Sobrevivendo às custas do Airbnb
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Sobrevivendo às custas do Airbnb

Redação

17 Abril 2017 | 20h15

Quarto oferecido pelo Airbnb. Foto: Mark Makela/The New York Times)

Quarto oferecido via Airbnb. Foto: Mark Makela/The New York Times

James Dobbins / The New York Times

Os nova-iorquinos que se tornam estranhos em sua própria casa ao se tornarem locadores inscritos no Airbnb perceberam que a experiência pode ser estressante, bem humorada e às vezes embaraçosa. Mas para alguns tem sido tão lucrativa a ponto de substituir fontes de renda mais tradicionais.

O primeiro inquilino de Evelyn Badia foi Ted, um professor de Amsterdã. Ted adorava café, mas Evelyn não possuía uma cafeteira elétrica. “Meu primeiro erro foi dizer que não bebia café. Porque tinha de ter uma máquina de café?”, disse ela. Mas imediatamente saiu e comprou uma.


Ted, não percebeu o fato. Quando retornou a Nova York alguns meses depois, desta vez com sua mulher, ele se hospedou na casa de Evelyn, que havia recebido uma classificação de cinco estrelas, na avaliação de hóspedes.

“Como locadora inscrita no Airbnb você tem de entender que não se trata de você, mas deles”.

O Airbnb, serviço de locação acomodações para períodos curtos, que começou a operar há oito anos e hoje tem um valor de mercado de US$ 31 bilhões, conta com 46.000 residências inscritas em todo o Estado de Nova York, com mais de 45.000 inseridos na sua lista ativa só em Nova York, gerando centenas de milhões de dólares em receita de aluguéis a cada ano. (Dentro do Airbnb, segundo um website de rastreamento de dados independente, a estimativa é de 36.888 locadores na cidade).

Os ganhos médios anuais no caso de uma pessoa que loca um quarto ou uma residência giram em torno de US$ 5.468, dinheiro que segundo o secretário da Justiça do Estado de Nova Yor, escapa do imposto cobrado de hotéis e locações locais. As autoridades instituíram multas contra essas operações consideradas ilegais, alegando que o serviço colabora para transformar uma residência permanente em habitação hoteleira. (Outras cidades em todo o mundo também vêm adotando medidas para reprimir as locações de curto prazo, consideradas ilegais.)

Josh Meltzer que chefia a área de política pública para o Airbnb, discorda. “O serviço ajuda milhares de nova-iorquinos a sobreviverem numa cidade cada vez mais cara. Infelizmente as atuais autoridades jurídicas do Estado responsabilizam os nova-iorquinos que ocasionalmente compartilham sua própria casa considerando que são hotéis ilegais que afetam o mercado de locação de longo prazo”, disse ele.

Josh Meltzer espera a aprovação de uma legislação estadual que faça distinção entre os proprietários de residências inscritos no serviço que seguem as regras na área de habitação e os que não o fazem, e que permita ao serviço arrecadar os impostos hoteleiros em nome do Estado. Com essa finalidade, Airbnb já fechou acordos para arrecadar o imposto devido com 11 condados da zona rural de Nova York.

Para as pessoas que necessitam de uma renda extra, Airbnb oferece uma solução autorreguladora, baseada no livre mercado, que são as locações de curto prazo com a cobrança de um aluguel baseado no que é cobrado no mercado.

A chamada economia de compartilhamento do Airbnb não tem nada a ver com o compartilhamento real, como na tradicional troca de residências em que dinheiro não entra no negócio. Os viajantes pagam seus hospedeiros pela acomodação e o Airbnb associa a oferta com a demanda, arrecadando uma comissão das duas partes, no geral em torno de 3% a 12% para cada reserva.

Embora o serviço inclua um seguro para os hóspedes a cada estadia, há inúmeras exclusões. O serviço exige que o proprietário que tiver alguma reclamação o faça num prazo de 15 dias a partir da saída do hóspede, ou antes de um novo chegar, que quase sempre é em seguida. E há o risco de desrespeito aos regulamentos municipais ou estatuais que no geral proíbem locações de curto prazo com menos de 30 dias se o locador não estiver vivendo no apartamento ou casa.

“Fiquei muito nervosa da primeira vez”, disse Evelyn Badia. “Mas como disse, Ted foi maravilhoso”.

A casa de Evelyn está situada numa rua tranquila em Park Slope, Brooklyn, não distante dos restaurantes e bares na Quinta Avenida. A casa geminada, um duplex com um apartamento privado no piso superior, é o ideal para quem pretende passar alguns dias na cidade. Por meio do Airbnb, ela aluga o apartamento de dois quartos que antes estavam locados por tempo mais longo. E aluga também um quarto no duplex em baixo. Evelyn consegue uma receita bruta de US$ 100.000 por ano com essas locações.

Embora o debate continue quanto a se o Airbnb poderá afetar a disponibilidade de habitações e os preços dos aluguéis na cidade, o incentivo para o proprietário é claro. Por que alugar um imóvel de um quarto que custa em média em Nova York US$ 2.700 mensais quando existe potencial para cobrar US$ 200 por noite, ou US$ 6.000 por um mês durante a temporada turística mais forte? Alguns acreditam que se os aluguéis por curto prazo, como é o caso do Airbnb, não estiverem mais disponíveis, o número de imóveis para locação de longo prazo poderá aumentar 10% em toda a cidade.

Voltando a Park Slope, Evelyn refletiu disse o que, na sua opinião, a tornou uma anfitriã bem sucedida.

“Você sabe, as mulheres mais velhas estão se tornando a grande clientela do Airbnb. E sabe por que? Porque nós temos o bem, a casa. Sabemos como receber. Somos nós que promovemos e colaboramos para o crescimento e desenvolvimento do serviço”, disse ela. / Tradução de Terezinha Martino