o peso de uma grande marca, encarece o negócio em cerca de 20%, em comparação com empreendimentos de luxo comuns.
Moradores do Missoni Baia, por exemplo, poderão receber visitas em unidades destinadas para convidados. Por um custo adicional, os apartamentos da Armani podem receber decoração completa da própria marca.

No Aston Martin Residences, aqueles que compram as unidades com vista para a Baía de Biscayne ganham um Aston DDV11. E o que adquirir a cobertura tríplex, de US$ 50 milhões, recebe junto com as chaves um Vulcan, esportivo de fabricação limitada avaliado em aproximadamente US$ 2,5 milhões.
O arquiteto Matias Alem, da imobiliária BRG International, leva de barco os futuros proprietários que desejam conhecer a região em que estará o imóvel da Aston. A ideia é adiantar a exclusividade do edifício: uma marina, onde atracarão os iates dos moradores. Com previsão de entrega para o ano de 2022, cerca de 20% das unidades já foram vendidas. Desse total, 40% para brasileiros, afirma Alem.

Perspectiva do prédio da marca Armani; preços vão de U$ 1,9 milhão a US$ 15 milhões

O público desses empreendimentos é formado por quase 70% de estrangeiros, diz DeFortuna. “Latinos e europeus são a maioria, executivos com idade entre 45 e 60 anos.” Ainda conforme o empresário, as aquisições são, em geral, a segunda residência das famílias, que costumam passar as férias em Miami.
O local. Pedaço do balneário norte-americano de águas azul-turquesa, Miami Beach é tendência no negócio entre marcas e construtoras. Para Alem, a ascensão da cidade como centro artístico concentrou ali os maiores nomes da arquitetura mundial. E as empreiteiras têm se aproveitado disso.
A chegada da Art Basel Miami, franquia da feira suíça de maior destaque na arte contemporânea, contribuiu para a nova cara da cidade – e de seus edifícios. Vários deles, como o da Aston, ostentam galerias de arte dentro de suas dependências.
Além disso, diz Dezer, o estilo de vida praiano e cosmopolita coloca a cidade como uma das queridinhas também dos americanos. CEO da construtora Dezer, ele começou a trabalhar com grifes em 2001. Donald Trump, que construiu parte de seu império com empreendimentos que levam seu sobrenome, foi  dos primeiros clientes.
Os brasileiros ocupam o segundo lugar entre os que mais compram imóveis em Miami, atrás apenas dos canadenses. Segundo a Receita Federal, estima-se em 4.765 o número de negócios fechados nos últimos cinco anos, movimentando cerca de US$ 730 milhões.
A maior parte das vendas, 65%, foi realizada via empresas limitadas criadas no exterior. Desse total, 43% não declararam o imóvel e 22% o fizeram de maneira subavaliada.
O órgão de fiscalização pretende refinar a busca neste segundo semestre. O que os dados preliminares apontam, diz a Receita em nota, é que 2.100 brasileiros mantêm imóveis não declarados na cidade.
Adquirir a propriedade por meio de uma offshore é a melhor opção, avalia Fernando Pavani, presidente da Remessa Online, especializada no mercado imobiliário americano.
Ele diz existir um mito em relação esse tipo de operação. “As pessoas ainda pensam que se trata de uma empresa de fachada, mas se você mantém os dados contábeis em dia, está tudo correto. Comprar como pessoa jurídica é mais simples e tem maiores benefícios fiscais.”