Ações de empresas menores, as small caps, podem trazer bons ganhos

Regina Pitoscia

23 Março 2018 | 00h36

Elas estão costumeiramente na mira de investidores que andam atrás de oportunidades de ganho em bolsa de valores, mas em negócios com ações menos badaladas e disputadas do mercado. São as small caps, como são chamadas as ações de empresas cujo valor de mercado é menor quando comparadas com o de companhias de grande porte. Elas formam um grupo especial de papeis.

Em geral, são ações menos conhecidas, menos negociadas e, portanto, de valor mais baixo no mercado, mas que oferecem, em algumas condições específicas, grande possibilidade de lucro. Às vezes em uma só tacada.

Uma característica que não raro faz com que o desempenho de uma ação dessas destoe do comportamento e ande descolado do restante dos papeis mais negociados ou com maior liquidez no mercado.

Analistas lembram que uma relação entre o desempenho das ações de maior e menor liquidez é que a valorização das small caps costuma vir a reboque das altas dos índices que refletem o comportamento das ações mais líquidas ou negociadas. O principal é o Índice Bovespa (Ibovespa), o índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo.

Se essa linha de raciocínio estiver correta, as small caps teriam bom motivo para atrair os investidores cativos, já que o retrospecto positivo da bolsa projeta uma trajetória alentadora para essa classe de papeis.

De fato, o ano tem sido generoso para quem apostou na valorização da bolsa de valores. Desde janeiro até agora, o Ibovespa acumula alta nominal em torno de 11%.

Profissionais de mercado atribuem o descompasso das small caps em relação ao Ibovespa à estreita liquidez ou à dificuldade de negociação dessas ações, o que teria afastado, no período mais recente, o interesse do capital estrangeiro pelos papeis. As compras de investidores externos têm sido a principal alavanca que impulsiona a alta da bolsa.

O consultor de investimentos Eduardo Santalucia prevê também uma perspectiva positiva para essa categoria de ações de empresas de menor tamanho. Senão por outros motivos, porque são empresas que passaram por grandes dificuldades com a severa recessão econômica, iniciada em 2013. Principalmente as companhias que não exportam e dependem apenas de receitas geradas pelo consumo no mercado doméstico.

Santalucia lembra que o investimento em small caps deve seguir critérios específicos de escolha, diferentes dos adotados para a compra de ações mais negociadas no mercado. Ele destaca a importância da análise, por profissionais especializados de bancos e corretoras, dos fundamentos da empresa, do fluxo de caixa e, principalmente, da perspectiva de desempenho pelo menos cinco anos à frente. Não basta, por exemplo, que o setor esteja bem para que seja recomendável e interessante a compra da ação de companhia que esteja atuando nele.

“É um investimento em que se pode ganhar muito ou perder muito”, pontua o consultor.  De acordo com Santalucia, é preciso avaliar bem os fundamentos de determinada empresa antes de comprar o papel, “porque não é incomum que o desempenho dessas ações ande descolado do Ibovespa e do restante dos papeis da bolsa”.

Com efeito, percalços pelo caminho da atividade podem atrapalhar a caminhada e, portanto, a trajetória da empresa. É o que ocorre agora com a Eternit, uma das tradicionais ações small caps do mercado.

A empresa do setor de materiais de construção comunicou à BM&FBovespa na quarta-feira, dia 21, que recorrerá à recuperação judicial, prejudicada nos negócios pela queda da demanda e dos preços do amianto – em novembro de 2017, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a fabricação de produtos que tenham como matéria-prima o amianto, considerado cancerígeno.

No dia da comunicação de fato relevante pela empresa ao mercado as ações ON da Eternit despencaram e fecharam os negócios com queda de 10,86%. Nesse mesmo dia, a Bolsa de Valores de São Paulo conseguiu ser sustentada pelo desempenho de outros papeis e fechou com alta de 0,97%. Como se vê, o desempenho de uma small cap pode ser bem distinto da média da evolução das principais ações negociadas em pregão, representada pelo Ibovespa.

Em contrapartida, entre as small caps, contam com um certo brilho e estão sendo cobiçadas pelo mercado as ações da Azul, Iochp Maxion, Duratex, Cyrela, CVC e São Martinho.