Quando a segunda moradia vem antes da primeira
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Quando a segunda moradia vem antes da primeira

Decepcionados por não poderem comprar o primeiro imóvel em razão dos altos preços, nova-iorquinos adquirem casas no campo

Claudio Marques

19 Setembro 2015 | 16h02

 

 Stefan Weisman e seu companheiro,  Sean Mills, são professores em Nova York e compraram casa de campo em  Big Indian. Foto: Preston Schlebusch / NYT

Stefan Weisman (esq.) e seu companheiro, Sean Mills, são professores em Nova York e compraram casa de campo em Big Indian. Foto: Preston Schlebusch / NYT


Por Michelle Higgins / The New York Times

Alguns inquilinos na cidade de Nova York estão pulando o primeiro degrau da escada que leva à aquisição do primeiro imóvel na região urbana. Em vez de investir num apartamento na cidade, eles estão comprando uma casa no campo. Decepcionados com o que seu orçamento permitiria adquirir, continuam a viver o sonho americano de ter uma casa própria, mesmo que seja apenas para fins de semana, em regiões como Catskills, Jersey Shore ou em Connecticut.
Por menos de US$ 350.000 – valor que mal daria para comprar um estúdio no Brooklyn –, eles chegaram à conclusão de que podem comprar uma casa com três quartos ou mais, com alguns hectares de terra, às vezes na frente de um lago, e com piscina. Para os que têm US$ 2 milhões para gastar, as opções vão desde mansões da virada do século até propriedades com vasto espaço de terra.
Graeme Sibirsky e China Aroh Sibirsky são artistas e professores e viviam num apartamento alugado de três quartos em Clinton Hill, no Brooklyn. Com um orçamento de US$ 600.000 de início começaram a procurar uma casa de tamanho similar mais no interior do Brooklyn, como Mill Basin, Canarsie e East New York. Mas perceberam que não conseguiriam adquirir nem mesmo um espaço menor do que seu atual apartamento.
Procurando sozinhos e com a ajuda de Carol Malek, corretora da Malek Properties em White Lake, Nova York, o casal se interessou por três casas cujo valor variava de US$ 225.000 a US$ 325.000 – uma com três quartos e piscina; uma casa menor perto de um lago e uma com cinco quartos, mas necessitando de reforma. Segundo Sibirsky, embora cada uma delas tivesse seus prós e contras, “no geral é possível conseguir uma bela casa de fins de semana ou férias por um valor menor”.
A agência imobiliária de Gary DiMauro atende moradores da cidade em busca de locais bucólicos. “A cidade tem períodos de expansão e retração em que as pessoas se sentem excluídas”, disse ele. Desta vez o mercado de Nova York está muito aquecido e não só compradores de primeira viagem com orçamento mais restrito, mas também pessoas que podem se permitir comprar um apartamento por alguns milhões de dólares na cidade sentem-se desencorajadas com as opções.
Um cliente seu “poderia pagar US$ 3 milhões ou US$ 4 milhões por um apartamento na cidade. Mas para o que ele e a família necessitavam eles “teriam de gastar de US$ 6 milhões a US$ 7 milhões”.
Parte dos motivos pelos quais as pessoas que pretendem comprar seu primeiro imóvel vêm pensando numa segunda moradia é que os aluguéis em alta impedem que elas economizem o necessário para pagar o pesado valor da entrada de um imóvel em Nova York. O preço de venda em média no segundo trimestre era de US$ 980.000 em Manhattan e US$ 605.000 no Brooklyn.
“Parece uma loucura; você não é proprietário, mas já planeja ter uma casa de férias”, disse Adam Friedman, 35 anos, que vende aparelhos médicos e mora de aluguel em Manhattan há 12 anos.
Friedman decidiu procurar uma casa para fins de semana depois de visitar amigos na região norte de Nova York que ali viviam.

A casa que  Weisman e Mills compraram em Big Indiana, no Estado de Nova York.  FOTO: Preston Schlebusch / NYT

A casa que Weisman e Mills compraram em Big Indiana, no Estado de Nova York. FOTO: Preston Schlebusch / NYT

Embora estejam juntos há mais de uma década, Stefan Weisman e seu parceiro Sean Mills, ambos professores que dão aula em Queens, vivem em apartamentos separados.
Ambos cederam à ideia de se mudar e viver juntos quando Mills visitou um amigo perto de Woodstock, Nova York e convenceu Weisman a começar a procurar uma casa para comprar nessa área mais ao norte.
“Quando percebemos que os juros eram realmente baixos e a Catskill era um bom negócio, decidimos ir em frente. O casal comprou uma pequena casa de dois quartos numa área de três hectares muito arborizado em Big Indian, Nova York.
Há um pomar no terreno da frente e um riacho ao fundo. Perto há um lago ótimo para nadar e andar de bote no verão e uma área de esqui no inverno. Quando não estão na casa eles alugam o local no Aribnb, o que ajuda a pagar a hipoteca.
Quem compra uma casa pela primeira vez para uma escapada nos fins de semana precisa pensar nos consertos necessários e na manutenção do imóvel em geral, incluindo o corte de grama no verão e limpeza dos acessos de carro no inverno. Além disto, o pessoal que vem da cidade deve também se preparar para encontros frente a frente com criaturas da região. Há algumas semanas, quando uma enorme quantidade de estrelas cadentes iluminava o céu, Stefan Weisman ouviu um barulho do lado de fora da varanda.
“Acendi a luz e era um enorme urso preto entrando no viveiro de pássaros. Estava literalmente a dois ou três passos distante dele”, afirmou. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO